Posts de Carlos Manuel Correa da Silva (59)

No refúgio das águias

...de longe parecia que o fogo trazia o amanhecer...

Por mais que busquemos forças que lutemos
Por mais que o conhecimento adquirido
Traga conforto e semeie paciência há momentos
Em que a gente simplesmente sente

...leva as mãos ao coração e chora...

Nesses atos de terrenos movediços
A dor assume o papel de direção
Dita no roteiro a capacidade de nos calar
Senta-se ao camarote e assiste sem comoção

Quantas foram as vezes que desejamos
Que aquele dia não tivesse existido
Que as palavras jamais fossem cantadas
Que a música nunca tivesse tocado

Antes mesmo de cada estrofe
Já sabíamos de cor o que viria
E a canção não terminava
E o solo sofrido se estendia

Seja um adeus um aceno
Ou um beijo apaixonado
Que nunca deixou os lábios

Aquela vontade de subir aos céus
Desviar das estrelas e encontrar
O primeiro buraco negro que surgir

As lembranças que por vezes
São inseparáveis amigas
Se tornam memórias repetitivas
E eficientes em nos fazer sofrer

E eu queria apenas subir bem alto
Onde as águias se refugiam
Onde o vento sopra claro
E gritar de lá o que sinto

Mas a canção nada tem
Com o momento de auto agressão
Mesmo que absorva toda essa escuridão
Ainda assim teremos que enfrentá-la

Deixar sua letra esvaziar as lágrimas
Para isso temos o refrão
Fazer dela uma oração

Sim porque não?
Eu rezo ao fechar os olhos
Me deixo levar em emoção
Quando oro e ouço a canção

Nestes momentos todo meu sentir
Ultrapassa a dimensão e vai até Ele
Sem dizer uma palavra vou em Sua direção
Para mim isso é música essa é nossa relação

E se sentamos e choramos no início da canção
Com a cabeça entre as mãos agora nos levantemos
Cantemos e agradeçamos pela oportunidade que Ele
Nos oferece de escrevermos cada linha de nossa redenção

 

https://www.youtube.com/watch?v=4ojR0LuPxGE

Carlos Correa
Deus nos abençoe

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Sonho de criança

Deitado na cama com os olhinhos pouco fechados
O urso surrado quase estrangulado pela mão que o apertava
O piano parecia que tocava a brisa
Que lembrava ter ouvido ainda no ventre de sua mãe
Enquanto sonhava com a voz que o acariciava

Mãe sei que é véspera de Natal
Mas tenho tanto medo da noite
Papai Noel não vai passar
Ouvi você dizer que esse ano ele não viria
E eu acredito no que diz
Por favor deite comigo

Ela que o amava em toda sua dedicação
Recostou-se ao lado da cama
Copo de leite e carinho nas mãos
Na busca do caminho a levar seu filho
A encontrar o soninho que insistiria em se atrasar
Em como explicar que o velhinho não iria chegar
A encontrar os sonhos que ela mesma desistira de procurar

E lhe veio uma canção...

Meu querido imagine um campo verdinho com flores e sonhos
Logo ali bem pertinho veja o lago
Onde brincam tantos peixinhos dourados
Vê aquele gatinho tristonho?
Acene pra ele, logo estará sorrindo
Sinta a música em seu rosto como o beijinho que lhe dou todas as manhãs

Olhe quantos esquilos meu filho e todas aquelas avelãs
Corra sem temor até onde puder
Acredite que aquele rio te levará aonde quiser
Observe ali a noite chegando, veja quem ela está trazendo
Pra te proteger todas as madrugadas que tiver receio de descansar

Ele já dormia despreocupado
Sonhava com seu anjo e viajava por lugares
Só por eles conhecidos
E encontraram alguém...

Pela manhã correu até sua mãe
Sentada à mesa ela triste imaginando como explicar
Nas mãos dele um novo ursinho recém-chegado

Mãe mãe mãe
Eu encontrei Papai Noel
Você nem imagina acho que ele fez um regime sei lá
Estava magro alto e com barba escura
Veja ele me entregou este presente e deixou um recado para você
Ele disse pra que nunca deixe de acreditar
E ela chorou ajoelhada e abraçada a seu filho

E assim foram todos os dias
A Lua chegava ele recebia o afago de sua mãe
E corria a encontrar o son(h)o

Já não tinha mais medo da noite...

