Cancioneiro

Mas o tempo passa chorando
Pela dor neste cancioneiro,
Quando cessa todo o canto,
Alagando o mundo inteiro.

Ai de mim neste recanto,
Ao não ver teu brando encanto.
Sal do mar, do mar que eu crio,
Que são apenas águas de um rio.

Nos interstícios que tu eras,
Mas que agora não és mais,
Aguaceiros de longas esperas,
Quando tu eras teus iguais.

A alma de um branco franco,
Quais areias de uma praia vasta.
Quando andas sobre teus prantos,
E estas mesmas areias tu arrastas.

Cancioneiro de um vazio inteiro,
Livros nas areias enterrados.
Inspira a dor que é um desvario,
Como as secas margens de um rio.

E este amor, que sequer sentiu,
Que motivou esta terrível dor,
É o mesmo coração que se partiu
Ao perder este imenso amor.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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Comentários

  • Adorei a leitura. Ritmo e beleza se cruzam.

    Parabéns.

    Um abraço 

  • Magistral tua poética deste cancioneiro. Aplausos

  • Gestores

    Belas lembranças, memórias, eras passadas... Encantam os versos.

  • Melhor nome não teria seu poema: os versos curtos vieram cheios de ritmo e com aquele lirismo herdado de muitas eras a mesclar o sujeito, o sentimento e a natureza! Bela produção!

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