Eu não tenho um minuto de vida,
mas ela, derradeira, me cerca,
tentando encontrar uma saída.
Não quero em minha face teu beijo,
apenas acenos da janela.
Todas as portas se fecharam.
Na loucura, a lucidez eu vejo.
No silêncio, é o grito que sela.
Na rua, o que me espera é um cortejo.
Eu deixei meu coração para ela.
Eu não estou na luz ou na penumbra,
o amar é apenas um verbo velho.
Eu, que acendi o cordão de uma vela,
vou expressar meu último desejo:
respirar longe da minha cela.
Eu já não devo amar mais do que amo,
e no meu peito eu cultuo a espera,
o inverno que antecede a primavera.
Quem sou eu, nesta vida bandida,
senão um ator transformado em fera?
Alexandre Montalvan
Comentários
Lindos versos,Alexandre
Abraço
Inspiração em alta. Um poema que aconchega a vida como é.
Parabéns, Alexandre.
Lindo poema! Parabens pela grande sensibilidade. Abraços
Quanta inspiração Alexandre! Parabéns! #JoaoCarreiraPoeta.