Posts de Jennifer Melânia (113)

Nasce o poeta, bem simples

 

 

 

 

Por Jennifer Melânia

 

Faz  tempo, muito tempo em que

dentro da vida, outra vida nascia

Nem sabia, nem entendia...

Eram os olhos a tingir o mundo

Dentro de outros mundos

 

Era bem simples igual voar com as borboletas

Riscar com os pés o chão até sentir cócegas

E virar o mundo de cabeça para baixo

Esvaziando os risos ao vento

 

Era bem simples igual tocar o céu dentro das águas

Enquanto o balde se enchia para ser carregado nos braços

Deixando as casas tortas e os pássaros escorregando nos fios

E a menina sendo regada em suas raízes

 

Vingou, com forças de águas e de natureza

Nos verdes tropicais, nas quaresmas, nos cerrados

No virar da ampulheta cresceu, cresceu

e nas primeiras letras, eis que espirrou

 

Tossiu e enfim nasceu tímida(mente)

em poças d’água um barquinho navegou

carregando na proa a lua, o poeta

e dentro desta água se vão (nem ao céu

nem ao mar) apenas em versos navegar

Saiba mais…

Sem correção (extraído num sopro)

Vai pela metade os sonhos

Ao toque do piano, nas teclas do tempo

Se me permito espiar o caminho

Vejo ao longe um romper de oportunidades

As flores plantadas exalam ternura

Se me permito ouvir a música 

É  um convite a dançar, deslizando alegria,

Nos pés  descalços  das pré ocupações 

Assim sigo leve neve que se deita na terra

E se derrete de coração  aquecido

Se me permito carrego meu sonho

Na pétala  do sol que se estende

Abrilhantando a vida

Ainda é  cedo e o sonho veleja em mim.

 

Por Jennifer Melânia 

 

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Perder-se no dia

 

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Por Jennifer Melânia

Perder-se no dia

 

Foi assim o dia resolvido ou remoído

quis outrora a arte pura...nela banhar-me

e envolver a vida, porém os fios do dia se tecem

já no preparo do café, sentindo  o sabor da manhã

 

faz parte  lavar as mãos... em louças e panelas

enquanto  escorrem os pensamentos no aparador

um pouco mais  a ânsia se afoga em aceboladas lágrimas

chorar assim enquanto o meio dia não vem são fios

 

os versos refogados, cozinhados entre o baião de dois

provo o gosto do fim da manhã no caldo do feijão

agora as palavras saciadas de sabores...

ainda vou afogá-las no tanque, esfrego as mágoas

 

...as nódoas. Uso o saponáceo do lavandeiro

perdoo a natureza por fazer-me tão frágil

as horas avançam para o crepúsculo e no varal

estão presas às vontades, expostas em meus olhos

 

...as cores e os cheiros se balançam, há magia

não quero mais escrever, quero sentir 

encher-me, enquanto há em mim correntes

desfio cada gomo do dia nesta procissão

  

 

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O tempo fora do relógio

 

Por Jennifer Melânia

 

O tempo fora do relógio

 

Cedo ainda ao desejo, de calar a voz

e nela betumar os meus silêncios

digo apenas o salutar a existência

e espio as portas abertas da vontade

 

mas, fico neste meu fazer metafórico

de imaginar a quê venho e a quê vou

se existo dentro deste cenário meu

nele tenho sabores, e tenho apreço

 

meu tempo fora do relógio, é a vida

nela a base das vozes...do caminhar

dos valores impagáveis, observo

e, a meu jeito, ajeito as palavras

até que as desatem por aquelas... portas

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Novas (Saudosistas)

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Por Jennifer Melânia

 

Novas (Saudosistas)

 

é chuva...iluminando os entretons da vida

minhas vidraças molhadas, as lembranças

lá na infância acercaram-se, vejo as águas abrindo veios na terra

e nos veios a folhinha encharcada e indefesa, indo sem protesto

ladeira abaixo, no volume da enxurrada...

abrindo caminho, no vai e vem das águas.

não há pedras no caminho, não há mãos que a segurem

do gravetinho a folhinha (tudo corre, tudo passa)

meus olhos navegam neste dia, quantas águas se foram

quantas folhinhas passaram, deixando o caminho vazio

lá, onde não sei o nome, as folhinhas se abraçam

preenchendo outros lugares, procurando onde se aninhar

lá, aguardam o sol, um dia quente de aquecer o coração             

lá, um dia, a brisa as levará para outras paisagens

se são as mesmas, quem sabe?!

