O Poema que Virou Pó

Poema que, na beira da estrada,
pede carona para qualquer lugar.
Para onde quer que vá, não dará em nada,
porque este poema não sabe falar.

Enquanto o dedo apontado espera
e a primavera passa lenta,
o poema se espanta e se apimenta
na tonalidade das gérberas amarelas.

E na doce magia azul
de um céu que se incendeia em paixão,
há o brilho da noite de lua,
olho que flutua no céu e no coração.
A brisa suave que vem da rua,
e o poema se enche de emoção.

E assim, o poema que nada pode dizer,
no esplendor da utopia,
vive, mesmo sem falar, para ver.
Mas quando chegar o dia,
logo após o outono,
e ao fechar-se o paletó,
o inverno estará às bordas do seu sono
e restará do poema apenas o pó.

Alexandre Montalan

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Alexandre

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Comentários

  • Parabéns.,Alexandre!

    Abraço

  • Caro Alexandre:

    Um poeta inspirado nas vertentes de um criador de versos.

    Parabéns

    Belo poema

    Abraços

  • Extraordinariamente belo Alexandre, parabéns! #JoaoCarreiraPoeta.

  • Intrigante mesmo, como li no comentário abaixo.

    O poema não fala, mas vive, se emociona, 

    no aguardo do fim do outono, no aguardo do nada... 

    Meus parabéns. Nota dez esse poema.

  • Gestores

    Intrigante poema.

    Versos recheados de sentimentos e vivências.

  • Ao final de nosso tempo teremos de partir para o desconhecido,

    Suas correlações com a natureza se faz uma inspiração de valores 

    Mas, 

    O que produzimos estará aqui na terra como um legado que muitos pode usufruir..As Poesias estarão sempre vivas como um valioso legado.

    Quem morreu e parte não leva nada,

    Mas, a frase, " Vai fazer falta" é verdadeira e o legado deixado é verdadeiro.

    Parabéns Prezado Poeta Alexandre Montalvan por lindas reflexões em versos e Poesia 

    ADomingos 

  • Parabéns pela inspiração!

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