AMOR PRIMEIRO TCHE
No desenho lindo
do gelo que nasce
no torrar do verão;
canchas vão se abrindo
em mimos enlaces
da xucra estação!
O vento tá insistindo,
que eu vá no disfarce,
afrouxando o garrão!
E me vejo rindo
no acanhado embace
do guri redomão!
Fui pêgo no laço,
um simples tento
se fez mundaréu.
Que baita embaraço,
peleando por dentro;
de alma nua ao léu.
Esporeei o picaço,
e o lamber do vento
deu rumo as buenas!
E voltei no braço!
Não vivo lamento
De sombras pequenas.
Não refuguei o arreio
do bater do peito.
Que corra frouxo!
No apear do floreio
de um luar perfeito;
aconchegado no poncho!
Que breve entremeio;
de piá por jeito;
fugia ao abrocho.
Que pealo em rodeio!
Fiz rubrar em eito,
no abraço de arrocho.
Me refiz ligeiro!
Que guri faceiro,
no amor primeiro.
MHermes
Comentários
Maravilhoso, Mauricio.
Meus aplausos!
Mauricio
parabéns
um abraço
Prezado Poeta MHermes.. Segue uma brevíssima avaliação literária de sua Poesia :
“Primeiro Amor Tchê!”
Sua poesia celebra, com forte identidade do linguajar e costumes gaúchos, a descoberta do primeiro amor como rito de passagem.
O seu eu lírico “guri redomão”, compara o despertar amoroso à lida campeira: laço, arreio, picaço, pealo e poncho transformam o sentimento numa espécie de rodeio interior
Há uma riqueza poética de valores.
No desfecho “Que guri faceiro, no amor primeiro” permanece a memória luminosa de quem descobriu que até o coração mais xucro pode deixar-se laçar pelo afeto.
É uma poesia afetiva e bem-humorada, na qual o primeiro amor ganha espora, poncho e alma dos costumes gaúchos.
Nossos abraços fraternos prezado Poeta MHermes
Muito obrigado Pelo comentário, amigo!