 

 

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Abrevi-ações

 

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Por Jennifer Melânia

 

Abrevi-ações

 

Mais tarde, fora do relógio do tempo

e quem sabe de licença a musa

no uso de minhas atribuições não poéticas

descreva minhas abrevi-ações em pauta

 

-jaz em mim uma veia pulsando-

 

aconselho, não se turbe vosso pensamento

quem te escreve lamenta a complexidade

e por haver em mim os tempos, as estações

as fases da lua, as mitologias, as crenças

e um tanto mais de tudo um pouco

que me repreendo ao deixar está ponte erguida

 

-jaz em mim um rio- vontades

 

pulsa agora em minhas entranhas

estranhas formas de ser poeta,

nem gente, nem agente da barca,

que vai abarcar todos nós,

em semelhantes, silencia a voz

 

-jaz em mim multiplicidade-

 

que ouço em dizeres dançantes 

escorregando no arco íris dos meus olhos

sorrindo dentro de mim, sussurrantes

ecoando cada verso meu, nos cantos

dos pássaros, descendo a ladeira do mundo

 

-jaz em mim recantos-

 

adentrando as janelas das almas

assim deixo erguida a ponte...

quem sabe quando o relógio do tempo

não bater mais, eu volte...e traga as abrevi-ações

 

-jaz em mim esperança- 

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Aldeia

 

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Por Jennifer Melânia

 

Aldeia

 

Uma tenda, abrigo de um amor

Um sol que adentra as frestas do sentimento

Cantos varridos, sem lembranças

Mistérios nos encontros dos olhos

Desvio de padrão nas cores do céu

Onde havia lençol estendido

Apenas a luz faz nuances de cores

Ausência de um tudo antes feito

Outro mundo talvez...outras tendas

Quem sabe, mudo os móveis de lugar

Quem sabe, naqueles cantos coloco flores

Quem sabe, quebre os padrões celestes

E ajeite o corpo sobre o lençol

Enquanto a luz se faz brilhar em outros olhos

Enquanto ribomba o amor das tendas

Enquanto a aldeia está sob o luar

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Apressada-mente  

 

 

Por Jennifer Melânia

 

Apressada-mente

 

Meu papel office 7

Despertou olhares

Mais nobre que sulfite

Onde escrevi horrores

De control C com caneta big

Não de grande, big de fama

Meus escritos calejavam os dedos

Mas, não sofria de “dedite” erros meus

Como hoje no tamborilar de palavras

A dor me apressa, me arrasta

Para um the end ainda precipitado

Deixo acontecidos de fora

Por dentro da memória rabiscada

Camadas superficiais da palavra

Que dá sentido transitivo a vida

Sem complemento não colo imagens

As ilustrações na caixa de pandora

Incógnitas criptografadas no PC

Parte complexa do meu olhar

E lá ou cá ficam despedaçadas

As garruchas do meu office7

Tenho este papel de suma

 “desimportância”

Escrever... 

 

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Resgates

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Resgates

 

Quando faltam serventia as mãos

as coloco a dedilhar palavras

quando  escapam os originais do dia

os coloco em resumo de joelhos

quando abro os olhos noturnos

os ilumino das ideias insones

quando a cesta se põe vazia

venho com o pão nosso de cada dia

e de quando em quando faço poesia

por não ser as mãos sem serventia

desafogo os versos das redondilhas

vem de quando em quando esta rebeldia

 

Por Jennifer Melânia

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Se...

folhas caindo

Se...

 

Se o grito fosse alto

se o cordão fosse cortado

se o papel fosse vivido

se as pernas me levassem

as ternas alegrias do coração

se o suspiro revelasse o alivio

de ser poeta...

se em sopro o dó trouxesse sol

num reluzir de tons iluminasse

os olhos ainda apagados

em busca do caminho certo

se ando por tantos lugares

se fecho as portas ao incauto

não é por recluso desleixo

é por aventurar  formas ao poema

a elas sim devo reverência 

o que de fato sei se fujo nos sentidos?

e olho a fundo este não profundo

dito as escuras, em umbrais de seda,

a farfalhar minha atenção

se tanto faço também desfaço

um puxar de linhas...é só

 

Por Jennifer Melânia

 

 

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Voar é para pássaros

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no céu as lanterninhas

não se apagam

elas vigiam o poeta

cuidam para que não falte

luz aos versos nascituros 

se não é isso amor

não sei o que é???

