Posts de Nelson de Medeiros (218)

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DESEJO QUE FICOU

 

 

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Senti-la frente a frente,
beijar a sua mão,
ouvir seu coração,
um dia eu quis somente!

Ardor febril, premente,
sufocando-me, então,
prendendo a minha emoção
num sonho irreverente!

E doei-me ao intento,
qual fosse, com o vento,
abraçar uma estrela!

Só que um fado me olhava,
e, jogando-me a clava,
impediu-me de tê-la!

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PESADÊLO

 

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O bardo viu, no auge da ansiedade,
a face humana, toda a descoberto!
E viu as cores do orgulho e vaidade,
pintadas, sem pudor, a céu aberto!

Prenhe de horror, em quase insanidade,
sentiu, com asco a podridão de perto!
E teve, então, uma infrene vontade
de, enfim, fugir daquele povo incerto!

Mas, fugir pra onde? Como não ver
aquela turba, sem fé, desumana?
E, estarrecido buscou se esconder!

Não pôde; a malta é torpe, é só rudeza,
e nada enxerga; só sente o que emana
do próprio orgulho e da própria vileza!

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MENOS VINTE

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Se menos vinte anos me fosse dado,
se o teu tempo por um sortilégio,
sem ação consumada em sacrilégio,
viesse a ser no meu incorporado;

se Cronos, deus do presente e passado
quisesse, agora, em raro privilégio,
retrocedê-lo em doce florilégio,
e estacionasse os tempos num só lado,

eu vibraria qual um violino
embriagando-te, qual vinho fino,
no meu festim de amor e de desejo!

Porém sem tempo, e já sem esperança,
me resta só, bela e doce criança,
versejar a saudade do teu beijo! 

iMAGEM: Praia de Marataizes/ES - acervo próprio

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INCOERÊNCIA

 

 

 

 

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Das emoções que temos nesta vida,
vejo a paixão como um cruel senhor;
é infeliz quem o tem por feitor,
pois em senzala sofre sem guarida!

já não lhe dou mais qualquer acolhida,
e nem escravo sou deste mentor;
paixão é terra de amor traidor,
e, que governa a mente ensandecida!

Agora, já sou dela alforriado,
de todo sofrimento libertado,
pois conheci o lado da razão!

Mas, mesmo tendo a lógica na mente,
às vezes penso, muito incoerente,
na saudade que eu sinto da paixão!

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ILUSÃO E FORMOSURA

 

 

 

 

 

 

 

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ILUSÃO E FORMOSURA

Faz algum tempo já, Musa deste soneto,
que a tua beleza em rimas eu exaltava;
todo o meu canto, para ti, se encaminhava
desde o quarteto primeiro ao final terceto!

Eras então, para o poeta, um minueto
em cujas notas, sublimes, o amor bailava;
e deste amor, que o trovador te consagrava,
nasciam liras de cantatas em concerto!

É, porém, insensata a paixão, que arrebata,
que vê somente do corpo a arquitetura,
e nunca enxerga, dentro d’alma, a insanidade!

Mas por que o vate lembra, ainda, esta loucura,
se a sua Musa sempre fora, na verdade,
uma ilusão, reencarnada em formosura?

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OS LÁBIOS DELA

 

 

 

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Num diário, guardando juventude,
eu encontrei, já roto e esmaecido,
a foto dela, em toda a plenitude,
e me lembrei dum tempo já vivido!

Revi a pele branca, em seu desnude,
donde exalava o cheiro da libido!
O seu corpo, por artista esculpido,
expelia desejo, em plenitude!

Li confissões, em meus velhos escritos,
daquele amor, que se foi sem razão,
e até conselhos, que me foram ditos!

E foi assim que, lendo os alfarrábios,
recordei o passado, quando, então,
de paixão, me perdi naqueles lábios!

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JOGO PERDIDO

 

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Não sei por que inda jogas comigo;
tuas perfídias perderam a eficácia,
pois o teu jogo, já sem perspicácia,
não vencerá, de novo, o que eu abrigo!

Errastes teus lances com contumácia;
por isso, agora, sem medo, eu te digo:
Um movimento de alto perigo
fez-me entender teu jogo de falácia!

Dizes então que perdestes a vida,
pois te apliquei, sem dó, um xeque-mate!
Não! Num só lance, arruinaste a partida!

Tua estratégia foi fora de linha,
foste sem tato no teu arremate,
razão por que, agora, jogas sozinha!

