Posts de pedro antonio avellar (153)

Classificar por

Poesia

Ah, filho, a poesia não tem que ser triste,

Viste?

E se nela mais enxergas melancolia

Que alegria -

É porque o poeta é um tipo estranho,

De antanho -

Que por ser d’outrora saudosista,

Não avista,

Muita vez, no sorriso da criança,

Esperança.

Assim, filho, saibas que a vida é bela –

Acredita nela.

E  toda chuva que do céu cai ao chão,

De inverno ou verão -

É de Deus ao poeta um abençoado hino:

Então, sorria, menino!

Saiba mais…

Afronta

Definha a justiça, em escuros pergaminhos...

Anda mesmo em falta a sensatez -

Mas o cúmulo do ultraje a ela

Se denomina, desfaçatez -

Que, hoje, afrontosa, campeia -

Não mais em escusos escaninhos,

E sim à escancarada mão-cheia.

Quão triste: a primeira vítima dela -

Já não se importam – é a verdade -

Já exaurida por odiosa impunidade!

Saiba mais…

Indignação

Há toda sorte de pecado,

Acima e abaixo da linha do Equador -

Seja onde nasce o sol,

Seja onde estiver a se pôr.

 

Mas, desses males, o rol –

E custa vê-lo institucionalizado –

Tem por ápice o crime da corrupção -

Que mais se avulta pela omissão!

Saiba mais…

Lar Sertanejo

Quero estar numa casa

Bem perto da roça

(Não precisa ser palhoça)...

Não terá forro, mas um telhado,

Que seja abrigo ao cair da chuva.

Não terá goteiras,

Mas se algumas tiver -

Melhor ainda -

A que, no piso batido,

As acolha uma bacia.

Ah, no fogão à lenha aceso,

Ao crepitar das brasas,

Há de fumegar uma chaleira

Para o roceiro café abençoado.

Lá fora, ao entardecer,

As galinhas irão ao poleiro

E o sol se fará amarelo e carmim.

E, quando anoitecer,

Depois de rezar a Ave-Maria,

Pelas frestas da janela

Assistirei, enlevado, o bailar dos vagalumes,

A sonhar em aconchegante colchão de palha.

Enquanto isso, lá fora, ao cair do sereno,

O galo há de estar cantando no poleiro.

Saiba mais…

Reticências...

Recolhido, cabisbaixo, meditabundo,

Eu sinto muita vez um temor profundo -

De que já não caiba neste mundo...

Mas eu, que nada sei de filosofia -

Porque cultivo essa atroz letargia,

Que me deixa até a alma vazia?

É por isso que falo por reticências...

A ver se as celestiais providências,

Confortem minhas humanas carências...

Saiba mais…

Rimas

Rimas

 

- Não, não, Avelar – não pode ser...

Já vens outra vez com aquelas rimas pobrezinhas?

Porventura não tens o que fazer?

Que vais escrever dessa vez?

É do luar? Das matas? Das esvoaçantes andorinhas?

Do pôr-do-sol no teu aprazível lugarejo,

Ou do teu coração sertanejo?

- Tens razão, amigo. – Pensava nisso talvez...

Se de todo modo repito essas rimas agora,

Talvez o seja porque, de felicidade, a minh’ alma chora!

 

Saiba mais…

Sonhos e projetos

Sempre fui sonhador. Sempre o fui, sim...

Ah, quantos sonhos, quantos projetos...

Não os realizei, mas deles não desisti –

Apenas os transferi

Aos filhos, aos netos

E, quem sabe, os meus planos secretos

Tenham alguma vida, enfim...

Saiba mais…

Eternidade

Eternidade

 

Eis que a hora não passa -

E nem houvera que passar,

Enquanto choro -

E verto lágrima já chorada.

Dou-me conta, então,

Que é o meu pensar que para:

Os ponteiros do relógio seguem adiante.

Uma alma caridosa me conforta:

- Olha adiante. Segue teu caminho -

Rumo ao horizonte,

Rumo ao infinito -

Onde o tempo não existe...

Saiba mais…

O Cortejo

 

O Cortejo

 

E todos se vão...

Sim. Se vão... em vão...

O cortejo caminha, se esvai,

Ainda que lento, relutante...

E se perde, distante...

Afinal, não era mais que festa

De convivas não convidados...

E reflete, tergiversa, mas sai

E se perde na imensidão.

E o que me resta,

Bem o sabeis, amigos amados,

É não mais que solidão...

Saiba mais…

Mar Lusitano

Mar Lusitano

 

Nunca fui ao Velho Mundo

(E o lamento, sem pejo).

Mas, se o for, nalgum dia,

Irei ao Porto, a Coimbra, a Lisboa -

A conhecer os palácios da Real Coroa!

