Careço
Há uma planta esquecida,
com abundante comida.
Nunca se sentiu abafada
pela mata fechada.
Ruma ao céu azul,
protegida do vento sul.
Chove quase todo dia,
e ela cresce, forte e sadia.
Sobe livre, forte e viçosa,
e com copa larga e frondosa.
Não chega a sentir solidão,
porque não conhece irmão.
O frio lhe chega acolchoado,
porque nunca viu a geada.
E o choro lhe furta o brilho,
porque nunca teve um filho.
Há outra planta acompanhada,
o alimento lhe chega contado.
Sente-se muito abafada,
e a mata empobrece a florada.
O sol perpassa a mata,
refletindo olhos de prata.
Chove depois da estiagem,
e é parca sua folhagem.
Espalha galhos rasteiros,
abafados pelos pinheiros.
O frio lhe chega rachando,
e a geada vem queimando.
Não chega a sentir solidão,
porque é rodeada de irmãos.
O choro lhe presenteia brilho,
é tempo de ver muitos filhos.
Talvez por isso, em cada primavera,
querem que o vento venha de longe.
e traga o pólen da longa espera,
de ter mudas em novo horizonte.
MHermes.
Comentários
Mauricio
um versar com grandes mensagens alem de poéticas de ensinamentos na vida
um abraço
Muito obrigado! Um abraço!
Saudações das Sagas! Poema muito intereessante e bem elaborado. Hermes Possante poema que cativa e ao mesmo tempo mui belo. Parabéns! Abraço
Obrigado! Muito valioso o teu comentário! Ainda mais vindo de poeta tão competente!
Prezado Poeta Maurício Hermes,
Vossa lindíssima Poesia “Careço” transforma duas plantas em metáforas das diferentes condições da existência e sobrevivência.
Uma cresce em abundância, e desconhece os vínculos da convivência.
A outra enfrenta escassez, frio e geada, porém encontra força entre seus iguais
O contraste revela que possuir ou ter muito não significa necessariamente sentir-se completo.
Sim, o pólen simboliza encontro, continuidade e esperança de uma nova geração.
Bela reflexão sobre aquilo de que realmente carecemos para florescer.
" E traga o pólen da longa espera de ter mudas em novo horizonte" muito especial este trecho..
Verso em destaque:
“Não chega a sentir solidão, porque não conhece irmão.”
Um verso simples e paradoxal: às vezes, só reconhecemos a solidão depois de conhecermos a companhia.
Nossos abraços fraternos prezado Poeta Maurício Hermes de Fernanda e Antonio Domingos.
Muito obrigado, A. Domingos, pela leitura e pelo carinho com que sempre recebes minhas poesias. Fico muito feliz com tua atenção e com tuas palavras. É uma alegria ter tua leitura por aqui. Grande abraço!