Fiquem com Deus

https://www.youtube.com/watch?v=tUprDTELP00

Carlos Correa

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Visível presença

Como fazer para trazer à luz do dia
Tudo aquilo que tenho como verdade?
Como fazer para trazer à superfície da pele
Tudo aquilo que meu coração já sabe?

Ainda que tenha seguido por diferentes caminhos
A maioria deles afastados da luz do sol
Ainda que tenha mostrado o quão rasa é minha fé
Esteve a cada segundo me cobrindo de Seu amor

Momento algum desistiu de mim
Momento algum deixou de lado Sua certeza
Momento algum deixou de lado Sua confiança
Momento algum me deixou de lado

Se queremos saber o que fizemos de tão errado
Encontraremos as respostas ao encarar o espelho
A fina lente que separa e revela nossas tendências
Nosso juiz nosso carrasco nossa verdade a consciência

E se hoje consigo sorrir mesmo quando assustado
Se consigo estar de pé mesmo quando cansado
É porque em cada momento longe de mim mesmo
Olhei nos Seus olhos fechei os meus e joguei-me aos Seus braços

Eu agradeço por ter reconquistado o amor
Eu agradeço por cada célula e minuto de meu corpo
Agradeço por me mostrar que todo eclipse é temporário
E peço perdão pelas vezes que construí eu mesmo a escuridão

Fiquem com Deus
Fé é a nossa vontade de querer

Carlos Correa

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Olhos de Capricórnio

Noite de fogos, no céu rodopiavam cometas
Calor, pelo suado, semblante violeta
Observava o sorriso da lua, desejos imortais
Não reconhecia a cor de seus olhos naquela dança de cristais

Há mistérios no mundo que caminho
Uns dilacerados pela curiosidade
Outros revelados pelo carinho
Mas todos, segredos de um tempo sem idade

Acompanhou heróis e vilões
Incendiou bosques nas mais diversas paixões
Enfeitiçou crianças quando carrossel
Andaluz, Puro Sangue, alado ou apenas Corcel

Valsava com as fadas na madrugada
Ao sol cavalgava
Foi desenho, triste ou animado
Foi homem, foi quase tudo que sonhava

Toda cor descolore com o tempo
As vivas, mesmo as mais fortes
Pedem socorro ao vento
Nova aquarela, seguir um novo norte

O fim da lágrima é o sorriso
O fim da inocência a fruta madura
O fim da mulher o Olimpo
O fim do Homem a poesia

E naquela noite quente de verão
Olhando as águas
Imagem refletida da constelação
Pediu a Capricórnio que lhe abençoasse a vontade
Um novo caminho
Molhou a crina, entrou no mar
Nascia ali o cavalo marinho...
... e ganhou a liberdade.

Carlos Correa
Deus nos abençoe

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Gatilhos

Não poderia garantir se é uma benção ou não
Tenho a lembrança de cada segundo
Desde a lágrima que escapou por uma paixão
À cada sorriso à cada tristeza que vi nesse mundo

O melhor gatilho desse lança chamas
Chamado memória é pra mim a canção

Cada uma tem hora nome e emoção
Por quantas vezes ao invés de adernar
Ao sol poente optei por respirar fundo
E colocar para dentro as melodias

...assim enfrentei vários novos dias...

Mas não foi tudo assim não
Sabe eu posso olhar para trás e sorrir
Posso sim acredite em mim

Porque o Senhor meu Pai sempre
Deu-me mais muito mais do que mereci
E Lhe agradeço por cada vez que O vi

Logo ali naquela grama cercado de girassóis
Nos latidos e lambidas no mundo das nuvens
No mar nas estrelas em cada momento que inspirei
E me abasteci de Sua energia vital

Afinal mesmo na presença dos lamentos
Consegui aprender um tiquinho que seja quase nada
E caminhei mas acho que na direção oposta
Até que senti o vento soprar forte “contra” mim

Lembro-me de que era tempestade
E que dependia de mim alterar a rota
Agora ainda que tortuosa
Já posso ver ao longe a verdade de Sua luz

---mas uma vez tempestade...

