A vida é luta!

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A vida é luta. Ao menos de quem nasceu de parteira, em berço de palha, ou sem berço algum. Certo que há quem tenha adquirido ou sempre tenha tido recursos e se veja imerso em problemas. Mas há quem prefira mesmo ser um doutor, ainda que chore “mágoas que não têm fim”, como cantou Carmem Miranda:

“A minha vida foi sempre assim, Só chorando as mágoas que não têm fim...”

A mim, e à minha vida, me parece robusta verdade. Dos cinco aos nove colocaram-me coroinha dos padres capuchinhos e isso me rendia algum café da manhã reforçado. Aos dez, fui posto num seminário, afastado da família. Eu não pedi isso. E só entendi que estava ali internado quando lá de dentro vi a porta se fechar após a saída lacrimosa da minha mãe.

Claro que não deu certo. Os estudos ficaram incompletos e o tempo ali vivido dificultou que me enturmasse fora daqueles muros. A família foi se dispersando aos poucos. Era preciso ajudar no sustento, mas nem isso eu fazia direito, despreparado que estava.

Casamento então antes da hora e antes que pudesse comprar sequer uma geladeira. Desempregos sucessivos, a exigir constante suporte e auxílio dos familiares. Formação escolar tardia e o que veio depois disso deve ter sido dádiva divina, em resposta a preces da minha aflita mãe.

E assim o barco seguiu a navegar. Momentos bons, momentos ruins. Talvez não exista mesmo justiça neste mundo. Ao menos uma justiça justa em prol de quem sofre. A vida é luta. Luta constante, como exaltou o poeta Gonçalves Dias.

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Pedro Avellar

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Comentários

  • Gestores

    De fato, uma luta incansável, pois quando nos entregarmos, estará acabada a luta.

    Pessoas como você, Zeca, Davi, Eu... entendemos muito bem.

    O interessante é que nós vencemos, aprendemos, aproveitamos os ensinamentos.

    Apesar de quando a dificuldade me bae, eu ainda lembro daqueles que me escarnearam até os ossos.

    Valeu!

  • Que liindooooooooo!!

    Aplaudo de pé!

    Abraço

  • Pedro

    a vida é luta para todos nós

    e nesta terra a justiça dos homens são falhas

    mas como voce mesmo disse as preces da sua mãe aflita tocou no homem de nazaré onde tudo ao seu tempo foi sendo resolvido

    e só um reforço cristão, onde esta escrito deve ser tido dadiva divina deve ser colocada a frase correta foi dadiva divina com certeza

    fico feliz por você e sua familia ter vencido

    um abraço

     

  • Prezado Poeta Pedro Avellar.

    O seu passado faz parte de suas digitais como ser humano.. Tens dignidade ao saber discernir sobre a sua vida...Se houve tristezas , houve alegrias.. Não importa qual foi o copo mais cheio e o mais vazio.

    Se sabes escrever o que tu escreves e tens toda a noção de sua viagem até aqui percorrida eu um simples homem já idoso digo que tens de sentir a felicidade de suas realizações.

    O sofrimento não tem diploma.

    A vida não dá diploma.

    E assim, todos nós seres humanos temos sofrimentos independente das condições sociais.

    Não e difícil dizer, mas é difícil de aplicar "" Nós somos donos de nossa felicidade """ "" De nosso destino""  ,"" Fácil de dizer, ruim de aceitar ou entender, mas:

    ""Não vivemos sem sonhos e nem esperanças e nem da Utopia """

    Tens dignidade, tens o sentimento de fraternidade mostrado nos seus poemas... Tu sabes o que é Estado Democrático de Direito.

    Sua poesia é uma história de vida mas não posso dizer que és infeliz, porque não és...

    Se há cicatrizes estão no passado.

    Viva o presente e o futuro ( que nem que seja por utopia)

    Parabéns Prezado Poeta Pedro Avellar.

    Um comentário sem espetacularização e nem banalização... Você entende!!!

    Não está perfeito, mas vem do coração e de minhas emoções. Enfim eu também tenho uma história e quem não tem???

    Abraços fraternos sempre 

    ADomingos 

    • Muito grato, A Domingos. Que reflexões profundas. 

      Emocionaram-me.

    • Muito feliz prezado Poeta que houve emoção de ambas partes, eu senti emoções e feliz que você gostou.... Não é fácil comentar e tudo dar certo.

      Parabéns e Abraços 

  • O conto, ou crônica narrativa, como queira, escrita pelo icônico Pedrão, poeta, é um verdadeiro hino sofrido. O texto desnuda, com sensibilidade ímpar, a pobreza e as dificuldades de uma família humilde em mitigar as adversidades enquanto luta para criar dignamente seus filhos. Um deles, ainda neófito, parte quase sem perceber para um seminário, abraçando o mote de uma vocação incerta. Finalizando, o texto perpassa os desafios de uma família de baixa renda, de onde todos vêm a este mundo pelas mãos de uma parteira, lídima representante de uma tradição que arfa por permanecer viva em meio às mudanças dos tempos. É uma obra que, embora melancólica, permeará as reflexões dos leitores com profundidade. Um forte abraço, Pedrão! Sua biografia encaixilha-se na alma deste texto, e confesso que não fica longe da minha própria história. Um dia te conto! Saudações poéticas do bem, com admiração apoteótica! #JoaoCarreiraPoeta

    • Emocionou-me, caríssimo João Carreira Poeta. Emocionei-me muito com tuas palavras. Nem sei o que dizer, a não ser: Muito obrigado!

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