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A POESIA

 

 

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A POESIA *


Queres saber o que é poesia...
Definir poesia é explicar da vida a simplicidade, do amor a nostalgia...
Definir poesia é dizer o que seria o mundo se se pudesse dar guarida a todo sentimento sincero, espontâneo e puro...
Poesia, no fundo, eu te juro, é a pura sensibilidade na alma escondida,
é a saudade no mais requintado apuro, da dor de uma ilusão perdida!
Poesia é uma estrela brilhando no céu de um coração impuro...


Poesia é tudo. O rio que passa cantando,
a cascata carícias sussurrando,
tudo, enfim, que a natureza revela...
A chuva batendo na janela, um par de rolas se amando,
a banda no coreto tocando,
o sonho que a criança anela...


Poesia é muito mais do que imagina
teu róseo coração de menina...
Não é só amor, nem só paixão,
muito menos só desejo...
Poesia é d’alma aquele ensejo,
de ver tudo com emoção!


É sentir em suave encanto, o brilho do sol, o perfume da flor!
É viver sonhando em doce encanto, exaltando o real e puro amor...
Poesia é a manhã orvalhada, a primavera perfumada, a lua prateando a imensidão!
É o sol em seu último lampejo,
amortalhando a solidão em que me vejo,
na noite deste céu sem dimensão!


Poesia é, por exemplo,
um hino cantado no templo,
em prece augusta de Paz...
Poesia- tenha n! alma esta certeza:
É a própria natureza, que em sua imensa grandeza,
um pouco de Deus nos traz...

*republicando

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ENIGMA DE UM OLHAR

 

 

 

 

 

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Fitei seus olhos, vi jades em par!
Mas, ai de mim, foi quase insensatez;
tesouro que eu vi, com rara avidez,
e que inda agora me faz deslumbrar!

Brilhava tanto como a luz solar,
que parecia ter sido, talvez,
uma harmonia feita em sua tez,
do azul do céu com o verde do mar!

Mas seu olhar envolvia mistério!
Tinha nuanças de uma santa em prece
e, ao mesmo tempo, de amor deletério!

Dela, porém, ficou-me a nostalgia:
Daquele olhar que minha alma entorpece,
e da paixão que eu vivi naquele dia!

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MAL SEM CURA

 

 

 

 

 

 

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MAL SEM CURA

Não pode ser, – eu penso, – isto é loucura,
é sonho apenas, me diz a esperança!
Devo acordar, – a razão me afiança,
mas, eu vigilo ou durmo, em desventura?

Sou morto-vivo, neste mal sem cura,
espectro da dor, que a tudo alcança!
No mundo, tudo vai, e tudo avança,
só este amor, em minha alma, perdura!

Ele dorme entre a insânia e a sanidade,
e, quando acordo, eu só trago a saudade
daquela moça, de doçura infinda!

Porém, não sei sair deste sofrer,
pois, sempre que dela eu quero esquecer,
sua lembrança vem mais forte ainda!

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AMOR VERDADEIRO

 

 

 

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Conheci muitos amores,
muitas damas e donzelas!
Tive muitos dissabores,
neste mundo de mazelas!

Das damas tive favores,
e das moças esperanças!
Naquelas deixei pudores,
e nestas muitas lembranças!

Hoje, no outono dos anos,
revivendo os desenganos,
lembro até do amor primeiro!

De nenhum sinto saudade,
pois percebo na verdade,
que não tive o verdadeiro!

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CÓPIA FIEL

 

 

 

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Sozinho em meu quarto, e do mundo alheio,
ouvindo e vendo artista verdadeira,
vi o sorriso da moça faceira,
que fora um dia todo o meu enleio!

Mas um poeta de escol anda à beira
do inatingível, e do devaneio;
por isso canta, sem pejo ou receio,
a sua vida em forma condoreira...

Porém, não fora aquilo uma utopia,
fora real, e, olhando a musicista,
vi a paixão abraçada em meus braços!

A nostalgia turvou minha vista,
pois que, no rosto dela, eu quase via
o meu primeiro amor naqueles traços!

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BANZO

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A minha dor, dizes, é hipocrisia,
é só lembrança dum beijo roubado;
negas até, que eu já tenha te amado,
e que versá-la é quase uma heresia!

Teu sentimento soa a ironia,
pois irreal é o que tens me falado;
a nostalgia, que eu verso inspirado,
é lira real, e não fantasia!

É mesmo banzo o que, cá dentro eu sinto,
e não arroubo dum beijo de instinto,
que te roubei num momento incontido!

A dor que eu sinto é da tua ausência,
é a saudade daquela vivência,
que agora eu canto em soneto sofrido!