As escaladas hoje tornaram-se menos dolorosas
E quando percebo sangrarem os joelhos
Retorno ao carinho de minhas memórias
E escolho minhas canções favoritas

Fico ali por um tempo é verdade
Apenas elas e eu o que não me surpreende
Já que no momento de adormecer para um novo dia
Serão elas que me farão companhia

Mas comecei falando de lembranças
Delas retiro minha força de vontade
Toda minha capacidade de focar em cada olhar
E ver o que falta em mim

Tenho meus sonhos sim e são tão simples
Caberiam todos dentro de uma pequena toca
Talvez em verso ou numa estrofe
Como queria sentir o aroma daquela flor que plantei

E se cada música tem nome ou sentimento
Talvez alguns por curiosidade se questionem
O que essa canção desperta em mim
Mas isso vocês não podem saber não

Fiquem com Deus e não esqueçam que
Cada um tem suas próprias melodias
Permitam que elas incendeiem em vocês a força
De seus sonhos e desejos mesmo os adormecidos

Deus nos abençoe sempre
Carlos Correa

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Delírios

Oh estrela que guia meus pés descalços
Famintos por encontrar verdades por entre as areias
Sedentos pelo liquido precioso de seus olhos
Feridos pelas pedras que parecem nunca desistir

Oh estrela dessa longa noite no deserto
Guia meus olhos cegos na busca de sua luz
Envia pelo vento a canção que eu ainda lembro
Sopra o alento que me falta até que brilhe um novo dia

Oh estrela dentre tantas que dançam no palco celeste
Sei que tu me escolheste com carinho e afeição
Permita-me que possa então admirar suas cores
Sentar próximo à fogueira deixar que me domine a emoção

Oh estrela sim eu sinto e ouço vem de dentro vem com força
Estrela minha só por esta noite que meu único arbítrio
Seja poder guiá-la através do tango de meus delírios
Levantar o véu do tempo recolher seus passos e guardá-los
Aqui dentro de meu coração

Fiquem com Deus

Carlos Correa

 

https://www.youtube.com/watch?v=QXInWK-bdR8

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Bata palmas

Acredite na música ouça a voz que sussurra em seu coração
Acredite na magia brinque
Divirta-se com as palavras sorria de montão
Se alguém diz que não pode que deve ficar no grotão
Ignore e toque um violão vamos lá então

Não sabe tocar o que importa viva a ousadia
Cante e dance divida tua dor ou tua alegria
Escreva sem medo tua saudade
Teus desejos tua liberdade

Seja educado seja grato seja pássaro
Ou seja gato mas salte e voe
Perdeu a rima no caminho
Se pra você é importante apague e comece de novo

Ponha um fone e não escute inveja ou covardia
O medo é sábio e ele tem sim sua serventia
Às vezes seu nome é bom senso só não pode ser todo dia
O bom professor não é sempre aquele que mais sabe
É o que tem a sensibilidade de te levar aonde você não sabe

Se jogue com aquele bom senso hoje e não amanhã
Mais sensual que ver o seio é despir o sutiã
Bata palmas muitas vezes trazem mais melodia
Do que mil instrumentos e só com elas já se faz sinfonia

Vim até aqui porque meu desejo é simplesmente
Te fazer sorrir ser amigo te trazer pro centro do carinho da gente
Nunca acredite naquele que diz que você não pode
Naquele que alega que não está preparado que morde
Acredite em você para ser feliz

 

Fiquem com Deus e um ótimo fim de semana

Carlos Correa

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No colo da Rosa

A página em branco se engrandece frente aos meus olhos
Agrega-se com o hipnotizante silêncio da música
Pesam as pálpebras que desobedientes (?)
Aproximam suas margens
Lá se vai o que é próprio e o que antes era alvo
Transforma-se em noite
Noite estrelada dos bandolins

E o ar se torna um delicado de moléculas quase róseas
Etéreas
A textura das pétalas em meu rosto
No abraço afetuoso de suas folhas
Ah pude sim deitar em seu colo
Perdido no afago suave
Quando pude regá-la com minhas próprias lágrimas
Não encontrando uma palavra que definisse o momento
De inigualável sentimento