 

Presente diário

o céu nosso de cada dia

meu sei que é?

 

À noite 

estrelas brilham

de dia...

vaga lume vaga

 

 

árvore é extensão de homem

não vê nela um menino sentado?!

 

minhas raízes de certo são celestes

me sinto mais assim do que terrestre

 

 

neste caramujo universo

estou em voltas

envolta  de naturezas

 

 

 Obs: Não é poesia

é tecido de olhares

curtido na madrugada

 

 

Por Jennifer Melânia

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Impressão

 

Por Jennifer Melânia

 

A impressão saiu de letras tortas

não era bem o que sonhava ver

imaginei um lago profundo, água parada

um pássaro indeciso a margem, será que voo?!

fiquei ali num torpor, esquecida, apagada

o lago sempre o mesmo, a água parada

o pássaro esqueceu como voar e ficou

igual a mim poeta, a impressão nos olhos

na verdade, já tatuada uma cena na imaginação

e esta cena se repetiu tão bobamente, parecia

(me perdoe) que o mundo havia dado um apagão

confesso, levei tempo para entender, foi eu, foi eu!

a impressão não era como pintei

havia sim um lago, mas era transparente, aberto

o pássaro repousava enquanto bebia água, se deliciava

e eu, não fiquei ali, eu andei. eu vivi, eu impressionei

as letras tortas são minhas especialidades

gosto delas...parecem as mais certas, improfundas! 

talvez, porque vejo migrar beleza para as diferenças

 

 

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Versar motivos

 

Por, Jennifer Melânia

minha voz se cala, olvido formas e rimas

Neste mundo de barulhos inquietantes, embalo minhas palavras...hablas 

É  noite, a vida se faz aqui e acolá . Ao longe , insiste o forró em arrastar-se ao vento

Os pés  esfregam o chão numa procissão, no vai e vem do desfazer presentes e idos tempos

Bem próximo,  os grilos se ajeitam e o cricrilar

Se faz uníssono, meu ouvido está  por todo lado.

Transpiro noturnos anseios, amanhã  vem. E penso na vaga poesia que me acomete este momento. 

Se não  fossem as estrelas musas, se não  fossem a veia sangrando paixão 

Diria ouvir "aí de mim, aí de mim" se não  fugir

Estas garruchas em forma de pensamento a mesclar sentidos nesta inquieta via de fabricar...motivos

 

 

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Vi vendo

             Por Jennifer Melânia             

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Meus olhos  andarilhos

Despertam horizontes beijando flores

Delineando as formas da natureza

Sobrepõem-se as janelas a ver as ruas

Uma a uma com suas partidas

Meus olhos percorrem as casas

E dentro delas sonha histórias

Desenham moradores e os colocam na lida

A Maria ainda dorme, o João foi trabalhar

Faz bico em algum lugar, o Biscoito não late

Ele espia a rua de outro ângulo

Sorri, com a língua de fora, feliz pra valer

De certo, as crianças na escola estão

E Maria dorme, aquele sono cansado

De um esgotamento de vida, como o fio de mel

Que se acaba num pote

Na rua, meus olhos andam em pedras

E penso em vidas e pés marcando viagens

Indo e vindo mastigando o dia

Engolindo o tempo, indigesto tempo

Meus olhos, pousam numa flor

Borboleteiam por ali, saboreando

O instante belo e pleno de êxtase

Sorriem e se desprendem 

Saiba mais…

Alhures

 

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A chuva em mim

Chove noutra estação

Vedes o destino?

Verdes meninos

Mesmo maduros não caem

As flores desfilam!

Aos cegos olhos,

Apenas flores...

O bem cheira à Afrodite

Colônia de amores

Sensato adorno tem o céu

Tiara de sonhos

Move os pés dos meninos

A descobrir a vida

Cabeça de quimeras,

Este mundo meu Deus!