 

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MULHER

 

 

 

 

 

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MULHER

 

Ah! Como são formosas todas as mulheres,
e que prendadas elas são em seus misteres!
Ela foi, em toda a criação, a obra-prima,
dádiva maior que nos deu a mão Divina!

E se alguém disser que nem todas são formosas,
que existem feias, magras, gordas ou idosas,
direi que, por certo, este alguém não teve a sina
de ter mãe, esposa, uma filha pequenina!

Mulher é paz, é sacrifício, é singeleza,
é destemor, é humildade e até pureza,
poder inato de outro ser dar acolhida!

E assim pensando e vendo tudo neste mundo,
tenho a certeza que este ser de amor profundo
é benção de luz que nos deu o Céu na vida!

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ARCANO

 

 

 

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Guardo comigo o arcano deste pranto,
bem num cantinho de minha razão!
E no batel que vaga em solidão,
vou navegando em mar de desencanto!

Lírico amor, emergido do encanto,
que então senti, tocando aquela mão!
Foi testemunha da minha emoção,
a lua branca no estrelado manto!

Mas, é preciso manter tal segredo,
como se fosse uma cena de enredo
de um bom roteiro que não foi escrito!

Por isso, então, o levarei comigo,
pra revelar, um dia, em novo abrigo
somente a Deus no alto do infinito!

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LEI TERRENA

 

 

 

 

13508055257?profile=RESIZE_710xSe eu for primeiro que tu desta vida,
não lances culpa a inexistente fado,
e nem concebas o amor acabado,
pois todo amor nas estrelas se abriga!

Não creias que por mim foste esquecida,
já que a jornada feita lado a lado,
esteve sempre c! o bem alinhado
e foi por poucos assim percorrida!

Quando eu partir para nova morada,
e tu quedares triste e amargurada,
não pense que é sem volta esta partida,

pois voltaremos a esta mesma arena,
pra reviver, mas sob a Lei Terrena,
toda a paixão que hoje é proibida!

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SERRA AZULADA

 

 

 

 

 

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Recluso, avisto ao longe a cordilheira,
e as azuladas serras no horizonte...
A paisagem é deveras deslumbrante,
e então divago de minha trincheira!

Há quanto tempo a cena é companheira
do trovador, eterno figurante
da vida, que pranteia neste instante,
ao recordar-se da moça rancheira?

Onde andará a jovem singular,
cujo perfume inda evola no ar,
e que do vate fora a amante amada?

Não sei. Só sei que uma saudade boa,
daquele amor fagueiro, ainda ressoa
nas redondezas da serra azulada!

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CORREÇÃO DEVIDA

 

 

 

 

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CORREÇÃO DEVIDA

Entendo bem a lei de causa e efeito
e a recorrência de minha existência!
Ela me explica a razão e a essência
das amarguras que eu trago em meu peito!

Com singular e rara transparência,
percebo os vícios de meu imperfeito,
e tento, então, sem pejo ou preconceito,
mudar o rumo da minha vivência!

Por isso sigo tal ideologia,
porque é nela que minha! alma se fia
para entender a dor da correção!

Tal pensamento é hino de esperança,
para vê-la uma vez sem tardança,
em qualquer vida ou qualquer dimensão!

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AQUELE OLHAR

 

 

 

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Eu me propus compor a melodia
daquele olhar que adorna o rosto dela!
Sobre a tristeza eu nada cantaria,
como entoam os versos de Florbela!

Mas, de Camões, as liras de magia
e de amor, é certo que estariam nela!
Seria então a rica poesia
que eu criaria e entregaria a ela,

pois quando o vi, eu vi naquele instante,
um paraíso azul alucinante
que me levou a imaginar até

que o olhar fosse um quadro doutra era,
pintado por um mestre doutra esfera,
de tão formoso e sensual que é!

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PARTIDA SEM VOLTA

 

 

 

 

 

 

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PARTIDA SEM VOLTA

Eu bem me lembro do raio estrelado,
que vi passar no início da jornada!
Tinha o clarão da noite enluarada
e o resplendor d! um dia ensolarado!

Eu nem senti! Passou acelerado,
qual meteoro abrindo a madrugada!
E quando eu vi o ciclo ultrapassado,
eu desejei voltar na caminhada!

Mas, tempo não volta, somente avança,
e, agora então, vivendo esta lembrança
sei que fulgor me atravessou voraz!


Não foi magia e nem misticidade:
Foi de repente a minha mocidade
que chegou e passou assim, fugaz!

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CPP