Faz algum tempo já, Musa deste soneto, que a tua beleza em rimas eu exaltava; todo o meu canto, para ti, se encaminhava desde o quarteto primeiro ao final terceto!
Eras então, para o poeta, um minueto em cujas notas, sublimes, o amor bailava; e deste amor, que o trovador te consagrava, nasciam liras de cantatas em concerto!
É, porém, insensata a paixão, que arrebata, que vê somente do corpo a arquitetura, e nunca enxerga, dentro d’alma, a insanidade!
Mas por que o vate lembra, ainda, esta loucura, se a sua Musa sempre fora, na verdade, uma ilusão, reencarnada em formosura?
Queres saber o que é poesia... Definir poesia é explicar da vida a simplicidade, do amor a nostalgia... Definir poesia é dizer o que seria o mundo se se pudesse dar guarida a todo sentimento sincero, espontâneo e puro... Poesia, no fundo, eu te juro, é a pura sensibilidade na alma escondida, é a saudade no mais requintado apuro, da dor de uma ilusão perdida! Poesia é uma estrela brilhando no céu de um coração impuro...
Poesia é tudo. O rio que passa cantando, a cascata carícias sussurrando, tudo, enfim, que a natureza revela... A chuva batendo na janela, um par de rolas se amando, a banda no coreto tocando, o sonho que a criança anela...
Poesia é muito mais do que imagina teu róseo coração de menina... Não é só amor, nem só paixão, muito menos só desejo... Poesia é d’alma aquele ensejo, de ver tudo com emoção!
É sentir em suave encanto, o brilho do sol, o perfume da flor! É viver sonhando em doce encanto, exaltando o real e puro amor... Poesia é a manhã orvalhada, a primavera perfumada, a lua prateando a imensidão! É o sol em seu último lampejo, amortalhando a solidão em que me vejo, na noite deste céu sem dimensão!
Poesia é, por exemplo, um hino cantado no templo, em prece augusta de Paz... Poesia- tenha n! alma esta certeza: É a própria natureza, que em sua imensa grandeza, um pouco de Deus nos traz...
Não pode ser, – eu penso, – isto é loucura, é sonho apenas, me diz a esperança! Devo acordar, – a razão me afiança, mas, eu vigilo ou durmo, em desventura?
Sou morto-vivo, neste mal sem cura, espectro da dor, que a tudo alcança! No mundo, tudo vai, e tudo avança, só este amor, em minha alma, perdura!
Ele dorme entre a insânia e a sanidade, e, quando acordo, eu só trago a saudade daquela moça, de doçura infinda!
Porém, não sei sair deste sofrer, pois, sempre que dela eu quero esquecer, sua lembrança vem mais forte ainda!
Ah! Como são formosas todas as mulheres, e que prendadas elas são em seus misteres! Ela foi, em toda a criação, a obra-prima, dádiva maior que nos deu a mão Divina!
E se alguém disser que nem todas são formosas, que existem feias, magras, gordas ou idosas, direi que, por certo, este alguém não teve a sina de ter mãe, esposa, uma filha pequenina!
Mulher é paz, é sacrifício, é singeleza, é destemor, é humildade e até pureza, poder inato de outro ser dar acolhida!
E assim pensando e vendo tudo neste mundo, tenho a certeza que este ser de amor profundo é benção de luz que nos deu o Céu na vida!