Um grito,
num mar de funesto silêncio,
brota torvo nas tuas palavras,
entrecortado com ruído mundano;
flutuam e contornam este mar imenso.
Uma dor num dolorido coração humano,
que já não tem o amor de outrora;
tomam todas as tuas palavras,
absorvidas no silêncio,
e as jogam fora.
Porém, cale-se primeiro,
para que possa ouvir.
Assim é no mundo inteiro:
ensinam-te a viver,
ensinam-te a sorrir
e a desprender-te
deste fardo ligeiro
que se prende a ti.
Assim como nas ruas desertas,
eu me deixo, calado, permanecer
na exata percepção do nada,
na total inexistência de você.
A ti, a minha mão foi estendida,
na certeza de um sentimento fugaz;
sem reciprocidade válida,
a paixão não correspondida
nada fará a crisálida
voar.
Sinta-se agora tão só e triste,
porque o portão está fechado;
sem poder entrar, a solidão persiste,
espremida neste espaço escuro.
São cristais de sal neste dilúvio
a inundar o teu futuro.
Agora há apenas sangue e dor,
obra de um ator manipulador e perverso;
é um grito absurdo de horror,
no final mais escuro do universo.
Alexandre Montalvan
Comentários
Quanta inspiração!!!! Parabéns, Alexandre.
Maravilhoso poema!
Uau! Quanta inspiração! Como sempre surpreendente! Parabéns poeta Alexandre!
Excepcional, Alexandre.
Caro poeta Alexandre
Um constrangedor silêncio nesse mundo de horror, como você tão brilhantemente construiu.
Parabéns!
Abraços