E aí entendo porque do lado de cá tentamos

Inutilmente definir o que é amor
Os que mais se aproximam trazem nos lábios
Segredos que apenas quem é mãe pode dizer

Porque existe um estado onde o amor
É simplesmente....o amor
A realidade a essência do que ainda não compreendemos
A pureza do coração da chama que caminha pela noite


Não existem paixões não há lugar para as vicissitudes
E a madrugada observa com admiração os vaga-lumes
Pequenas fadas que nos fazem sorrir iluminando nossa mente
Em doces inspirações que julgamos serem nossas

Mas as estrelas devem dormir
O sorriso precede o afastar das pálpebras
A folha agora exibe seus rabiscos
Sentimentos que compreenderemos
Quem sabe ...
Através de nossa própria evolução
Aqueles momentos de vida real
Entre cada última expiração

Bom dia Girassol...

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Quando choram as guitarras...

Permanecia sentado sobre à banqueta
Os pés molhados pelo vai e vem das carícias do mar
Notas que imploravam ao poeta
Amor esperança ou quem sabe ousadia

Olhava ao alto
Não haviam estrelas
Assim acreditava
Os astros haviam sido esquecidos

Assim imaginava
Nuvens e relâmpagos calaram as rimas
As sombras abraçavam à escuridão
E era assim que tudo via

Nas ruas choram as guitarras
Flautas amargas guiando corvos e cobras
Lá fora uivos de sentimentos sem acordes
Cordas escolhendo seus corpos e cartas

E ouvia obsediado a cada voo na noite...
Olhe ao seu redor
Não existem mais canções de amor
Seus dedos estão congelados
Já não existe amanhã

Mas um Homem caminha
Nas costas sonhos e magia
Era diferente da maioria que o cercava
E lembrou rapidamente de quando os tinha

Num ágil movimento
Quase reflexo do que ainda existia
Conseguiu perguntar
Como chegou até aqui?
Nunca desisti
Como consegue ouvir a canção?
Como consegue ainda ter inspiração?
Mantive acesa a chama em minhas mãos

Mas não entendo sempre acreditei
Acreditar meu querido é diferente de ter fé
A fé é a certeza que existe dentro do coração
Mesmo que adormeça
Essa você nunca perde
Mas a crença pode muitas vezes ser manipulada
Pelos vizinhos que você mesmo atrai

Olhe para dentro
Peça perdão traga lá do fundo
Uma sincera oração
E recomece cada passo
Agora na correta direção

E por entre as nuvens sorriu o luar
Das teclas aquecidas renasceu a melodia
Na verdade eu diria despertaram as canções de amor
E invadiram a madrugada brilhando sob as estrelas
Nas serestas que trouxeram a doçura no olhar em cada janela

E a música se espalhou lembrando quanto é importante
Manter acesa a chama que está em sua mão
Um pequeno pedaço do fogo no infinito universo
A grande fogueira chamada Fé
Que nos guia pelos longos labirintos
Trazendo a certeza do encontro de Planos
Cada vez mais elevados
Basta pra isso que tenhamos atitude
Seguindo as notas da infinita partitura da Música de Deus.

Fiquem com Deus
Carlos Correa

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Noite de arco-íris

Aonde estaria eu naquele momento?
Tanto tempo caindo talvez tivesse esquecido
A direção contrária das imagens e oportunidades perdidas
Certamente ainda muito longe de onde deveria
E mais ainda de onde gostaria
Aonde eu estaria naquele instante?
Se eu abrisse os olhos, será que eu lembraria?
Se eu tirasse o capuz conseguiria olhar para mim mesmo?

Fechei os olhos clamei ao vento
Leve-me contigo não quero esperar por mais outro dia
Seja minhas asas permita-me...voar
Ali nascia uma amizade diria quem sabe cumplicidade
Sonho e ousadia
E eu pude ouvir pela primeira vez o que ele me trazia
A lição inicial chamava-se humildade

No carinho das nuvens pude reconhecer do que são formadas
Ali encontrei tantas lágrimas evaporadas
Pude ver as minhas
E o vento me confidencia que nas chuvas ou no orvalho
Elas retornam ao nosso encontro
Trazendo as respostas que ainda não aprendemos a compreender
E o conforto e agradecimento pelas que levaram alegria
Em minhas mãos gotas que representavam antigas dores
Lágrimas que a misericórdia de Deus transformava em aprendizado

