Mãos na Escuridão

Mãos que, na escuridão, te afagam,
são as da mãe que embala o filho morto.
O brilho fugaz nos olhos de fogo,
lume cortante, o aço de uma adaga.

Na terra estará teu espelho,
não ficarão nos lábios teus beijos,
nem tua morada ou albergue,
mas serás sempre a sombra que a persegue.

Tua agonia se eternizará no espaço,
é a dor da perda, é o cansaço,
é a alma minguando aos pedaços,
é o que resta de amor em teus braços.

Não há lágrima última que rola,
nem semente que se lança ao vento,
nem caridade ou esmola,
apenas a lacerante dor do pensamento.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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Comentários

  • Gestores

    Lendo e sentindo cada verso.

    Triste sempre é, mas está mais comum do que parece.

    Os filhos tem pouco tempo para fazer tudo que querem.

    As doenças também os estão levando.

    E por ai vai...

    Você fez um poema brilhante.

     

     

  • Lindoooo!

    Parabéns Alexandre!

    Abraço

  • Boa tarde, Alexandre! Uma bela composição poética! Meus cumprimentos! #JoaoCarreiraPoeta.

  • Uma poesia que emociona mas é fato recorrente na vida do ser humano, mas que não nos acostumamos na aceitação.

    Quanta inspiração não é possível, quanta lamentação numa situação de fenecimentos , infelizmente, é difícil ler, mas a poesia não tem rótulos de triste ou alegre...

    Poesia é aquela no mínimo que a gente gosta.

    Sempre há lágrimas e sofrimentos.

    Abraços fraternos prezado Poeta Alexandre por valioso texto poético e publicação.

    ADomingos 

  •  

     Uau! Quanta inpiração poeta Alexandre! Aplausos mil!

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