Posts de Paulo Sérgio Rosseto (414)

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DESAPRUMO

Saio da casa da sala

Do quarto do banho

 

Desaprumo

Caio de cima do muro

Saio por ultimo sem eira

 

Separo-me do teu corpo

Minha meta do teu rumo

Primeiro

 

Embora nem queira  sair

Parto irrequieto

Ofegante

 

Te levo assinada

Na alma sobre a linha

Em duas vias

Uma tua

E outra minha

 

PSRosseto

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DELÍRIO

Quero a flor e a cor da pétala

Cheiro intenso que perfuma a sala

No bulbo do lírio que ainda hiberna

 

Quero o talo verde da seiva

O pólen que a abelha leva

Do filete mundo afora

 

Quero agora ser estame

Teu particular androceu

Ser teu céu e teu encanto

A preguiça que te espalha

Sereno que te orvalha

A palha que preserva teus grãos na relva

Tua selva  e teu jardim

O teu vaso de carpelos

Os germes que lambem teus brotos

Tuas hastes os teus pelos

Densa cera de tuas folhas

Cada cílio de tuas pálpebras

 

E apenas por mera sorte

Ser por um doce orgulho

A ousadia do delírio

Quando prazerosamente

Tua vontade me molha

 

PSRosseto

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PLENO

Ontem a poesia

Esqueceu a minha porta

Vagou torta pela rua

Esnobou

A minha companhia

 

Visitou outras moradas

Alimentou certas paixões

Desencontradas

 

Fez do triste a alegria

Do alegre a nostalgia

 

Encantou enamorados

No sereno olhando a lua

 

Misturou os sentimentos

Revelou certos segredos

Bebeu vinho

Deu rizadas

 

Fez insônias pela madrugada

Enquanto eu pleno de versos

Serenamente dormia

 

PSRosseto

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INSIGNIFICANTE

Ser assim opaco

Ou transparente

Depende da natureza do ser

 

Há quem transcende os limites

Outros ficam aquém

 

Interessante é que ninguém

Por assim ser ou ser assim

Se torne mais

Ou menos

Insignificante

Ainda que sugue a luz

Ou seja intensamente

Brilhante

 

Aos olhos do amor

Todos e tudo

É absoluto e importante

 

PSRosseto

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RABISCOS

Risco no espaço
O contorno liso do teu rosto
O esguio desenho do teu corpo
Oblíquos segmentos que aos poucos
Dão a dimensão da tua imagem
Viva e evidente na memória

Então essa transparente miragem
Procura esconderijo e calma
Aqui dentro de mim

Redimensiona e extasia
Condensa a saudade que aflora
Como misturasse arabescos traços
Borrando ariscos matizes
Em vãos rabiscos
E o coração em mil pedaços

 

PSRosseto

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EQUILIBRIO

Passo passo a passo pela bamba corda

Por onde destemido passeio

Cruzando as linhas das fronteiras

Entre as tuas cordilheiras

Nas curvas destas estradas

Salpicadas de estrelas

Voando por sobre rodas

Rondando batendo asas

Pensando sentir teu cheiro

Banhando nas tuas fontes

Seguindo os teus conselhos

 

Teus pilares sustentam a ponte

Entre meu coração e a mente

Adornas minha morada

Meu peito é a tua casa

Teu lar os meus sentimentos

Da fé que me alimenta

Enfrento os meus tormentos

Sobre as aguas te equilibro

Sou o barco que te navega

A força que te carrega

O alento que nos conforma

Sou teu deus e semelhante

 

Envelhecemos nas mesmas horas

Num mesmo instante renascemos

Somos o tempo que nos transforma

 

PSRosseto

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CHORO

Quando ouvi os cães ladrarem

Acreditei que passaste solta na penumbra

Ganhando o vazio das solitárias ruas

 

Também vaguei por essas mesmas vias

Assim tentado a ir ao teu encontro

 

Já não estavas lá

Nem a tua voz nem teus olhos negros

 

Vencemos as distâncias

Mas a vida mais e mais nos distancia

Choramos sem ter nexo

Enfrentando complexos dilemas

Que nos desafiam

 

Choro em segredo mas sem medo

De chorar

 

Nos vemos ao menos

Nas instâncias inexatas da poesia

 

PSRosseto

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RAZÕES

Razões.

