Uma Serenata Encantada Na Roça
Era uma noite típica de lua cheia lá na roça, quando o jovem Tonho, o nosso caipira mais sonhador, decidiu que era hora de fazer uma serenata.
A menina Júlia, de sorriso inefável, tinha roubado seu coração com uma simplicidade que eclipsava todos os dogmas e estereótipos sobre o amor.
Mas Tonho, garoto de poucas palavras e de muita timidez, hesitava. Pois, a tal pusilanimidade parecia inamovível.
"Mas que nada!",
pensou.
"Essa noite vai ser homérica!".
Armado com sua viola e uma coragem que recrudescia no peito, ele caminhou até a janela da moça, onde o lume ululante das estrelas iluminava o campo com um brilho rútilo.
Lá, diante da casa de Júlia, Tonho desafinou as primeiras notas.
O esgar no rosto dele mostrava a luta visceral entre a vontade de recuar e o desejo de continuar.
O pobre artífice das canções não tinha lá muita proficiência, mas a coesão dos seus sentimentos era inexpugnável.
Júlia, por sua vez, abriu a janela devagar, com o coração cheio de volúpia.
Lá estava Tonho, mais lívido que a própria lua.
O ar de romantismo caipira tornava aquela cena algo de outra dimensão.
Simplesmente, ela ria de sua desafinação, mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela ressoava.
"Tonho, cê é danado!",
disse ela, tentando abafar o riso.
"Essa serenata tá mais para vaticínio do que para melodia!"
Mas Tonho, no entanto, não se abalou.
"Cê vai ver, moça, essa é só a primeira de muitas!",
vociferou, tentando vencer o reacionário medo de rejeição.
E assim, no campo lúgubre, entre risos e notas desafinadas, a serenata de Tonho virou lenda.
Quem diria que aquele amor caipira, tão simples e profundo, conseguiria transcender qualquer estigma e vaticínio.
Um “chero” e uma serenata poética “procê” que me lê. Que
— Deus —
te abençoe ricamente.
#JoaoCarreiraPoeta. — 01/08/2024 — 8h22