Inocência Perdida

Eu renego a transcendência e abraço o eu;
arranco teus olhos, para que
não vejas minha dor.
Meu amor por mim nunca será teu,
pois a pureza deste amor só me faz
querer o que for.

Não sou inacessível: procuro um Deus;
esta falta me traz um puro temor.
Sou apenas a negação de todos os ateus,
sou somente o verbo transformado em dor.

Antes, perseguia coisas que o mundo esqueceu,
mas m’alma foi destruída
por um ser vingador.
Todos os meus dias ficaram
escuros como breu;
senti o ódio e nele transformei o amor.

Não serei grato a você, mas te devo um favor:
a sua inocência perdida nunca floresceu.
Todas as sutilezas estão ao seu dispor,
mas a verdade que esconde não morreu
e aparecerá um dia seja onde for.

Alexandre Montalvam

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Alexandre

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