 

Quisera medir o desconforto da tristeza

Mas desconheço a unidade mais exata

Que se aproximasse ao torpor que no peito

Se instalara

 

O volume das razões aprisionadas

Pelo tempo que levara equalizando

Os estragos que essa dor fizera

 

Leia em minha cara as letras tortas

Estampadas pela testa recoberta

 

Impossível mácula desnecessária

Improvável lágrima que chora

 

PSRosseto

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DA SUCESSÃO DOS DIAS

Diariamente o sol nos engana no ocaso

Quando aparentemente diz ir embora dormir

Finge pôr-se atrás do horizonte de cada um

Tingindo o céu de inacreditável dourado

 

Mas ah, não é ele quem se vai, eu quem fico

Sentado ao pé da cama contemplando

Esse paraíso nesse espetáculo particular

Inacreditável e absolutamente mágico

 

Seu eloquente abismo não é queda ou declínio

E sim unicamente do dia um louvável estagio

Que nos toma de lampejo, poesia e fascínio

 

Então se dá esse tempo de absoluta escuridão

Enquanto o planeta gira em seu eixo completo

Conduzindo-nos experientes para um novo clarão

 

PSRosseto

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AO PESCADOR

Não é porque caminhas vago sobre as aguas

Que um dia nelas não possas mergulhar

Explorar as profundezas oceânicas

Entender o fluxo imerso das marés

Onde tramitam as revoltas correntezas

E todas as incertezas castas dos mares.

 

Aprender no vai e vem das brutas ondas

O jeito manso de lamber suas areias

Romper as pedras todas e as fortalezas

E respeitar os frágeis cascos dos veleiros

Singrando mansos ao sabor dos raros ares.

 

Dê piedade aos humildes pescadores

Que tem amor às longínquas águas infinitas

Torna branda a imensidão que os castiga

E que não morram de saudades das paixões

Nem enlouqueçam distantes de suas valsas.

Mergulhe a fé intensa em seus corações

E traga-os vivos aos braços dos seus amores.

 

Amém!

 

PSRosseto

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A XÍCARA

Gole a gole seca a xicara
Do café degustado
Servido à língua
Sorvido pelos lábios
Entre olhares dispersos
Sorrisos e frases amenas
Nas horas pequenas
Entre um movimento e outro

Assim consumado
Restam vestígios e rastos:
No fundo desenhos na borra marrom
E pelas bordas da boca
Tênues marcas do batom

 

PSRosseto

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PENSO

Penso ser doce o beijo

O quanto suave é tua fala

Terno o olhar que emana

Das belas meninas dos teus olhos.

Penso ser denso o perfume

Colado à tua pele nua

Ou envolta por tecidos leves

Teus segredos avivados

Recobertos pelas rendas.

 

Penso que a morna agua te banha

Recontando em teus ouvidos

Segredos divagando ideias

Que te põem intimamente acesa.

Penso que te delicias

Sobre a cama intensamente

E se pudesses lembrarias

Com vontades deste tolo.

 

Penso ser tão macio

O instante da tua ânsia

E de pura nostalgia

Os delírios do teu cio.

Penso pois pensar permite

Tê-la assim pelos meus sonhos.

 

PSRosseto

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TOMA-ME

Se te sentires indefeso sem rumo pelas sombras

Excluído até das sobras e restos da madrugada

 

Se vierem os lamentos pesados sobre os teus ombros

E entre escombros pisares sobre pontas de estilhaços

 

Se as mentiras se apegarem à tua mente oprimida

Comprimindo tua ansiedade escravizando tua vida

 

Se em desalento o desencontro desfolhar teu íntimo

Sem ritmo teu coração perder os sentimentos

 

Deixa que a poesia te faça lembrar de mim

Não espera outro dia amanhecer sem fim

 

PSRosseto

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O menino pisa descalço o meio fio

Corpo ferido

Corpo fedido

Corpo frio

Desprotegido e só

 

O corpo é pisado na calçada

Quando deitado

Quando amoitado

Quando açoitado

Atingido e só

 

