Posts de Paulo Sérgio Rosseto (414)

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TERNURA

Desconfio que ao teu coração faço algum bem

Pois recolho teu gratuito sorriso quando escolho

Passar uns momentos grudado em teus olhos

 

Não consigo te imaginar longe dos meus planos

Fora até mesmo dos santos demônios

Que atiçam perpendicularmente minha imaginação

 

Conheço-te melhor que a mim e te preciso

De todas as maneiras inclusive as blindadas

Pelo sofrimento indesejável do inesperado

 

Aprendemos a repartir os sentimentos

Os gostos pelos prazeres suaves da natureza

De nos reconhecermos nos apegos mínimos

 

Onde se aclara a saudade que acabamos sentindo

Há uma doce ternura religando toda essa certeza

 

PSRosseto

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ABISMO

Jamais temi abismos

É das profundezas que brotam também as grandes inspirações

Dos escarpados nascem inesperadas e saudáveis decisões

Do íngreme surge a versatilidade da renovação

Do inexplorado o lado maleável da versão

 

No fundo partilhamos as melhores experiências

E recolhemos gratificantes os resultados do que buscamos

 

Enquanto lamentam ausência de luz

Sigo de olhos fechados instintivo como um furacão

Seguro em suas mãos

 

PSRosseto

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AMAR

Adormeceria

Como entorpece o equilibrista

Os olhos de quem encanta-se

Sob a atenção do artista

 

Entorpeceria

Como acorda o olhar

Quem compartilha

A arte de ousar

 

Permaneceria adormecido

Despertaria entorpecido

Apaixonadamente amante

Eternamente solícito

Ante o torpor de amar

 

PSRosseto

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REAL

Creio-te deus humano tanto quanto posso

Concreto, permanente, intenso

Perfeito e verdadeiro, absoluto

 

Creio-te singular tanto quanto acredito

Único, onipotente e bendito

Presente e místico, impoluto

 

Creio-te senhor tanto quanto terno

Soberano, leal e sempiterno

Necessário e real, infinito

 

Creio-te humano deus

Muito além do tanto quanto posso

Muito além do quanto tanto sinto

 

PSRosseto

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NUBLAR

A tarde nua recobre-se com fino lençol

Depois garoa, esfria, inverna de repente

 

Equidistantes

Tomamos parte o bastante

De certa melancolia

 

Enquanto falta o sol

A gente até imagina que poderia

Eu estar aí ou você aqui

 

Nublar seria diferente

 

PSRosseto

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ENVOLVE-ME

Envolve-me

Me traz nos braços

Enleva-me

Arrebata porque existo

E quero a quero explícito

Deleita, delicia, encanta-me

Me põe sentido

 

Ama-me

Estreita os laços

Deleita-se porque deleito

De vontade de estar agora

Eternamente ou por um momento

Absorto em teu leito amando-te

 

E depois de amar-te

Descansar do amor

Recostado em teu peito

Enquanto arfar o desejo

Compartilhado no afeto

Dando-nos perfeitos

 

Envolve-me

Ama-me

Ávida de mim

Como estou ávido de ti

Pleno de amor sem fim

 

PSRosseto

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FANTASIA

Hoje passei alguns momentos

Olhando o desenho das tuas mãos

A singularidade dos teus dedos

As palmas capazes de unidas

Abrigarem o mundo em conchas

Reterem uma porção de mar

Sustentarem um naco de areia

Assegurarem os sentidos de uma raiz

Suportarem o peso das pétalas da rosa

Elegantemente abrirem um livro de poemas

Postarem-se contritas em oração

Acariciarem a própria tez

Enxugarem os olhos

Alimentarem a alma com manjares

Alisarem todos os amores do mundo

Que se foram ou que surgirão

 

Agora lembrando-as puras e harmônicas

Pressinto o toque e a sutil maciez

Que possivelmente elas têm

Em alguma outra vez serem tão precisas

Ao afinarem as cordas de um violão

 

PSRosseto

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AQUELA SAUDADE

Aquela saudade
Não tinha coração
Por isso era assim
Tão gostosa de matar
Hoje ela ainda resiste diferente
Porque sabemos que não se tem
Por onde apegar
Diluiu nas águas
Do rio assoreado
Águas que se misturaram
Às do mar
E bem sabemos
Que ainda que chova forte
Não iremos mais voltar
Não iremos mais voltar
Não iremos mais
Voltar

 

PSRosseto

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NÃO NEGO

Não sou de juras e sim loucuras

E quando não possa estar presente

Enveredado por uma live

Uma gif de whatsapp

Qualquer like de facebook

Curtida de instagram

Pela ausência de internet

 

Estico a rede pela varanda

Nos ganchos dessa saudade

Presos pelas garras

Dos caprichos do sol da tarde

 

Por três palavras em um bilhete

Imaginando o teu perfume

Não nego que o ciúme

Calmamente me consome

 

Me flagro incessantemente declamando

Por setenta vezes sete

As letras nuas do seu nome

 

PSRosseto

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ADOCICADO

Esse sabor levemente doce

Que desprende dos teus olhos

Vem do teu beijar

 

Sim, provém dos teus lábios

Quando sorriem, balbuciam e sussurram;

Da vermelha boca, do sorriso claro

Da macia língua que delicia

As palavras que pronuncias

 

Tu me beijas com o adocicado olhar

Para que claramente

Absorva teu beijo sem precisar tocar

A textura do teu hálito

 

Esta nossa forma de amar

 

PSRosseto

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NOITE FRIA

Desconheço qualquer tecido que aqueça

Mais que a força do viço selvagem do cio

O desejo imoderado pedindo abraço

A boca medindo a volúpia do beijo

O corpo desmesuradamente languido

Suando sentindo prazer e arrepio

Por mais incerta que esteja a noite fria

 

