O silêncio que fala, arquivado no céu da boca.
Dentes cerrados que rangem.
Tarde igual de céu opaco, horizonte próximo,
mesmice do ócio.
Um cesto de pães dormidos, ligeiramente comidos
por dentes apodrecidos, careados, frágeis, doloridos.
Azedo cheiro de azeitonas velhas, restos nas panelas,
poidas cortinas nas janelas.
Decadência exposta sem prudência.
A sujeira dos nascimentos e da inocência.
Migração de cores,
suaves exposições de maus odores,
poeiras acumuladas nas prateleiras,
espedaçar das boas maneiras.
Fim do lógico, os ilícitos.
Escolhas de novos inícios.
Caótico armistício
duma vida em particípio.
Paolo Lim
Comentários
Excelente poema, Paolo.
Sempre nos brindas com prazerosa leitura.
Aplausos pelo singular momento de composição.
Destacado!
O silêncio ele guarda as coisas que muitas vezes as bocas não devem falar
Parabéns, poeta, poema lindo, primoroso, adorei. Você fez uma ode a decadência, a quebra de dogmas, ao rompimento dos sofismas, etc... Abraços, paz e Luz!!!