Lá em cima era atingido pelo aroma das flores
Pelo perfume de tantas
Poesias e Poetas
Pelo brilho dos olhos de cada criança
Miados e latidos, a revoada de pássaros por sobre a maresia
Pela segunda lição que o vento me trazia

Lembro que na infância as nuvens me divertiam
Eram aquelas imagens que invadiam a mente fazendo-nos sorrir e criar
Hoje posso senti-las novamente
Talvez uma diferente melodia me fazendo entender a importância do perdão
Ah perdoem-me então e por trazer novas lágrimas
Mas é tão linda essa canção que toca diretamente em meu coração
Acho que é a “sua canção”... e pude perceber que o vento sorria

Já anoitecia se aproximava a tempestade
Tolo me encolhi e quase despenquei
E compreensivo o vento que agora corria
Me tranquiliza e faz entender mais uma outra lição
Que a bondade de Deus possui diferentes formatos
Nós é que ainda não alcançamos
E acabamos por não entender a verdadeira razão da tempestade
Numa rajada ele tenta me mostrar a importância da caridade

Ah como eu queria acreditar que aquele arco-íris era real
E porque não seria? Alguém pode questionar
Talvez porque já tenha chegado a noite diria...
O que há no final de seu caminho? Ouso perguntar
Nem ouro nem prata
Ali se encontram apenas virtudes
O resultado dessas e de muitas outras lições que aprenderá com o tempo
No longo Caminho que tem pela frente por sobre essas 7 cores

Quando cheguei até você não sabia onde estava
Apenas o desejo de não mais continuar caindo
Amanheceu meu jovem
E por isso eu vim
Olhe ao lado os lampiões já se apagaram em respeito ao novo dia
Ele começa quando cada um decide acreditar
Confie em você
Não tenha medo dos temporais agora já sabe
Refaça cada passo e fique atento as inúmeras oportunidades que surgem
Em cada abençoado amanhecer

E o vento delicadamente
Como se usasse as próprias mãos
Me põe de volta ao chão
As folhas molhadas do orvalho que me acompanha
Me trazem na memória o conforto das nuvens
E a certeza de que depende exclusivamente de mim
Chegar a ser ao menos um pequeno grão de mostarda
Deus abençoe a cada um de nós

Carlos Correa

https://www.youtube.com/watch?v=0b3rzv4TwWE

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Na direção da noite

Olhar na direção da noite
Traz paisagens e conceitos divergentes
Um quadro negro desenhado de astros ao acaso da matéria
Ou quem sabe levantando o véu
O turbilhão de estrelas do que eu acredito
Ser a verdadeira realidade que nos aguarda
Um movimento de energia que por mais que pareça desorganizado
Caminha em curso de instantes distintos com um só objetivo

Crenças e decisões podem variar
De acordo com os sonhos e o livre arbítrio de cada um
Mas independente do que acreditamos
Temos a obrigação de respeitar os que dividem este espaço conosco
E é tão difícil nos despirmos de todo esse orgulho e egoísmo
Que nos leva a ferir até mesmo quem dizemos amar

O que sobra então aos inimigos?
Aqueles que fazem questão de mostrar que sabem
Onde está o nosso centro da dor
E devolvemos com o ego arroxeado e vitimado as agressões
Em palavras, gestos e ironias

Não, dar a outra face não significa
Que devemos andar de braços dados
Com quem não temos afinidade ( ainda)
Dar a outra face revela de forma brilhante
Que em nada útil se reverte a vingança
Pior ainda a calculada revanche
A dor que me foi causada é só minha
E não deve ser devolvida

Se entendêssemos que a vítima de hoje foi o algoz de ontem
Que o verdugo do dia anterior é o que hoje chora
Talvez assim fosse mais fácil entender
E ninguém me convencerá que violência não gera violência
O perdão é muito mais afiado e eficiente que qualquer fio de espada

Aprendamos a ser humildes
Conheçamos qual é o nosso papel em meio ao turbilhão
Porque certamente temos um
E peço a Deus que mantenha nosso olhar aberto na direção da noite
Rogo mais, imploro que nos mantenha fortes no caminho até ela

Mas de nada valem palavras enquanto um conjunto de letras
Elas apenas serão realmente sinceras inspirando o sopro da vida
Quando transformadas em atitudes
E aí sim a poesia do que somos preencherá a madrugada
Apontemos a nossa mais rigorosa crítica
Na direção de nossa própria luz

Sejamos poetas então....