Gosto de sentir tua convexa forma

Voluptuosa e sensual buscando gozo

Se insinuando por gestos e sinais

Que as mãos mapeiem suaves planícies

Tateiem incertas ocupando espaços

Explorando as pétalas dos girassóis

Desenhados na seda que satisfaça

A maciez das tuas claras vontades

 

Depois tudo vira sonho e calmaria

 

PSRosseto

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POUSO

Meu poema quando pronto

Voa silencioso

Enquanto eu cansado da lida

Da escrita repouso

Despreocupado de seu pouso

 

Aninha-se entre mãos pequeninas

Mergulha em mares revoltos

Se estende ante olhos cansados

Faz-se decorado pelo idoso

Recitado nos recitais

Cantado pelos corais

Sonhado pelas meninas

 

Ousado faz excitar

Rezado reverencia

Odiado encabula e magoa

Guardado literatura

 

Meu poema quando pousa

Diz verdades faz balburdia

Acalenta ilusões

Depois dorme feito menino

Dentro do teu coração

 

PSRosseto

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VÁ! MAS VOLTE

Corre ainda que não queira

Fuja mesmo que teime não ir

Saia apesar da destemperança

Segue sacode a teimosia

Desprenda sabendo que irá doer

Desobedece só assim desvincula

Some nem deixe pegadas

Voe é mais rápido esquecer

Desapega nem olhe atrás

Busque possíveis horizontes

Procura nem lembrar que esteve

Desencante é muito mais prático

Ignore ciente do sofrimento

Parte antes que seja tarde

Separe torne pedaços

 

Mas se quebrar-se apenas metade

Vá, mas volte

Para que te complete

E me torne repleta

Como antes

 

PSRosseto

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OUSADO AMOR

Impossível tentar entender

Porque cuidas assim de mim

Essa afinidade que nos prende

Esse olhar brilhante cativo

Esse carinho e cuidados sem fim

 

Desnecessário ousar definir

Certamente será generosidade

Resultado da grandeza

Que habita teu coração

E a repartes a meu favor

 

Quando penso que nada sou

Que pouco significo em teu ser

Teu silêncio me chama e inflama

Tua voz vem feito oração

E me tomas com intensidade

 

Então nos tornamos melhores

Maiores, Intensos, idênticos

Mística íris de todas as cores

Âncora de ouro que nos prende

Nos elos desse ousado amor

 

PSRosseto

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SELVAGEM

De todos os poemas

Escolhe o mais arteiro e atrevido

Aquele que melhor te despertar a libido

 

Pensa quando fora escrito

Imagina as intenções

Advinha o motivo de ter sido feito

Depois de singela análise

Medrando o quanto fora selvagem e difícil

Esse ato de esconder entre palavras

A premente vontade de um abraço

 

Depois sorria e disfarce

Como eu disfarço

 

PSRosseto

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DOIS QUARTOS

Minha casa tem dois quartos

Um voltado ao nascente

Outro a oeste onde o sol some

 

Divido-me diariamente

Entre dois saborosos instantes

O de quando ele nasce

E o de quando se deita no horizonte

E dorme

 

Assim assisto a madrugada

Do quarto em que ascende

E à tarde do quarto em que morre

 

Também eu tenho dois momentos

Dois ciclos duas fases

A vida que ficou em minha vida

Ambos feitos de espera-la

 

Um quando você sai

Outro quando volta

Porem pela mesma porta da sala

 

PSRosseto

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TERRA MOLHADA

Não é cheiro de talco e bebe
Nem café fresco
Nem perfume 212 de Carolina Herrera
Ou algo tão doce que a tudo isso
Assemelhe

É cheiro de adolescência
De infância e ocultos prazeres
Vindo do alto dos morros ou pé das ladeiras
Entre ocas da aldeia

Puro e saboroso perfume
Da cobiçada areia vermelha
Do barro pisado
Torrões do enlameado terreno
Varrida gleba penteada
Misto de pó e poeira
Resto de vento reboco
Gotas de chuva recente

Desmedida e mensurada terra molhada
Assim é teu cheiro amada

 

PSRosseto

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VENTANIA

Vieste repleta e de repente

Tomaste assento em meu peito

 

Fizeste-me trovador e poeta

Destes cantantes que se perdem

No ardor dos raros instantes

 

Vidente e profeta

Mendigo das letras

Lavrador de palavras

Contumaz caçador de fina estampa

Magico dos verbos e tempos

Que dentre versos se encaixam

E encantam

 

Tornaste-me manso e mansamente

Um vento confesso

 

Quisera soubesses desse

Amor que professo

 

PSRosseto

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PASSAGEIRA

Vem do mar essa vontade adiante

Insistente, pegajosa, desertora

Intermitente

Às vezes condutora

Por vezes repentina

Jamais passageira

 

Vontade de querer-te

Aqui na terra, na lua, em marte

Amar-te terna e docemente

Eternamente

Semelhante à valsa

Que termina e não passa

Permanece inconsciente

Consistente

Qual perfume instigante

Deliciando prazeres

 

Se quiseres senti-la

Deixe que o mar te encontre

 

PSRosseto

Saiba mais…

SEGREDOS QUE NÃO CONTO

São secretos meus segredos

Nenhum deles te confesso

Peço somente que se advinha-los

Não me revele que sabes

Pois não saberia esconde-los

Muito menos guardar

De mim mesmo que os conheces

 

Mas se quiseres publica-los

Antes mesmo que mova os lábios

Ou os teus gestos conta-los

Basta recostar o rosto à janela

Todos lerão nos teus olhos

 

Deixarão de serem segredos

Mas eternamente serão nossos

 

PSRosseto

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CPP