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— Narrada pelo Poeta do Tempo e da Ternura, testemunha discreta dos instantes em que o amor aprende a respirar devagar! —Â
"O cĂ©u Ă© azul por ciĂŞncia… e por poesia; pela maneira como a luz se dispersa no ar e pelo modo como certas perguntas sĂł existem quando alguĂ©m que ama resolve formulá-las, como Rachèll fez, em Roma, enquanto caminhava ao lado de JuĂŁo sob um azul tĂŁo lĂmpido que parecia recĂ©m-criado!"
Eu apenas narrava. Observava. Aprendia.
Roma sempre me pareceu uma cidade que exige lentidão. As pedras antigas, o passo humano, o céu suspenso como um teto indulgente. Juão caminhava com a atenção de quem cuida do instante; Rachèll, com a curiosidade de quem deseja compreendê-lo. Entre eles, não havia pressa, tampouco silêncio vazio — havia aquele intervalo fecundo onde o amor respira.
Foi quando ela parou, ergueu seu belĂssimo rosto e perguntou, com voz leve, quase lĂ©pida:
— Juão meu amor… por que o céu é azul?
A pergunta caiu como uma semente. Juão sorriu antes de responder, como fazem os que sabem que algumas explicações são mais bonitas quando demoradas. Abraçou-a de lado, gesto simples, mas proeminente em afeto, e começou a falar.
Disse que o Sol envia sua luz inteira, branca, aparentemente homogĂŞnea. Que, ao atravessar o ar, encontra partĂculas invisĂveis que espalham as cores menores. O azul, sobretudo, se dispersa. NĂŁo vence por força. NĂŁo grita. Apenas ocupa tudo. Rachèll ouviu atenta, a cabeça apoiada em seu ombro, como se a explicação fosse menos importante que o modo de ouvi-la.
— Então o azul não está no céu? — insistiu ela.
— Está no caminho — respondeu ele. — No encontro.
Seguiram até o Coliseu. A estrutura imensa erguia-se como um coração de pedra ainda pulsante. Ali, Rachèll virou-se para Juão e o abraçou inteiro, corpo e história. O beijo veio sem cerimônia, eclipsando o mundo ao redor. Observei como aquele gesto tornava o espaço quase inimputável ao tempo. Nada ali parecia claudicante. O amor tinha hegemonia silenciosa.
Rachèll voltou a falar, sempre perguntando, sempre abrindo portas:
— Se o azul se espalha… o amor também?
JuĂŁo nĂŁo respondeu de imediato. Tocou-lhe o rosto.
— Sim — disse por fim. — Quando é verdadeiro, ele não se impõe. Ele envolve.
Roma ficou para trás como um prĂłlogo necessário. Em Veneza, tudo se tornou ambĂguo e lĂquido. O cĂ©u refletia na água, duplicando a cor, confundindo limites. Rachèll caminhava sobre as pontes como quem atravessa pensamentos. Parou outra vez, perspicaz, quase filosĂłfica:
— E aqui, Juão… o céu está em cima ou embaixo?
Ele riu. Girou-a num movimento antigo, quase infantil, e a beijou de novo. Um beijo sinestésico, onde o som da água parecia ter textura, e o azul, cheiro. Observei que Veneza não responde perguntas; ela as aprofunda.
Juão explicou que o azul não pertence ao céu, mas ao olhar. Que depende do ponto, da luz, do instante. Rachèll escutava com enlevo, como quem entende que certas verdades não precisam ser decoradas, apenas sentidas.
— Então — disse ela — o céu muda se a gente muda?
— Muda — respondeu ele. — Isso é metanoia.
Caminharam mais. Abraços. Silêncios bons. Nenhuma palavra sobrava. Eu compreendi, enfim, que minha função ali não era ensinar, mas aprender. A ciência explicava o fenômeno; o amor lhe dava sentido. O azul persistia, sobretudo azul, mesmo quando a noite começava a fechar suas cortinas.
Ao vĂŞ-los desaparecerem pela rua estreita, tive certeza de que algumas perguntas existem apenas para revelar quem somos quando as fazemos.
EssĂŞncia desta crĂ´nica:
"O azul não pertence ao céu, mas ao modo como a luz se espalha. Assim é o amor: não se impõe, reflete-se. Quem pergunta com ternura aprende que a verdade não está nas coisas, mas no encontro que as ilumina!"
Fim!
MĂşsica: "Vivo Por Ella" - Andrea Bocelli.
©JoaoCarreiraPoeta.
Meu "Paizinho", sempre Ă© Fiel!
Criação visual por I.A. (ChatGPT) de JuĂŁo Karapuça e Rachèll inspirada na sensibilidade do autor.Â
P.S. Nota do Autor: crĂ´nica original, sem plágio, nascido da pena sensĂvel e poĂ©tica de JoĂŁo Carreira —— o "Poeta do Tempo e da Ternura" —— pela qual cada palavra foi burilada com alma prĂłpria.
Todos os Direitos Autorais Reservados.
20/12/2025 —— 11h04min —— 0838 ——.
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Comentários
Deixando de lado a correria festiva,
vim deixar meu perfume neste jardim tĂŁo adornado.
Amei, com certeza. Suas crĂ´nicas sĂŁo, de fato, incrĂveis.
Este trecho ficou fenomenal:
“Juão explicou que o azul não pertence ao céu, mas ao olhar. Que depende do ponto, da luz, do instante. Rachèll escutava com enlevo, como quem entende que certas verdades não precisam ser decoradas, apenas sentidas.”
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"Vivo Por Ella"! Cantada por Andrea Bocelli a amante mulher, mas que no caso dele — a mĂşsica — hoje, eu entendo que a escrita e a poesia sĂŁo minhas amantes e me dĂŁo o desfrute de colher apreciações belĂssimas como as que estĂŁo abaixo e a sua carĂssima Senhora Rocha. Obrigado pelo teu perfume deixado em meus escritos, portanto, o Poeta do Tempo e da Ternura te abraça cariciosamente — ©JoaoCarreiraPoeta.
Lindissima crĂ´nica onde o amor assume esse tom e efeito azulissimo que resplandece nas linhas. Parabens. Segue meus votos de um FELIZ ANO de 2026.
LindĂssima apreciação, minha querida menina Lilian, ela Ă© muito importante para mim — um caricioso abraço do Poeta do Tempo e da Ternura — ©JoaoCarreiraPoeta.
JoĂŁo
Ăłtima crĂ´nica
cheia de bagagens de sabedorias
um abraço
Obrigado Davi, sua apreciação é muito importante para mim — ©JoaoCarreiraPoeta.
Congratulações pelo belo texto, João.
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Félicitations accueillies avec gratitude Margarida, um abraço — ©JoaoCarreiraPoeta.
Â
Realmente maravilhosa essa viagem por Roma e Veneza, que nos permitiu saber algo mais sobre o azul do céu e sobre o amor.
Meus parabéns, caro amigo, e um forte abraço.
Oi poeta "espanhol"! Juan, sua visita muito me honra e, a apreciação me lisonjeia. Um forte abraço poeta — ©JoaoCarreiraPoeta.
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