Folha
Como estrada em contramão,
a seiva mudou o curso,
e, do verde quase neon,
a sede chamou o marrom.
Presa ao galho,
firme contra o vento,
no peso da leveza flutuava em paz,
guardando o segredo de não cair.
A vida ainda a sustentava.
Mas já folha seca cede ao sopro.
Tantos ventos a quiseram levar,
e chegou o instante
em que o vento venceu.
Cai na corredeira.
E a última seiva se junta ao rio,
com tantas outras folhas
que o outono fez mergulhar.
Mas nenhuma dessas folhas
sabe de onde veio o seu cair.
Colheu do sol seu tempo;
esperou pelas flores
que nunca veria chegar.
E aquele amor primeiro,
que julgou ser para sempre,
desfez-se em folha na correnteza.
Sem lágrimas.
MHermes.
Comentários
Mauricio
somos folhas passageira
mas enquanto estivermos aqui vamos caminhando
e enfrentado velhos desafios e novos desafios
um versar reflexivo
um abraço
Saudações das Sagas! Mui bem elaborado! Bravo!
Ave, poeta! Li, atentamente o teu poema. Parabéns, 1 ab
Parabéns prezado Poeta Maurício por Belo trabalho poético…
A vossa poesia Folha transforma o ciclo de uma folha em METÁFORA sensível da existência.
A passagem do verde ao marrom representa o tempo, o desgaste e as inevitáveis mudanças da vida.
A queda não surge como derrota, mas como entrega natural ao movimento do mundo.
A corredeira simboliza o destino que reúne histórias diferentes num mesmo percurso.
O amor perdido acrescenta melancolia, mas isto é poesia de excelência.
O final, “Sem lágrimas”, encerra o poema com sobriedade: há despedidas que acontecem em silêncio.
Verso destacado:
“Colheu do sol seu tempo;”
Verso simples e expressivo:
sugere que cada existência recebe da vida a sua medida de luz antes de seguir o curso inevitável do tempo.
" Mas nenhuma dessas folhas sabe de onde veio o seu cair" muito especial este verso e tudo haver com o tema desenvolvido..
Nossos abraços fraternos de Fernanda e Antonio Domingos
Fernanda Ferreira…