Depressa ali cheguei
escrevendo histórias
com poesia acompanhada
de versos datilografados
na minúcia de todos
os detalhes tecidos
com arte e alegria
Ali
me libertei
de todas as embriagantes
palavras intuitivas
onde sem mais censuras
te recrio habilmente
numa estética
inexplicavelmente,absoluta
analítica…sintética
Ali
enfeitamos cada instante
de vida
aniversariamos o tempo
com unânimidades quase
fatídicas
Ali
expressei-te a minha
linguística em meigos afagos
enamorados pela tua sintaxe
Ali
choraminho por teu
carinho
Ergo-te eclético um poema
dotado de estética
escrevinhando louco
e poético
toda a minha existência
te alimentando por via
parentérica
Ali
sei-o
tudo sabe a pouco
até a quietude profética
esperando-me a cada
momento caprichoso
onde me entrego
pra me enxaguares todas
as lágrimas desta rompante
e tão colossal saudade
se extinguindo ainda que relutante
Ali
emprestamos nossas asas
ao doce esvoaçar de cada
emoção
ausentando-nos ali
entre ecos pardacentos
desfilando sigilosamente
em comoção
Ali
todos os destinos sequestram
até o tempo que amadurece
aperfeiçoando-te
redesenhando com
giz e simplicidade
na elíptica e itinerante
lágrima que deambula
regurgitando piropos baloiçando
em toda a minha monotonia expectante
Ali
recordar-te-ei
transladando cada pensamento
assim devagarinho
colorindo teus céus ofegantes
Desejarei afogar-me
fatalmente em cada pestanejar
da noite
assim acorde o dia
e nós ali
extravagantemente
consumindo cada parcela do tempo
lenta e inexoravelmente
Frederico de Castro
Comentários
Aqui, me extasiei diante de tanta beleza. Maravilhoso! Bjs
Lenta , a devagarcinho, suavemente...
Assim se lie esta obra bela demais, com esta doçura, calidade, ternura...
A saudade, tristeça de amor que fere, ao pestanhejar o dia...
Beijos