- BONJOUR, TRISTESSE
Viúva dos rompantes de riso ruidoso, a Tristeza é uma prima-dona a desfilar, por íntimas avenidas, seu charme discreto, mas eloquente, trajando preto – sem dúvida.
Essa moça inclina-se lânguida sobre nossa mente, e seu véu, elegantemente desabado de diáfano chapéu, cai sobre nosso rosto, enquanto ela roça seus lábios de púrpura sobre nosso pensamento. Fatalmente terna e melancólica, o que tem de opulência esbanja em sedução.
Mais que leviana namorada romanticamente tolinha e engraçada, a Tristeza é uma amante sagaz e confiável. Seus gestos são pausados; suas palavras, pensadas; seus olhares, crispados – bumerangues que nos levam em seu dorso para trespassar a região mais vulnerável do nosso desejo, essa jaula de leoas famintas, prontas a defender suas crias nascidas da volúpia ou do ressentimento.
De lá, voltamos feridos de certezas, porque a alma proclamara quem é e a que veio.
Agora, sutil e insidiosa, sem pedir licença, essa dama, a Tristeza, toma seu lugar de honra no teatro da vida.
A partir daí, já não há apelação possível!
Saber-se triste repuxa uma cortina, encerra o drama e resserena quem vai se deitar com essa nova amante.
(E. Rofatto)
https://www.youtube.com/watch?v=MMeZPcjOaMs&list=RDMMeZPcjOaMs&start_radio=1
Comentários
UAUUUUUUUUUUUUUUUUUUU, QUE LINDEZA!!
MEUS APLAUSOS, EDVALDO!
ABRAÇO
Grato, Ciducha! Um abraço!
Fabuloso texto. A música e cantora, não conhecia. O álbum dela é do ano que nasci.
Grato, Margarida! Sylvia Telles cantou muitas músicas alegres, alem dessa que é o "fino da fossa", rsrs. Seu repertório reíune os gransdes compositores da MPB, e sua voz tem aquela delicadeza da bossa-nova. Um abraço!
https://www.youtube.com/watch?v=gDRDvI2Yh0c&list=RDgDRDvI2Yh0c&...
Obrigada, Edvaldo. Vou ouví-la mais vezes.
Rofatto, teu texto, “Bonjour, Tristesse” ergue a melancolia em palco de veludo, vestida de negro e púrpura, prima-dona que desfila com languidez e opulência. Não é leviana, mas amante sagaz, que trespassa desejos e devolve certezas feridas. O poema consagra a tristeza como dama insidiosa e inevitável, coroando-a rainha silenciosa do teatro da vida. Achei encantador, por este fato te parabenizo, um forte abraço — ©JoaoCarreiraPoeta.
Grato, João! Encantador também é seu comentário , uma poesia em si! Um abraço!
Edvaldo, parabéns pelo texto, no qual a tristeza é retratada como uma amante íntima e inevitável, reveladora de verdades sobre a alma. A linguagem poética e clara transforma a melancolia em experiência de consciência, não de
fraqueza.
DESTACADO
Um abraço
Gratop, Márcia! Fiquei lisonjeado com sua leitura certeira esclarecedora: a tristeza como fator de consciência, não de fraqueza! Um abraço!
Edvaldo
a tristeza se camufla e impregna a muita gente
um versar reflexivo
um abraço
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