Primitiva é a tua liberdade,
ornando esta alma em fuga,
sem que as amarras tolham pensamentos,
entregue à luz de um sol intenso,
quando a terra é somente rachadura.
Poder beber da boca aberta,
com saliva sanguinolenta,
das amarras de que és liberta,
no silêncio dos sentidos,
temerária desventura;
entre os jactos de loucura,
tateiam-se nos escuros moinhos de vento.
Desfolham-se as rosas no sangue perfumado
que escorre entre os teus seios.
Não fiques triste se ninguém ainda veio:
ninguém está aqui...
E também existe tanta fome
das coisas que nunca vi;
são versos que nunca escrevi,
com uma mão estendida e fria,
mas não há ninguém aqui.
Alexandre
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Amarras frias. Não há ninguém aqui.