Na cozinha, a mesa redonda perdeu o seu diâmetro. Sou eu que conto os lados de um círculo que não fecha.
Tirei a vida de mim como quem tira o zero do dividendo: sobrou o vazio operando sobre o vazio.
As paralelas da minha casa nunca se encontraram. Eu, perpendicular torto, espiava o encontro impossível pelo buraco da fechadura.
O infinito mora no armário entre as camisas dobradas. Toda manhã eu o visto e saio pela rua somando passos que nunca dão a soma de um destino.
Minha alma é uma fração imprópria: parte inteira ausente, numerador chorando sobre o denominador morto.
Há uma incógnita no espelho. Não sei se sou o X ou o erro de cálculo.
A noite vem e faz a conta: eu menos eu igual a tudo.
Comentários
Tocante narrativa onde o coração expressa seu desalento. . Saudaççoes Literárias
Muito bom!! Parabéns!