Entre as sombras de minha alma
guardo os mais ternos segredos,
e eu conto com os meus dedos
todos os meus amores desfeitos.
É tanta a minha carne estremecida,
sendo o meu corpo feito um coração;
todas as lágrimas, em sangue, fluem,
toda sintonia jaz nivelada pelo chão.
Eu fui expulso de dentro de mim,
gota a gota, em lágrimas traiçoeiras,
espalhadas em misterioso jardim,
lançado por minha alma sorrateira.
Como selvagem, na noite indecente, eu despi
o meu corpo na flor deste meu desencanto;
desespero-me e verto-me em prantos
na mais estranha morte que eu já vi.
Alexandre Montalvan
Comentários
Toda morte nos parece triste. No poema de Alexandre, ela passa ser rimada e harmoniosa.
Boas Festas, Alexandre.
Ave, poeta! Lembrou-me augusto dos Anjos;. Parabéns. Feliz Natal.
Quanta inspiração! Um poema bem elaborado! Parabéns!