Carlos Correa

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Inspiração

Há um momento que o coração para
Não conseguimos mais trazer de fora
E naqueles milésimos que antecedem
Não entendemos como ali chegamos

Cada um de nós chega neste palco
Trazendo objetivos planos e anseios
Dores culpas pedras a serem partidas
Quando aqui chegamos esses nomes
São redesenhados agora chamam-se

Sonhos

Mas trazemos também
Um certo grau de loucura
Cada um com a sua própria
Frutos de insistentes erros
Insanidades cantadas em refrão

Descuidamos esquecemos
E ali está ele disfarçado
A mágoa incentivada e regada
Ganha força pede bis
O ódio assume a canção

Aqueles ramos de loucura crescem
Desequilibrados agora pelo efeito
Sem direito e sem cartilha
E o que resta a partir fica pela insônia

Na vida não há mais Poesia
Sequer lembra-se que um dia ali esteve
Uma pessoa sadia deixou-se levar sem resistência
Talvez reste apenas a ausência já não importa
Como machuca a solidão

Que fiquem os sorrisos esquecidos atrás da porta
Antes do adeus não haverá qualquer festa
E fica na lembrança a vitória do ódio e da descrença
O bilhete premiado sem ruídos e sem vento
E você morre de fato um pedacinho a cada dia

E dói...

Mas há um momento que o coração quase para
Já não são suficientes as respostas fabricadas
Desejamos mais desejamos entender
Desejamos viver um pouco mais a cada dia

E em resposta o que encontramos?
Um sol atrás do outro e recebemos mais golpes
Firmes e repetidos incessantes

E um dia despertamos
Cada golpe cada ferimento chama-se agora conselho
Na verdade um presente que vem ali do outro lado
Para cada um de nossa gente

E o recado é urgente: Respirem


Redefinam prioridades
Lembre-se do que são feitos seus sonhos
Não iremos a lugar algum
Não enquanto insistirmos em não ver
Enquanto não entendermos
Que por trás do verdugo há uma flor
Que sem perdão não encontraremos o amor

Permitam-se por favor serem abraçados
Seu coração não tem de ser vazio
Permitam-se cantar permitam-se ser amados
Deixem de lado o compromisso assumido
Com o medo e com o orgulho
Baixem a guarda nunca estiveram sozinhos
Emocionem-se e namorem!!!!!

Há um momento que o coração para
Não conseguimos mais trazer de fora
E naqueles milésimos que antecedem
Podemos olhar ao alto fechar os olhos
E sorrir
Estamos voltando para casa...

Fiquem com Deus

Carlos Correa

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O Piano e as Estrelas

Não foram poucas as vezes que desejei voar
Que tentei mudar ser o que não era de verdade
Fugir do que não era minha raiz e sorrir
Ignorar minha própria sensibilidade

E foi o piano que ajudou-me
Foi o piano azul que ajudou a reconstruir-me

Existe um anseio quase uma certeza
Mesmo que me chamem de teimoso ou insano
Sei que por debaixo dos restos
Existem sorrisos existe o amor como eu o imagino

Por que não posso sonhar com a simplicidade?
Será mesmo necessário o luxo das gargantilhas douradas?
Chamem-me de louco por refletir insanidades
Mas não me acusem de não reconhecer o amor

Estas teclas reacenderam as velas reacenderam os sonhos
As chamas que sempre fizeram vivo meu coração
E talvez novas lágrimas mas ainda assim é sobre essa areia
Sobre essa areia molhada que consigo caminhar sem cair

Mesmo que nunca a canção seja composta por um dueto
O que importa?
Por isso existem o piano e as estrelas

Caminho de volta por essa antiga estrada
Posso ouvir os velhos grilos falantes
A doce canção das corujas
Até encontrar a velha ponte de tijolos amarelos

Pensei em deixar a canção de lado não poderia
Desisti então apenas de juntar letra e melodia

