Posts de Paolo Lim (47)

RESISTÊNCIA

Sibilando o sonho,
civilmente me ponho
examinando o ponto,
vírgulas do espanto,
desequilibrando.

Identifico plágios,
denuncio ágios.
xingo banqueiros,
atuais bucaneiros
da população acuada,
lesada, explorada
pela administração
cooptada, enferrujada,
despreparada.

Obro protestos,
não admito restos
para o povo que paga,
se esforça, rala,
e ao final se cala.

Alimento fogueiras,
faço clareiras,
acentuo meus esforços,
mergulho nesses poços
me encharco d' água turva,
mobilizo a turba.

Resistir é meu desejo,
contra ordens de despejo,
encarar o "Teje preso"
e a eclosão do medo.

O povo é frágil,
o inimigo é ágil.
O considera manipulável.

                                               Paolo Lim

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ESPERNEIO

Crio e creio,
finjo, leio.
esperneio.

Ecos ocos,
tossidos, roucos.
Interpenetram,
querem saber,
questionam,
não sei responder...

Novos atos,
desacatos,
pugilato,
vai entender ?

- É um modelo.
Simples pesadelo.
- Pode ser...

Arrepios,
calafrios,
nasce o medo
tarde ou cedo.
Governa
o seu querer.

Buracos negros,
sepulcrais segredos
espatifados,
militarmente ordenados,
arquivados,
silentes,
contundentes,
transtornados.

Hoje é dia de folia.
Nada a temer...

                                                                    Paolo Lim

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FACES

Minhas fases são faces
que antes nunca tivera.
As assumo sem make-up,
boto fé e jogo a vera.

Ora bonito e folgado,
ora triste, meio apertado...
Mas não tergiverso no bailado:
- Mostro o que há prá ser mostrado.

Não acredito que a coerência
possa servir à felicidade.
Por isso mudo de máscaras
que são faces de minhas fases.

                                                   Paolo Lim

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POEMINHA

Confesso que já fui lírico,
fiz canções e serenatas...
Para muitos um poeta empírico,
para outros autor de poesias baratas.

A vida nos faz exigências,
impõe destinos e rotas cegas;
Precisamos de condescendências
para cumprir, passarmos por elas.

Sigo escrevendo meus exigidos versos
em cumprimento as suas vontades.
Recebo críticas e comentários diversos
e assim vou cumprindo minhas finalidades.

                                                                                                                                     Paolo Lim

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MINHAS IDEIAS

Minhas idéias sonâmbulas,
mais ativas, insones,
acondicionadas como em campânulas
em meu cérebro que as consomem,
fiando fino fio 
que tecerá meu destino,
versam sobre dores e desafios,
tal qual quando menino
pensava em aviões e navios,
para escapar dos temores,
dos castigos dos professores
e das broncas dos meus tios.

Minhas idéias acordadas,
perfiladas, de mãos dadas,
se parecem embaralhadas,
confusas, irrealizadas,
mas portam o frescor das madrugadas
pelos grilos embaladas, 
ora tristes, ora animadas,
profundas e acabrunhadas.

Minhas idéias despertas,
ousam tomar como certas,
belezas duma vida liberta.

                                                                                            Paolo Lim

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AQUELE MENINO

Os olhos daquele menino,
tão belos de se olhar,
não podem acompanhar seu destino
ver a cor do céu
ou admirar o mar...

Mas leva a vida sorrindo,
jamais se pôs a reclamar,
diz que sentir é tão lindo,
tão precioso,
que é como enxergar.

E lá vai aquele menino,
sozinho em seu caminhar...
Sorrindo à todos que passam,
admirando o cantar dos pássaros
tentando nos ensinar
sentir, tocar, amar.

                                                                                                  Paolo Lim

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QUESTIONAL (NÃO LEMBRO O Nº)

Voz do mar. Da cachoeira em fúria.
O comerciante de água benta na cúria.
Dedos esguios dos bambus clamam
no solar ruído que os ventos cantam,
moldando a terra sob chuva que despenca
jorros d'água sobre a pobre e tenra avenca.

Desdenhar o mundo não é nada fácil -
É como um cego em seu mundo tátil. -,
em tudo a natureza enxerida se mete
e faz a parte que lhe compete :
- O bem e o mal que se repetem
no vagar eterno das ruínas.
Tudo é viagem, cumprimento de sinas,
imbecis gargalhadas da multidão de iguais
em meio putas que a satisfaz.

E a vida é tão pouca. Choca em meus dentes
arranhando, salivando repentes,
roendo noites, autorizando açoites
num feroz combate. Fecha a porta e bate,
encara o vento, fura o agora,
modifica humores, rumina, joga fora.

Alheio ao mundo, vivendo ao léu,
na beira da estrada, exposto ao céu,
segue o cão sem roupas ou malas,
sem sonhos de atravessa-la.

Será exemplo ? Tem história ?
Será que sofre pela vida simplória ?

Ah... Essas questões !

                                                                                   Paolo Lim

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DESABAFO III

O reflexo na vitrine, intima.
Coincidência ou sina ?
Visões espelhadas da sociedade opaca
que discrimina, critica, boicota e paga,
pelo conforto do corpo, da imagem rala,
fechando caminhos, cuspindo na cara,
negando o óbvio que a miséria escancara
e o marginal atrapalha.

