Posts de Paulo Sérgio Rosseto (415)

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ADIVINHADOR

Soube que o poeta é um adivinhador do invisível
Revela um mundo que talvez nem há
Apalavra os suspiros os cheiros e as cores do ar
Desvenda mistérios que o olhar não alcança
Preconiza em versos
Fomenta a essência

Dizem que desvenda as facetas
Desafia o tempo que sempre tenta impactar
Solta as amarras díspares e os véus
E nos convida a enxergar além dos olhos seus

Mas o poeta retrata somente o que acontece
Por vezes apenas junta ingredientes
Faz as massas
Amassa-as

A poesia sim com precisa elegância as assa
E o coração se alimenta da saga
Que permanece

Todo o resto passa

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NÃO SOU PENSADOR

Não sou um pensador
Aliás as vãs coisas que penso não me acham em si
Riem-se de maneira absurda e voraz
Tão assaz e intensas são as suas asneiras
Volúveis ideias simplórios ideais

Certa vez pensei que pudesse deixar o amor
Sentado na soleira da porta vendo o tempo passar
Sem me esquecer de amar
Que pudesse guardar dos perigos das horas
Os clarinhos da lua sem que fossem embora
Que voltariam amanhã para os olhos ainda úmidos
Os sorrisos de cada lágrima que chora
Que as palavras que dissesse
Cerceassem dúvidas por verdade e mentiras

Ora envelheci na oficina dos versos montada no sótão
Do coração tentando produzir poemas como quem retira
Da toalha da mesa e dos amarrotados lençóis
As manchas prensadas da solidão que atordoa

Tudo que penso enfim esvai mas nunca aquieta
Deteriora quando a consciência me acorda
Apenas a teimosia perdura acometida da ilusão
De estar aprendendo a pensar poesia
Com olhares de poeta

 

PAULO SÉRGIO ROSSETO

psrosseto.webnode.com

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SÃO SOBERANAS AS PAIXÕES

São soberanas as paixões
Aos olhos vívidos dos apaixonados
Ainda que ridículos pareçam ser
Seus louvores seus pecados
Risíveis gestos inexplicáveis
As enamoradas inquietudes
Tornam-se efêmeras verdades
Que só o pensamento dirá eternas
Pois o tempo é uma brevidade
Do tamanho de qualquer frase
Que expresse ou reprima um sentimento
 
Onde foram guardadas as loucuras
Cometidas em nome dos amores
Encontram-se também os sabores amados
É como se déssemos refúgio aos sonhos
Que extrapolaram as próprias voltas
E mais longe bem mais longe se acharam
 
Eu sou das paixões um fã inveterado
Vivo das tolices expressadas nos poemas
E os meus poemas ainda que desritmados
Buscam tua alma ou os teus olhos apenas
 
 
 
 
PAULO SÉRGIO ROSSETO
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EM OUTROS TEMPOS

Em outros tempos
Estaria vendo teu rosto por inteiro
O sorriso verdadeiro escapulindo dos lábios
Junto às falas e frases em sons amenos
As maçãs rosadas debaixo do olhar matreiro
Entre as mechas douradas dos teus cabelos
 
Em tempos passados
Tocaríamos as mãos seladas entre os dedos
Pelas palmas suadas expelindo desejos
Abraçaríamos sem medo assegurando afagos
Como quem baila ao ritmo apressado
De um silêncio desmensurado
 
Em novos tempos
Estaremos cada um a seu modo em diversos lados
Talvez até sussurrando ainda apaixonados
Imaginando-nos amantes
Amados ou então ausentes
 
De nós nada sabemos no amanhã escondido
Do tempo apenas conhecemos o que veio antes
Do hoje é o que temos para ser vivido
 
 
PAULO SÉRGIO ROSSETO
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MUTUAMENTE

Toda alma deveria morrer de paixão
Pelo frasco que a acolhe transigente
Onde o inseparável espírito coabita
Fartando-se de efemeridades e benesses
Entre deliciosos pecados e frutuosos sonhos
Sem preocupar-se da realidade evanescente,
Amarem-se mente e corpo mutuamente

Viver desta mania repentina maneira
Em revelar o bem olhando bem de frente
Nada assustaria, tudo surpreende
Nenhum ser seria um pote mal fechado
Nem vidro, nem lata, clone de produto rotulado
Seríamos todos incensos de essências
Fumaça que perfuma e refaz no ambiente

Por vez que se quebre o vidro e a tampa amasse
Mesmo que nos tranquemos para o mundo
E o mundo nas tortas voltas nos revolte
Somente quem preza o valor da amizade
Dá-se na condição divina de ser homem
Refaz na fusão humana a eternidade
Detém a capacidade de amar plenamente

Então, que não se rompa nenhum elo da corrente
Ainda que a intempérie se revele reticente
Saibamos ser fortes, donos do destino
Mestres e aprendizes, eternos meninos
Sentados à mesa deste farto banquete
Que nos serve a vida dispersa pelo tempo
Cada grau de graças sorvidos, vagarosamente

 

PAULO SÉRGIO ROSSETO

 

www.psrosseto.webnode.com

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ESSA SUJEIRA NOSSA

O mar não suja só expurga
A mata não suja somente expele
O deserto não suja talvez invada
O rio não suja às vezes inunda
O céu não suja apenas recobre
A terra que teimosa se renova
 
Na astuta ação do ímpio sujeira abunda
Onde o germe maledicente procria
 
A mente gera o que não deteriora
E a mão da gente inconsequente mela
 
A natureza do mau espalha delinquências
E nos põe constantemente à prova
 
Todo dia nos acovardamos calados
Ante a crueldade que destroça
 
Essa sujeira do mundo é unicamente nossa
 
 
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INTERGALÁCTICA

Em outro planeta nem todo longe da terra
Cada dia distende ainda que seja domingo
Às vezes por causa da segunda antes encerra
Ou mais cedo inicia por suceder a um sábado
Se indispõem com a hora exata na fração dos segundos
Cedendo aos caprichos da preguiça ou vontades
 
Caso morresse a luz e o azul de todos por lá cansasse
Sair do caos tornar-se-ia a inexigibilidade galáctica
Poucos fariam para extirpar do perpétuo o escuro
O desconhecimento surreal de qualquer futuro
Não se preparam para o diferente do agora
Pouco importaria se deixará de ser reverso esse ciclo
 
Alguém precisaria lhes alterar o calendário
Pudesse contar-lhes o dia enquanto o sol claro ressurge
E encerra-lo no prelo advir da noite verdadeira
Então essa ilógica contagem surreal de lá mudaria
Haveria um só gênesis e não mais genealogia
Seria transposta a era da disritmia à do retorno
 
O homem por lá se igualaria a todo ser vivente
Ninguém diferente seria do mar e das montanhas
Naquele planeta nem todo longe ou distante da terra
Seria como por aqui onde há bonança e a vida plena impera
Mas não se deve jamais intervir em outros mundos
Sob pena de perdermos por quase nada nossa paz interna
 
 
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CPP