A Nau Portugal

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A Nau Portugal

Conhece, criança, a história da Nau Portugal?
Vou te contar, se ajeite, aguce a imaginação,
Que o narrar pode ser triste e até uma ofensa à memória
Das caravelas de feitos grandiosos que estão na história.
Se vivos fossem Vasco da Gama ou Cabral, heróis daquela nação,
E vissem o que restou dessa nau, infartariam, de súbito mal.

Em meio ao século passado, num período de turbação inglória,
Foi construída nos estaleiros de Portugal histórica caravela
Sugestão de notável português que buscava engrandecer a nação.
Propôs que a nau se deslocasse pelo mar até gloriosa Exposição,
A relembrar a glória lusitana, que de outras gentes já teve a tutela.
Assim se fez; porém o povo, cético, antevia uma ocorrência vexatória.

É que, como o próprio idealizador, exclamavam, céticos,
Que tal nau emborcaria logo que lançada ao mar,
De nada valendo seu redobrado e sólido casco.
E tinham razão. O evento foi de fato um fiasco,
Diante do povo em gala que a festividade foi prestigiar,
Na ânsia de honrar dos antepassados os feitos épicos.

Forçoso, no entanto, reconhecer, por justiça e louvor:
A nau de 50 metros era imponente, ostentando o escudo real,
Adornada por três luminosas lanternas,
No alto da proa, e três mastros, ainda não içadas as velas,
Fazia justiça aos estaleiros afamados de Portugal,
Ufana, com 48 canhões - poder que já inspirou nos mares o temor.

O vexame teve início quando o batel o próprio Arcebispo batizou;
Era Dom João Evangelista, que no navio queria se lançar ao mar,
Mas, por prudência, foi desaconselhado pelo administrador do porto -
Engenheiro Salvador de Sá, e o povo pressentiu com desconforto,
O mau agouro -o eclesiástico recuou, sentindo a caravela balançar,
E o barco, descido ao mar, se fez a um lado, e ao outro, e adernou.

O construtor e o clero, marinheiro, capitão e autoridade,
Também o povo no cais - viram a preciosa peça emborcar
Pondo fim ao clima festivo, à Exposição para onde seguiriam.
A turba chorava, comovida, mas também havia os que se riam,
E a arrojada caravela tombada no oceano, foram um dia resgatar;
Rebocaram-na e foi desmantelada sem piedade.

E assim, criança, é a vida: dessa notável nau
Sem os canhões, lanternas e mastros, pouca coisa sobrou;
Despojada de todo o brilho, era agora uma simples barcaça,
Levando uma carga qualquer, sem a altivez da lusitana raça.
Mas ao menos – se recorde, o seu nome com orgulho restou
É por isso que a chamamos com respeito “Nau Portugal”!


Pedroavellar (o5.o8.2019)

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Pedro Avellar

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Comentários

  • Parabéns!   Um relato  excelente. 

  • Aqui encantado por gostosa leitura.Maravilhado pela suavidade e a forma que nos prende ao texto.Meus cumprimentos!

  • Gestores Adm

    Seja bem vindo à Casa, poeta Pedro.

    Poesia narrativa bem escrita. Um detalhe que acho importante: é uma poesia didática.

    Aplausos pela obra.

  • Gestores

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  • Gestores

    UAU - Mano Poeta... Invejável Inspiração Poética na forma de Narrativa!

    É difícil criar tal tipo de Poesia... Meus e NOSSOS Parabéns!

    gaDs

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