Joias roubadas, milionário ladrão,
manchetes sangrentas, um pedaço de pão,
o craque malhado, o politico lambão,
o pastor suspeito, que ganhou eleição,
no hospital baratas e corpos ao chão,
dividas rolando, olhem o "caveirão" !

Meu espaço privativo é parco.
Não preciso de mais, não.
Aliás, não precisamos...
Demais são os enganos
da política e da religião
que a sociedade aplaude,
toma como molde
e mete os pés pelas mãos.

Tudo depende da escolha -
como uisque ou cachaça de rolha -
no fim é a mesma trolha...

Ninguém sobrevive incólume,
não há bom ou ruim,
rico ou pobre,
numa sociedade chinfrim,
que destila filosofias
que descem pelos ralos das pias
e vão para o esgoto comum.

                                                          Paolo Lim

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AS QUATRO PAREDES

A vida brilha. Mil bocas brotam.
Não quero dormir na noite maravilha.
Olho para o que fui, mesmo não sendo,
imagino sua face, seu disfarce.
Não quero mágoas que transpassem
ou atrapalhem minha trilha.

Trago o universo no peito.
Pranto e pena que espanta tanto,
espalhados no meu leito 
sobre o lençol de linho branco
a espera do que deve ser feito.

Inúmeras fagulhas que viram centelhas,
crescem, avolumam-se em chamas vermelhas 
 rugindo nos espelhos da cristaleira.

Ouço gritos divinos, vindos
d'onde o vazio espia
acentuando desatinos
como se nada sabia.

As quatro paredes apertam
neste quarto, meu hibernal deserto,
ouço o que o universo envia.

Estou cansado de mim. Serei outro -
embora saiba inútil, o esforço -,
buscarei estrelas cadentes,
caídas, carentes.
As oferecerei meus versos dementes.
As tirarei da solidão silente.
Lhes cantarei uma universal canção.

A vida brilha, cega e envolve.
Quero de volta meu pequeno pássaro,
A inspiração do primeiro verso,
Meu sorriso puro.
Anda, devolve.

                                      Paolo Lim

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MAIS QUADRINHAS QUADRADAS

I

Não pensem que sou maluco.
Estou apenas ocupado
em conseguir o que curto
neste mundo destrambelhado.

II

A raiva passa,
angústia se supera,
dinheiro pinta,
mas saudade é fera...

III

Se você me chamar de louco,
é claro que vou sorrir.
Tenho consciência, um pouco,
de até onde posso ir.

                                                                       Paolo Lim

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FEBRES

Febre amarela, azul, cor de rosa;
Febre da palha, do feno, poderosa.
Frio no corpo, arrepio d'alma.
- Maleitas comuns, tenha calma.

Germens e micróbios,
indivíduos microscópicos,
hospedeiros tópicos,
presente dos trópicos.

Inimigos mortais,
epidemias naturais
ciclos sazonais
de vítimas fatais.

Absolutamente naturais...

                                                                                  Paolo Lim

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PERGUNTA

O que houve foi que não ouviu.
Apenas viu o que houvera
ouvido e havido sido
nos idos que ouviu.

Confusão com fusão
e inclusão de som
e visão. Conclusão:
- Pura empulhação.

Tenho ou não tenho razão ?

                                               Paolo Lim

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JUNTO E MISTURADO

Após o passo, o espaço,
o passado registrado,
o futuro avistado,
o presente caminhado,
instado num compasso,
em frente, ao largo.

O tempo presente
que passa urgente,
nos deixando tementes
de acharmos de repente -
"aqui tá frio, aqui tá quente" -
aquilo que se presente.

O andar da carruagem,
as paradas de viajem,
temporais e estiagens,
amores e sacanagens,
roupas sujas nas bagagens,
descanso nas estalagens,
saudades de outras paragens.

Eita vida em movimento,
que consome paisagens e tempo,
alegrias, surpresas e lamentos,
mães amamentando rebentos,
pisos duros, caracaxentos, 
comidas boas e excrementos,
tudo à hora e num só momento.

                                                       Paolo Lim

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CONSELHO À AMIGA

Exiba as forças que lhe cabem,
reze os credos que lhe agradem,
suba nos saltos, cresça,
bote o mundo às avessas,
proclame seus atributos,
não economize insultos,
diga o que lhe der na telha,
fabrique o mel, seja abelha,
pique em sua defesa,
mantenha a chama acesa,
provoque com belo decote,
exponha as pernas, seu forte,
rebole sem preconceitos,
exija seus inteiros direitos,
não há porque ser inibida,
nem tampouco diminuída,
se é dona do grande mistério 
e do corpo que gera vida.

                                                Paolo Lim

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DÉJÀ VU

O que desejava, não se cumpriu...
Nada demais para quem,
na lida da vida,
cheia de idas e vindas,
alegrias e dores infindas,
comprovadamente arguiu.

O que sonhei, se esvaiu...
Nada diferente para quem
nas noites de lua,
formosa e nua,
andou pela rua
e viu o que viu.

O que senti, refluiu...
Nada especial para quem
no seu eu mais profundo,
tem as dores do mundo,
a visão do imundo
que um dia intuiu.

                                                          Paolo Lim

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RIMADO FUNDAMENTAL

O que eu quero, você tem.
Tenho o que você quer também.
Nossos quereres nos convém.
Bom compartilha-los com alguém
que os buscam além...

E esse encaixe formidável,
além de lindo, recomendável,
faz surgir o encontro saudável,
específico, inigualável,
dum grande amor inevitável.

                                                                                      Paolo Lim

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