
Esvoaçam as notas musicais harpejadas pelo vento.
Na cumeeira, felinos copulam grunhindo guturalmente .
Não há vestígios de notívagos projetando sombra nas calçadas,
a noite é um mistério contínuo:
sabe-se lá quantos loucos desapaixonados escoam sob a luz!
Fiapos de crespos algodões encobrem a lua
mantendo, por instantes, as estrelas órfãs.
O cepo onde ancoram meus sonhos,
está carcomido pelo sabre do tempo - balouçam à deriva,
nas águas ondeantes e estrepitosas do mar.
A muralha rente ao cais está borrifada de luar,
mensagens de amor grafitadas pelos poetas anônimos.
Sou um mero viajante da noite, respiro o odor das campânulas anãs
lilases que vicejam no vaso do peitoril da janela,
meus pensamentos tonificam as abas de seus sinos
e o som metálico de címbalos tremula sobre minha cabeça
e se desfaz em pleno espaço,
emitindo centelhas de uma explosão estelar.
O muito de mim parte-se em átomos
e eu me exponho, diminuto, à feracidade noturna.
Rui Paiva
Comentários
Rui, amei teu poema grandemente pela imagem poética
que ele nos transmite, palavras que nos dão a dimensão
da tua competência poética e rica inspiração! Bjs.
Rui, amei teu poema grandemente pela imagem poética
que ele nos transmite, palavras que nos dão a dimensão
da tua competência poética e rica inspiração! Bjs.
Sempre inspirado, sempre escrevendo como um pintor que desenha com belas palavras o poema na tela em que leio! Lindo!
Lírico poema! Um deleite para quem passou por aqui. Quando me encontro com algo assim, tão lindo, costumo dizer que foi um momento subliminar do poeta com a poesia.
Meus aplausos Rui.
Destacado!
Sentidos aflorado onde os atos se a semelham aos belos acontecimentos onde as sombras se refletem
José Carlos Ribeiro
Hummmmmmmmm ....Caraca! Que noite hein menestrel Rui Paiva? Fala a verdade aí, assume que na cumeeira, felinos copulam grunhindo guturalmente? Meu amigo querido , falar nem é preciso, não é mesmo?
Nossa! Que noite Hein... Sempre perfeccionista nos escritos. Parabéns!
A noite é tão bela que, mergulhamos em sua feroz escuridão e nos partimos em átomos de poesia. Magníficos versos, Rui! Bjs
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