Fechando as contas da semana

     Fechando as contas da semana


       J. A. Medeiros da Luz

 

     Não há (enfim constato) como negar:

     Passado o zeramento de detalhes,

     Os quais inexoravelmente nos impingem,

     Na soalheira da manhã, mil rutilâncias,

     Vêm os claros-escuros do entardecer,

     Que nos revelam a beleza do relevo

     De nossos desfiladeiros existenciais

     E o facetamento brilhoso

     — A refletir lampejos tênues das estrelas —

     Das elusivas gemas do bem-querer.

 
       Pois é quando me congratulo por uns calmos

     Versos, em que pese seu marchar canhestro,

     A emular marolas espumarentas,

     Nesta fase do pacificar de antigos vagalhões,

     Titânicos, terríficos,

     Que exigiam leme firme — e olhos enxutos —, lá

     Naqueloutras quadras primeiras de dias estivais.

 
      E assim seguimos, intimoratos,

     Por mares plácidos (por vezes já encastelados),

     A pilotar catamarãs de éter, fantasmagorias,

     Com a fleugma do caboclo das cochilhas,

     A sorver, pensabundo e aprumado,

     Sua cuia do amargo chimarrão;

     Entre os estrídulos dos grilos, intérminos

     Naquelas noites umbrosas, umbrosas

     E quietas do galpão.

  

 

Ouro Preto, 04 de setembro de 2026.

[Comentos também podem ser dirigidos a: jaurelio@ufop.edu.br; © J. A. M. Luz]

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J. A. M. da Luz

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Comentários

  • Prezado Poeta J.A. Medeiros da Luz…

    Segue uma breve e resumida avaliação literária de sua preciosa poesia “ Fechando as contas da Semana” 

    Os versos traduzem uma reflexão Poética da Vida e do Tempo.

    Entre vagalhões, marolas e marés plácidos, transforma experiências vividas em reflexão e serenidade..

    A poesia tem uma linguagem sofisticada, mas preserva a emoção de quem aprendeu a navegar pelos próprios conflitos.

    Destaco o belo verso: “De nossos desfiladeiros existenciais”.

    Uma imagem forte das quedas, alturas e caminhos difíceis que atravessamos na vida.

    Ao final, fica a sensação de maturidade: depois das tempestades, quando aprendemos a conduzir melhor o nosso próprio destino.

    Nossos abraços fraternos e seja bem-vindo aqui no CPP com suas Poesias Cultas, suas digitais poéticas, o que engrandece está casa e o prazer em ler-te.

    De Antonio Domingos 

     

     

  • Pessoal,

    O monotematismo tem suas vantagens: o escrevinhador abdica de altos coeficientes de originalidade; o martelar das mesmas teclas facilita o andamento melódico do xilofone literário. Tenho estado afinal um tanto monotemático (além do caráter bissexto), embora com as barbas de molho para evitarmos o descoroçoamento nesta caminhada que carece, para ser fruída em seus merecimentos, antes de tudo, de entusiasmo.

    Sem embargo, convém se ter na cachola que os extasiantes campos de lavanda, intermináveis no percorrer da vista, são somente uma parcela da paisagem; há também capoeirões, plenos de espinheiros, capim navalha e cipós-arranha-gatos. E trechos áridos e desnudos. Contudo, todos, em sendo considerados sem viés, têm lá sua beleza e valor.

    E assim vamos seguindo, até que a hora nos soe...

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