Vejo, ouço e lembro
o majestoso timbre que em ti
flameja
Reparto o sol em gomos de luz
melancólica
que insinuante ainda flutua
Lunática
tentadoramente frenética
por entre tristes sabores
que degustei tão mediático
Fito-te nos olhos
descrevendo novas órbitas
meridionais
pendendo em cada ramo de acácia
bravia perfumando
nossas sombras se apaixonando
incondicionais
Aplaco a raiva destinada
a esta linguagem onde
se oprimem astutas todas
as lástimas gritando em silêncios
um pranto prévio de vida
um instinto exalado no teu perfil
surgindo anónimo
em recolhimento…em ausências
breves e ocasionais
O resto…é esquecimento
alheamento
dias insolúveis
manhãs prometedoras
vazios repetidos
saudades dramáticas
muito tempo de duração
quase ilimitada
tantas promessas que se abeiram
traumáticas e prematuras
Um verso já sem rima
Um dia igual a outro
Ambos submissos
Tão espontâneos
envelhecendo nesta solidão
aleatória
alimentada apenas com esse aditivo
que se chama amor
…e no final subitamente
Tão apressadamente apagaste
as labaredas da vida
assim tão integralmente
na meiga docilidade do tempo
exalando pacificamente
Frederico de Castro - ainda e sempre, ao meu irmão Ricardo
Comentários
Vc a fiz bela, FC.
Beijos
Creio veementemente que ainda existem muitas surpresas dentro desse baú chamado Frederico de Castro!