A necessidade e o luxo

É madrugada. A barriga roncou.

Levantou-se, foi à cozinha e pegou um copo de requeijão sem requeijão; encheu-o d’água.

Em três goles, depositou o líquido onde a dor era presente.

Tinha fome. Lembrou-se do conselho da mãe:

“Beba água, meu filho, que a fome passa”.

A fome é a pior inimiga do sono.

Abriu a janela, olhou a rua de terra e a fina chuva que caía.

Alguém cozinhava de madrugada; suas narinas denunciavam uma carne bovina sendo cozida naquela hora.

A boca salivou e, mais uma vez, tomou água.

Logo amanheceria. Quiçá, a pessoa que cozinhava àquela hora jogaria algo para ele comer no lixo.

 

Assis Silva
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Assis Silva

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Comentários

  • Gestores

    Triste realidade de muitos e com o frio a fome aumenta...

    Bonito texto, Assis.

  • Uma necessidade básica que nos devora por dentro. Saudações Poeticas

  • Que lindo! Um texto reflexivo e espetacular. Parabéns, Assis!

    Um abraço 

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CPP