ANEL

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Meu pai não lia romances.
Comprou os livros porque sabia
Que ali a vida era outra.
Menino, conheci aquele “luxo”:
Capa dura, letras capitulares,
Fita de cetim e muitas figuras!
Ali as pessoas eram diferentes.
Usavam echarpes de seda,
Casacos de tweed ou casimira
E muitas intrincadas intrigas
Naquele mundo da mais alta classe.

Mas nós vivíamos na fazenda.
Sol, cana e cansaço em demasia.
Contudo, a vida que juntos escrevemos,
Sem iluminuras e cetins, foi de luxo.
Naquele dia, ele me chamou:
- Ela trabalhou tanto a vida inteira,
Me ajude a escolher um presente.
Quando soprou as velas e abriu a caixinha,
Minha mãe era uma criança feliz!
Meu pai não falou nada,
Mas eu ouvi seu coração sorrir.

(E. Rofatto)

https://www.youtube.com/watch?v=SRmD1fPuJk8&list=RDSRmD1fPuJk8&start_radio=1

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E. Rofatto

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Comentários

  • Que lindo! Grandiosa lembrança.

    Parabéns, Edvaldo!

    DESTACADO 

    Um carinhoso abraço 

     

    • Grato, Márcia, pela atenção e distinção dadas ameu texto!

      Um abraço igualmente carinhoso!

  •  

    Aplausos! Bela poesia! Adorei!

    • Grato, Edit! Um abraço!

  • Que lindooo!

    Tempo de valor, detalhes que marcam a vida toda

    Aplausos 

    • Grato, Rocha! Um abraço!

  •  Ave, poeta! O bardo te saúda! Que retalho emocionante de um tempo onde a vida tinha valor. Teu poema me levou a meus pais. 1 ab

    • Grato, Nelson! Um abraço!

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