Queria ter o poder de fazer você dançar
Fazer vibrar as asas de seus olhos
Talvez isso fizesse os meus mudar de cor ou de dor
Não lembro mais as palavras quanto mais do ritmo
Não posso mesmo mais cantar
Perdoe-me as luzes se apagaram
O Vento meu amigo vento se calou

Permitam-me estrelas que me ausente um pouco
Não mais do que até amanhecer sem ceder
Tentar orquestrar esses novos dias frios e secos
Permitam-me estrelas retornar sozinho
Ao escuro de meu quarto procurando em mim

A luz que preciso para seguir
Para que eu faça sorrir
Para que eu faça sonhar
Para que eu ajude a conseguir
Que tenha a capacidade de fazer amar

Quanto a mim nessa meia noite
Que eu posso voltar a cantar
Que eu tenha meu mundo
Porque eu não preciso de mais

Que eu tenha o amor
O sorriso da velha criança
Estampado em minha dor
Fiquem com Deus.

Carlos Correa

https://www.youtube.com/watch?v=LbsGxZc1ic4

Saiba mais…

Meu amigo Mr. Blue

Aí você vai dizer com olhar estranho que papo é esse?
Tem um monte de nuvens sobre nossas cabeças

O céu azul não está lá em cima
Então não adianta levantar os olhos
Olhe ao seu ao nosso redor até os girassóis
Vieram em comissão olhe para seu coração!

Eu quero apenas que você sorria
Me deixe te apresentar meu amigo Mr. Blue
Deixe ele despertar em você a alegria
Se algo saiu errado não vale a pena desistir continue!!!

Fiquem com Deus Quer saber?
Inspira fundo e sorriaaaaaaaaa

Carlos Correa

https://www.youtube.com/watch?v=G8dsvclf3Tk

Saiba mais…

De volta ao piano

Aqui estou então
Onde pediu que estivesse
Você sabe que não me sinto bem aqui, não sabe?
Ao menos não como antes
E qual o motivo dessas flores sobre ele?

Não eu não preciso estar aqui por que deveria?
As teclas não são mais sensíveis aos meus dedos
E nem eles à elas sem sentido
Não há mais espaço para canções de amor

Precisa ativar suas memórias
Relembrar que foi exatamente aí
O local onde atendeu ao chamado do vento
Foi exatamente aí que prometeu aprender a voar

Não compreendo ainda essas palavras soltas no ar
Acredito que outros também não
Assim como aconteceu com as flores
O piano secou parece você não entender

As flores secam em três situações
Quando da terra são retiradas à força
Quando não são regadas
Ao chegar seu tempo de voltar a ser terra

Em qual delas se encaixa?

Mas aprendi que para minhas flores não secarem
Teria de regar o jardim do vizinho
E aprendeu bem
Mas como regará as dele se as suas secarem?

Seu canteiro sua responsabilidade
Terá de molhar o deles sem esquecer do seu
Ainda que seja com suas lágrimas

E qual a relação disso com o piano à minha frente?
Porque traz de volta as teclas até mim?

Sua inocência me faz sorrir
Mas também traz-me impaciência
Também tenho que aprender parece
Te agradeço por essa oportunidade

Seu canteiro é o piano
O regador as teclas
As flores suas canções de amor

Mas eu não lembro mais como fazê-lo
Isso que faço não é uma canção!
Como não?
A voz do Homem ao levar palavras de força
De esperança de conforto e Fé
Essa voz sempre será uma canção de amor

Preste atenção tape os ouvidos e ouça
Cada um deverá amar o jardim dos vizinhos
Isso é básico um papel semelhante para todos
Cada um tem esse dever apesar de não o saber

Agora para regar o próprio terreno
Fazer com que cresçam suas próprias flores
E que as novas sementes sigam ao critério do vento
Cada um se utiliza de instrumentos diferentes
Ainda que temporariamente adormecidos

Levo você de volta ao piano
Quem sabe para entender que sofrer por sofrer
Não cria música não há vocal não há melodia
Transformar sofrimento em algo útil
Está aí a canção consegue ouvir?

