Ouço a minha voz como se não fosse eu,
pois estranho o som me parece;
a dor que me aflige e que do silêncio nasceu,
nas pausas entre as frases,
é tanta que me entristece.
Vejo um rosto no espelho que não pode ser meu,
com linhas e traços tão alvos,
um rosto em que há muito a vida desapareceu,
indício de sonhos perdidos,
tal e qual náufragos que não puderam ser salvos.
Sinto em meus dias que meu tempo há muito se perdeu
em um mundo de frases vazias;
resta apenas criar confluências de ser,
renascer e viver
neste mundo novo de devaneios e poesias.
Alexandre Montalvan
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Parabéns, Alexandre pela bela composição poética, um forte abraço — ©JoaoCarreiraPoeta.