Eu, guardião das sombras,
das que habitam dentro de mim,
internas,
tenebrosas catacumbas.
Guardando destroços,
excrementos de uma vida
que nela (vida) fixaram residência;
alma no crepúsculo, exigência.
Falência de tudo que um dia foi belo,
daquilo que era dois, não mais,
transformando o que era lindo castelo
num mar de favelas escuras e podres.
Podre como tudo que existe,
pois apenas nos cercam coisas tristes:
a deterioração da matéria,
espasmos de fome, violência e guerras.
Assombra um mundo-cão;
verme assassino, esmago com as mãos.
E ela, com uma navalha afiada, eu decepo,
pois jaz contaminada, então.
Por isso, meu nome é Guardião...
Alexandre Montalvan
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