E mais, ao Algarve e ao Alentejo;

A Fátima, onde esteve a Virgem Maria!

Quem sabe, à Madeira, nas Desertas,

E aos Açores, do mar profundo,

Onde hei de conhecer o Corvo, as Flores

E a Ilha Terceira, com seus famosos cantores.

Ah, com a mente e a alma abertas,

Por lá, em sonhos, desfilarei por plagas belas

E pelas terras e águas aventureiras,

De onde partiram naus e caravelas

Às indígenas terras brasileiras!

Saiba mais…

Saulo de Tarso

Saulo de Tarso

E, de Saulo, faíscam
Os cascos de seu cavalo.
Súbito, raios o céu riscam
No horizonte de nuvens esparso.
E retumba no céu mítico trovão
Quando, num lancinante estalo,
O romano nascido em Tarso,
Se vê lançado ao chão!

Escuta uma voz. Grita: Por que me segues?
E se dá conta de que lhe falta a visão...
- Não, Saulo – és tu que me persegues,
Lhe responde uma voz envolvente -
(E, se enxergasse, o veria em meio à luz)...
Saulo estremece: Só pode ser ilusão...
Então, ouve, em tom deveras candente:
- Vem a mim, Saulo. Meu nome é Jesus!

Saiba mais…

Tempo de Descansar

Tempo de descansar

 

E agora, amigo? E agora?

A idade chegou

O teu pé inchou

E o jogo acabou...

Era mesmo chegada a hora...

Sei, meu caro, que ficas emocionado

Porque não mais te calça a chuteira -

E já não a deslisas pelo gramado...

Então, se o desforço, a canseira,

Te exaurem e te embaçam a vista -

Ah, meu amigo, te acalma, não insista -

Vá para casa, toma uma cerveja,

E pede a Deus que te proteja!

Saiba mais…

O tempo

Já não sou madeira de lei,
Bem o sei...
Quando criança, a me divertir,
Bastava uma simples bolinha de gude -
Não me preocupava o porvir...
Cresci... e ao tempo da juventude,
Me era por certo de mais valia
Valer-me da força bruta
Ah, eu não primava pela sabedoria
E rija era mesmo a diária labuta.
O tempo passou. E veio a experiência,
A me ensinar a agir com prudência!

Então, se com madeira nobre -
Seja de cedro, mogno, imbuia, jatobá,
Cabreúva, aroeira, angico, jacarandá,
Não se faz cabo de vassoura, de fato
(E a Deus por isso se deve ser grato),
Não é de se desprezar a madeira pobre -
Mesmo o mais humilde bambu -
Que em casebre se faz de telhado
E abranda a força do vento!
Que se louve, pois, toda madeira -
O pinus, o eucalipto do reflorestamento,
A utilidade da imbuia, do freixo e do guatambu,
A rigidez do cabo de martelo da nogueira
E, pelos ipês floridos, Deus seja glorificado!

Saiba mais…

Suspiros

E conto história de cinquenta anos atrás...

- Que olhos, meu Deus, tinha a menina!

Quanto hoje a mim deveras compraz

Recordar-me dos suspiros pela Nina...

Então o Altíssimo, suspirando também,

Enviou a ela um anjo, celestial cupido,

A sussurrar poemas no seu ouvido...

E Nina do meu amor se tornou refém!

Saiba mais…

A vida

A vida é mesmo emocionante,

A ver  o que faz quem a preza tanto...

E aqui me vejo, não obstante,

A chorar bobas mágoas

E me debulhar em pranto,

Sem atentar que, ao meu lado,

Há quem a celebre em fráguas

E a louve feliz, em alto brado!

Saiba mais…

Aconchego

 13517578667?profile=RESIZE_584x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aconchego é paz,

Aconchego é carinho,

É acolhimento

A quem vive sozinho -

É socorrer um incapaz

Num gesto de alento.

Aconchego é o abraço apertado,

É o sorriso dobrado,

É a dor dividida.

É dar guarida

Sem pedir nada.

É desatar nós intrincados

Que bloqueiam a caminhada,

De quantos se sintam cansados.

Ou ouvir com encantamento

O sorriso de uma criança.

É ser solidário ao lamento

Do irmão sem esperança,

Do que dorme na rua,

Ou em qualquer cantinho...

Aconchego é carinho,

Aconchego é paz!

Saiba mais…

O Céu é para todos

Não me envergonharei,

Se assim a sorte o quiser,

(E se ao Altíssimo aprouver)

De me sentar em sarjetas,

Não me deterão, bem o sei,

Emparedadas muretas,

Porque, em sonhos,

Infinitos, Ilimitados,

Com meu olhar maravilhado,

Avisto anjos risonhos

Num céu azul todo enfeitado,

Aberto a todos, sem alambrados.

 

Saiba mais…
CPP