Ainda procuro o fim

E o que descubro é...

...begin...begin

A chuva que faço

Me lava____ me leva

Ouço marulhar

As vozes... os silêncios

 

 Por Jennifer Melânia

Saiba mais…

Pedaços de memórias

 

 

 




...puxo um limo
dos cantos umedecidos
a vassoura esverdeada exala mofo
deixei no abandono aquele quarto
era antes emoldurado por cenas
tinha luz adentrando as vidaraças
tinha cores alegrando as vidas
mas foi a muito, muito tempo
quando minhas madeixas se trançavam
e na minha boca havia porteiras
por onde as palavras chiavam engraçadas
depois que minha voz se firmou
e os meus cabelos se banharam
de outros tons, e os fios encurtaram
a risada se transformou em paisagem
agora desenhada na expressão,
aquele som das gargalhadas
que ecoavam nas paredes
silenciou no ínfimo da alma
foi a muito tempo

 

 

Por Jennifer Melânia

Saiba mais…

Posts do meu outro tempo

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Por Jennifer Melânia

 

O Sol  de uns dias antes quando postado

tinha sabor de suspiros

Com bolinhas de confetes prateadas

de tão doce e saborosa sensação

Nos enchia de entusiasmo, o rei

Das clarezas...

Eram dias de suores e muita

Energia trocada com a terra

Com a natureza...

Lá onde morei nem sempre era assim

a tela principal era a cerração

Friozinho de gelar a ponta

Do nariz e anestesiar a derme

Bom para dar baforadas de ar quente

 e ver a fumacinha se misturar a neblina

 tínhamos a função chaleira, engraçado

íamos  desvendando o cenário

Enquanto os dedos das mãos

Endureciam e roxeavam

Outro post que curtia bastante

Eram as brincadeiras dentro de casa

Bater figurinhas, desenhar, pintar

Brincar de bolinha de gude, pião

Ler gibis e reler gibis

Comer bolinho de chuva, feitos pela vovó

Assistir sítio do pica-pau amarelo

Divertidas histórias da Emília

Curtia “temporais” não “temporadas”  

Da janela escancarada perscrutava

As árvores lutando para se manterem

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(Enquanto o vento corria nos vazios)

Em pé, elas dançavam e se enroscavam

E quando alguma quaresma não resistia

Gritávamos: Madeeeiiiiiraaaa!!

Pobre árvore, ficava acastelada

Toda atravessada nos galhos solidários

Quando a garoa descia fininha saíamos para o quintal.

Devagarzinho, a chuva nos ensopava e a diversão

Era maior, podíamos patinar na lama sem preocupação

Já que a sujeira instalada precisaria de sabão

A ordem era sujar mais e aproveitar o frescor do banho

Quantas curtidas dei a estas postagens da vida

Incontáveis curtidas, porque o tempo era vivido

De tocar, fazer, sentir, sorrir, cheirar...degustar

Os posts atuais são bacanas, porém por demais

VIRTUAIS

Saiba mais…

Retirante (dos costumes que evoluem)

 

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...

Quando partiu

Mundim não levou

Consigo o bule de alumínio

O deixou sobre o fogão

Levou  saudades

Das manhãs fumegantes

De sua infância

Embalou vivências

Nas poucas experiências

Deste chão sertanejo

Mundim não escreveu

Um livro, era analfabeto

Plantou árvores

que não vingaram

o chão era vazio

A casa de taipa

Escultura de barro

Fora erguida com ambição

Fazia o sol brilhar nos olhos

Apagados de Mundim

Sua maior realização

Inscreveu sua vida nos

Corações amados

Levou o corpo vestido

De andrajos...

O espírito ia no cabide

Para não amassar os desejos

Mundinho deixou

Dores e mágoas...e águas

O café estava no alforje

E seria servido expresso

Quando Mundim ...

...Virasse Mundão

 

Por Jennifer Melânia

 

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Céu

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É tão perdido o presente

Em seus embrulhos

São as distâncias ânsias

Em sua nudez...

São as saudades um corpo

Sem abraços

E a ausência decerto barriga

Sem feto

A lembrança...

Nos foi dada de amuleto

E há tantas películas

Embaçando minha visão

 

Por Jennifer Melânia

 

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CPP