Nas ruas, os sons emergem do nada,
como em todos os caminhos do mundo;
estalando surdos, passos nas calçadas,
frágeis almas esperando a madrugada.
Sirenes — cinzas mortas — soam em vão,
caem do espaço como pétalas de flores;
talvez seja a morte levada em um caixão,
quiçá na brisa um arco-íris de cores.
Mas é o vento que bate a porta como um coice;
esta tempestade é sentida pelas frias mãos.
Como a solidão, ela cerca a noite
ignorando as ondas de amor e perdão.
Cerca a noite toda esta solidão;
a escuridão tinge os olhos com lágrimas.
Pequenas gotas caem no chão —
doce veneno em um lago de mágoas.
Alexandre Montalvan
Comentários
Maravilhoso poema! Parabéns.
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Ave, poeta! Boa noite! Beleza de poema! O fecho é espetacular! 1 ab