Perdoar meus queridos é perceber onde falhamos
Em permitir que alguém tenha nos ferido
Nossa dor só irá aumentar
Enquanto aos outros continuarmos a culpar

Agora comece a teclar
Atendeu ao chamado do vento
Então comece de uma vez a canção
Aprenda logo a voar

Fiquem com Deus
Nos vemos em breve

https://www.youtube.com/watch?v=jzjOu4Pz5UM

Carlos Correa

Saiba mais…

...de um doce sopro

Ah esse sopro que suaviza minha face
O carinho do instrumento que molha meu rosto
Transforma-o em estrada sinuosa que me escapa
E me perco nas curvas da canção do ontem
Que me lembra do fruto ainda amargo que sou

Abençoadas árvores símbolo da vida encarnada
Diferentes frutos vindos de diferentes galhos
Momentos que aqui chamamos segundos
Que ao se encher de eternidade tornam-se poeira

Alguns adocicados e coloridos
Outros ainda apodrecidos
Mas ao cair na terra da misericórdia divina
Ressurgem-se em novas sementes

E um novo fruto renasce em um ciclo que se repete
Quase eternamente como a canção que não se cala
Até que sobre o mel do orvalho amanhecem doces
Levando à terra sementes de uma nova árvore
... que agora se chama amor

Carlos Correa

Saiba mais…

Pequenas coisas

A cada dia desde o momento em que me levanto
Até o instante que reencontro-me com os sonhos
Procuro nas pequenas coisas os versos do que canto
Em uma poça ou na lágrima escondida é assim que componho

Não não que eu faça ideia do que é ser compositor por favor
Mas quando eu fecho os olhos e sinto o sabor de uma canção
Me aproximo das letras que são inspiradas ao meu coração
E num suspiro deixo que venham quem sabe assim acreditem no amor

Fiquem com Deus e um ótimo fim de semana

Carlos Correa

Saiba mais…

Rosa Cigana

Mas a estrela da madrugada insiste
Em cantar-me por campos e florestas
Trilhas por onde tão somente ela
Tem a sensibilidade diria até perseverança
De acreditar que conseguiria reencontrar

Então os velhos girassóis sorridentes
Na aventura de olhar em outra direção
Ansiosos como se aguardassem uma canção
Arrastam-me até onde consigo
Ouvir o som da queda d’água
Levando de mim distrações e medos

Seguimos por tornadas e espirais
Como se a vida mostrasse quantas voltas
Devem ser dadas na longa jornada
De se chegar a algum lugar
Ao seu lugar, à sua terra

Ao encontrar a fogueira, as flores
Soltam meus braços num rítmico
Abrir e fechar de suas coroas
Balbuciando no movimento
O que já estava em meu pensamento

Então chamo o vento e a antiga magia
Acorda a natureza morta
Os girassóis já sabiam
E por isso se engrandecem encantados

E do fogo ilumina-se a canção
Optchá!
Os troncos que alimentam as brasas
Se realinham num grande tablado e
Ao redor da chama
Quatro flamas agora dançam

Os longos vestidos avermelhados
Enaltecem suas formas
Que evaporam o calor apaixonado de seus corpos
O sapateado invade a vida
E os girassóis batem palmas

No movimento de punhos e mãos
Hipnotiza-se em magia única
Da madeira o som da alegria
E em algum tempo esquecido, do feiticeiro
Escapa um suspiro vestido de sorriso

E ao final da canção
As quatro flamas se unem à semente
Apaga-se o fogo, a madeira vira cinza
E no que foi palco da dança
...uma rosa ...

Deus vá com você.

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Ousadia

Sabe por vezes tantas vezes vejo a rebeldia
Tento tento mesmo ficar em silêncio pensar
A voz do piano minha serenada e fiel companhia
Silencia as teclas e até ele começa a dançar

Eu não sei de onde vem essa mania de acreditar
De olhar a tempestade e dela compartilhar energia
De ter a certeza de que é preciso olhar para si e confiar
E que num mundo que chora e se esconde sorrir é ousadia

Então quer saber vou me permitir me rebelar
Vou levantar e ser o álibi de minha própria poesia
Agradecer ao Pai dizer à Ele conte comigo seja noite seja dia
Em qualquer hora em qualquer lugar a lição será sempre amar

Fiquem com Deus

Carlos Correa

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