Primeiro Amor Tchê!

 

AMOR PRIMEIRO TCHE

 

No desenho lindo 

do gelo que nasce 

no torrar do verão; 

canchas vão se abrindo 

em mimos enlaces

da xucra estação! 

 

O vento tá insistindo, 

que eu vá no disfarce, 

afrouxando o garrão! 

E me vejo rindo

no acanhado embace 

do guri redomão!

 

Fui pêgo no laço, 

um simples tento 

se fez mundaréu. 

Que baita embaraço, 

peleando por dentro; 

de alma nua ao léu. 

 

Esporeei o picaço, 

e o lamber do vento 

deu rumo as buenas!

E voltei no braço! 

Não vivo lamento

De sombras pequenas. 

 

Não refuguei o arreio 

do bater do peito. 

Que corra frouxo! 

No apear do floreio 

de um luar perfeito; 

aconchegado no poncho! 

 

Que breve entremeio; 

de piá por jeito; 

fugia ao abrocho. 

Que pealo em rodeio! 

Fiz rubrar em eito, 

no abraço de arrocho.

 

Me refiz ligeiro! 

Que guri faceiro, 

no amor primeiro.

 

MHermes 

https://youtu.be/FziNDIV068Y?is=HhEH3GtwSecW3M4l

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MHermes

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Comentários

  • Maravilhoso, Mauricio.

    Meus aplausos!

  • Mauricio

    parabéns

    um abraço

  • Prezado Poeta MHermes.. Segue uma brevíssima avaliação literária de sua Poesia :

    “Primeiro Amor Tchê!”

    Sua poesia celebra, com forte identidade do linguajar e costumes gaúchos, a descoberta do primeiro amor como rito de passagem. 

    O seu eu lírico “guri redomão”, compara o despertar amoroso à lida campeira: laço, arreio, picaço, pealo e poncho transformam o sentimento numa espécie de rodeio interior

    Há uma riqueza poética de valores.

    No desfecho “Que guri faceiro, no amor primeiro” permanece a memória luminosa de quem descobriu que até o coração mais xucro pode deixar-se laçar pelo afeto.

     

    É uma poesia afetiva e bem-humorada, na qual o primeiro amor ganha espora, poncho e alma dos costumes gaúchos.

    Nossos abraços fraternos prezado Poeta MHermes 

    • Muito obrigado Pelo comentário, amigo!

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