O quando escalpelado na rua

Não insiste

Não existe

Não resiste

Fustigado e só

 

O só simplesmente desmanchou-se

No meio fio

Na calçada

Na rua

Desprotegido atingido fustigado

E só

 

PSRosseto

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ENQUANTO POSSO

Os meus olhos se deitam

Sobre tua leve beleza

E dormem o sono daquele que se realiza

Vendo a neblina ondulando horizontes

Ao longe

Muito longe inacessível

No topo das serras e montes

 

Assim distante todas as cercas somem

Não existem divisas

Nem há limites

Apenas distâncias no bojo dos vales

E tudo o mais que a paz precisa

Para coexistir presente

Entre a liberdade e a mente

 

Aquele bom lugar existe

Tão perto de mim e longínquas

São as possibilidades

Que tenho de tê-lo

 

Nada é meu nem nosso

E sim passageiro

Por isso durmo meu olhar sereno

E sonho o paraíso

Enquanto posso

 

PSRosseto

Saiba mais…

CORRO

Corro atrás daquilo que preciso aprender
Aprendo bem aquilo que pretendo ensinar

Deixo o mundo renascer ao redor
Certo de que fazer o bem
Alivia o respirar
Propicia enxergar maravilhas


Guardo para um dia especial
Destemido de que acabe se usar
Ou aguardo apenas por guardar;
Lembro-me de que tudo vence
É finito e que a validade
Vem estampada na testa
Em todas as situações

Não temo as armas que trago

Vivo e faço a festa
De resto ajeito o quanto desprendo

 

PSRosseto

Saiba mais…

ÀS VEZES

Às vezes aflora a impotência

Por não conseguir matar a barata

Ao perder o horário do trem

Ao deixar congelar a cerveja

Furar o pneu da bicicleta

Não conseguir estacionar na vaga

Deixar de fitar um olhar

Derramar café na roupa

Escorregar no piso da calçada

 

Situações tão ilógicas

Incompreensíveis à rotina da memória

Inaceitáveis e desnecessárias

 

Desacertos surpreendem

Todos os dias são repletos de sandices

 

Haverá um tempo em que aceitaremos as tolices

 

PSRosseto

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COM A SAUDADE

Ao coração dê alento

Aos olhos o brilho de outros olhos

Ao tempo alimento para que não desgaste

 

Ao amor entrega-te cegamente

Enquanto permanecer vibrante

Qualquer excitante emoção renovada

 

Se houver rotina muda de rua

Dobre outra esquina

Sente outros ventos

 

Pela beleza reúna os canteiros

Misture as flores dos vários jardins

Em uma só quadra

 

Emende as ruas que der

Até o outro lado do mundo

Depois retorne pela mesma estrada

 

Mas com a saudade

Não faz nada ainda que doa

Por ser necessário sofrer

 

PSRosseto

Saiba mais…

PERMITA-SE

As rosas não são iguais

Não por não serem todas rosas

As melodias são distintas

Não pelos arranjos nem pela poesia

As palavras diferem-se

Não somente por possíveis ignóbeis significados

Os mundos são dispares

Porem nunca pela distancia entre si

 

Mesmo as dores similares

Divergem-se caso a caso

Os pensamentos variam

Não por serem mínimas ou incríveis ideias e ideais

Dos sentimentos cada um torna-se único

Apesar dos mesmos conceitos

 

Tudo tem e traz

Sua própria digital e raiz

Que aglutina distingue caracteriza denomina

Motiva conceitua e particulariza

 

Há quem creia ser nobre

Há quem ache vulgar

 

Pouco importa

Permita-se feliz

 

PSRosseto

Saiba mais…

ENCONTRO

Equivocou-se

Quem rabiscou a folha

Escondeu o livro

Rasgou a revista

Em que fora escrita

A rota o mapa o registro

Onde tua alma habita

 

Rastreei o destino

A sorte o acaso

Achei a pista

Encontrei a luz que irradia de ti

 

Descobri o perfume do teu veludo

A beleza azul que te esconde

Na maciez do teu vestido

 

Você é minha sina

E magnifica esta aqui

 

PSRosseto

Saiba mais…
CPP