A cura de muitas doenças da humanidade não está apenas nos médicos, nem somente na ciência ou nas mãos humanas. Está em um lugar mais profundo, silencioso e muitas vezes ignorado: Está no perdão.
Há dores que nenhum exame detecta, feridas que nenhum remédio alcança. Elas nascem da mágoa guardada, do ressentimento cultivado ao longo dos anos, das palavras não ditas e das lágrimas retidas. O corpo fala aquilo que a alma não consegue decifrar ou curar. E, quando o coração se fecha no ódio ou na revolta, o sofrimento encontra morada dentro de nós.
Sabemos que os médicos são instrumentos valiosos, a medicina é um dom necessário, mas há enfermidades que não se rendem aos tratamentos porque sua raiz não é física. São dores da alma. E a alma só encontra alívio quando aprende a soltar o peso que carrega. Perdoar não é justificar o mal, nem apagar o passado. Perdoar é libertar-se dele.
O perdão é um remédio amargo no início, mas ele pode nos trazer curas com o tempo. Ele não muda o que aconteceu, mas transforma aquilo que causa o mal dentro de nós. Quando perdoamos, não curamos apenas o outro, mas curamos também a nós mesmos. O coração se torna mais leve, a mente encontra descanso, e o corpo, finalmente, começa a respirar paz.
Muitas doenças persistem porque o perdão foi adiado. Muitas dores se prolongam porque a alma continua presa àquilo que já deveria ter sido deixado para trás. A verdadeira cura começa quando entendemos que segurar a mágoa nos adoece, e soltar é um ato de amor próprio.
Por isso, a cura de muitas doenças da humanidade não está só nos hospitais, nem apenas na capacidade humana de tratar sintomas. Ela nasce quando escolhemos perdoar, quando deixamos Deus tocar onde ninguém mais alcança, e quando permitimos que o amor seja maior do que a dor.
Igor Rodrigues Santos
