Uma batida leve, lenta e constante,
atmosfera calma, enganosa,
com atitude algo inconsequente,
uma dor lasciva, recorrente, sedosa.
Minutos, horas, dias, meses.
Não se percebe, não se sente;
a mente se destrói,
reconstrói-se lentamente.
Realidade em mutação,
vivência nunca antes vivida,
experiências nunca antes sentidas,
vagarosa e lenta destruição.
Tempo verte o vento,
o vento, as tempestades.
São almas, gemidos, ganidos,
violência, ódio, falsidades.
Olhos que olham sem vida.
A morte antecede o nascer.
Como entender?
As rosas plantadas em teu jardim,
teu lindo amanhecer,
o que um dia eu também fui...
E que nunca mais voltarei a ser!
Alexandre Montalvan
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Um poema reflexivo. Reflexões sobre a própria vida.
Seu poema é forte e inquietante, que traduz a dor das transformações interiores e a perda gradual de algo que um dia fez parte de nós. Seus versos nos levam a refletir sobre o tempo, as marcas que a vida deixa na alma e a saudade de quem fomos um dia. Uma escrita intensa, que emociona e nos faz pensar sobre a fragilidade da existência. Parabéns ao poeta!