A Geometria do Que Sobrou

 

Na cozinha, a mesa redonda perdeu o seu diâmetro. Sou eu que conto os lados de um círculo que não fecha.

Tirei a vida de mim como quem tira o zero do dividendo: sobrou o vazio operando sobre o vazio.

As paralelas da minha casa nunca se encontraram. Eu, perpendicular torto, espiava o encontro impossível pelo buraco da fechadura.

O infinito mora no armário entre as camisas dobradas. Toda manhã eu o visto e saio pela rua somando passos que nunca dão a soma de um destino.

Minha alma é uma fração imprópria: parte inteira ausente, numerador chorando sobre o denominador morto.

Há uma incógnita no espelho. Não sei se sou o X ou o erro de cálculo.

A noite vem e faz a conta: eu menos eu igual a tudo.

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Tocante narrativa onde o coração expressa seu desalento. . Saudaççoes Literárias

  • Muito bom!! Parabéns!

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CPP