Inspirações

Murros em ponta de faca

O namoro não começou como os outros

Já no primeiro mês ele a bateu no rosto

Ela achou que ele iria mudar, perdoou-o;

Os dias passaram, assim como o desgosto.

 

No mês seguinte, veio ataques de ciúmes

E como consequência o poder;

Ela achou que ele iria mudar, perdoou-o;

E sobre isso tentou o máximo esquecer.

 

Engravidou e veio o casamento, que alegria

Mas nas núpcias ele a estuprou;

Ela achou que ele iria mudar, perdoou-o;

E para que fosse diferente se esforçou.

 

No casamento o amor acabou, a violência aumentou:

Era contra si, contra o filho. O respeito inexistiu.

Ela achou que ele poderia mudar, perdoou-o;

Sua dignidade depois, nunca mais viu.

 

Até que um dia, em um ataque de fúria

sem motivo; enfim, ela percebeu.

Ela viu que ele não ia mudar, não o perdoou.

Mas já era tarde, fechou os olhos...morreu!

 

Assis Silva

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Assis Silva

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Comentários

  • Assis,

    Eu não perdoo violência. Nem com pessoas, nem com animais.

    Infelizmente há muitos casos e a questão não é perdoar ou não. Envolve outras alternativas.

    Há que ter apoio e muito para quem apanha e punição para quem bate.

    Bonito trabalho.

  • Que lindo e triste,Assis e ao mesmo tempo tão reali!

    Parabens!

    Bjs

  • Essa violência acontece em muitos relacionamentos. Em bem mais do que podemos imaginar. Mas, infelizmente, só o agredido pode mudar isso. Quando a mulher entender que qualquer tipo de agressão, seja física ou verbal, é um motivo para terminar um relacionamento e começar a se proteger contra relações patológicas, teremos meio caminho andado para a solução. 
    Versos reais, concretos, muito bem escritos. Parabéns!

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