Posts de Paulo Sérgio Rosseto (312)

MEU CORAÇÃO TE ESPERA

Na superfície virgo da terra
Submundo do universo
Meu coração te espera
Anverso e vagabundo
Desesperado de antevéspera
Em qualquer buraco que seja
De profundeza imensa ou rasa
Instado a um esteio de casa;
Na garganta dos questionamentos
Nas cordas vocais dos relâmpagos
Junto a estrondosos trovões
Meu coração te espera
Em matizes pintadas por sóis
Em meio a esplendorosas placas
Multicoloridas de cal
Com gosto de cana e ácido
Azedo agridoce dessa imensa
Saudade pálida vertical;
Entre virgens flores cheirosas
Poderosas torres de verdes talos
Meu coração te espera
Onde os insetos se aninham
E dormem os ariscos pássaros
E sonham os anjos cansados
Enquanto seguem os passos
Dos ventos anciãos
Que assopram e espalham na esfera
As boas e más notícias
Sem subestima e esperas;
No paradoxo de ideias
Sob impactantes mudanças
Ideologicamente perfeitas
Meu coração desespera
Vivendo a opção desse aguardo
Na simples rimada filosofia
Em que amar é modificar
Geopoliticamente reinventar-se
Nas sobras da própria poesia.

PSRosseto

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ENTRE UM E OUTRO GRITO

Quem imagina um verso e não o anota

Perde a essência de seu momento

Acontece comigo às vezes o absurdo

Em passar a noite versejando solto

E após perder toda ideia remota

Ver-se por ordem todo incompleto

 

Assim são as chances que se busca e almeja

Passam coloridas pelas sarjetas

As contemplamos e deixamos seguir

Pelas horas macias das preguiçosas sestas

Esvaem-se ligeiras e jamais retornam

E se voltam talvez não venham perfeitas

 

Onde mora a palavra simples, em qual fonte

Reside também o absoluto ar devaneio

As falhas do que valha o princípio da graça

A generosidade do risco pela ventura

Loucuras do perder-se em outro dia

Porque nos sentimos frágeis e débeis

 

Esquecemos dos boleros, folhas que bailam

Ante aos ditames que desafiam um aflito

Sabor de vento doce recheado de aromas

Que afugenta os dilemas e retoma

Ao menos a vontade de novas conquistas

No silencio sereno entre um e outro grito

 

PSRosseto

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INCIDENTE URBANO

uma incerta lua todo dia
atira-se do semáforo
entre avenida e rua
vestida de alizarina
travestida de heroína e anjo

surge dentre os prédios
e descalça perambula
onde nenhum olhar alcança
junto a poças de células vivas
sobreviventes do asfalto
em meio a ocre via de fumaça

sai recolhendo o caráter sintético
dos obituários por falência múltipla
desperdiçados como tantos passantes
insertos e perplexos suburbanos
provisórios habitantes da rotina
dessa contemporânea falácia
clamando por misericórdia

assusta-se unicamente
quando ouve claros rumores
de que a todo momento morrem
eternos amores e sentimentos
antes da hora ou passados do ponto

explica-me então que esses abissais incidentes
dependem da ilusória sorte
e que além da cobiça e mais
haverá sempre por certo
entre as faces duplas dessas veias
possíveis acelerados desacertos
pois enquanto alguns fenecem
abrem outros triviais sinais
em outros tantos cruzamentos

PSRosseto

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INSENSATOS

Preciso alguns gomos para compor poncãs

Inserir sementes nos bagos

Envelopar delicadamente seus adocicados cristais

Costura-los então com cordões de cera e seda cítrica

Acoplar tudo no hermético veludo interior das cascas

Para que não se deteriorem e suportem as intempéries

Dos olhares de cobiça pelo viés cheiro hibrido

E suas magnificas alaranjadas cores

 

Depois pendura-las na ponta dos galhos

No segundo andar dos pés como bandeiras expostas

Já todas madurecidas pelas mãos do tempo

E aguardar a hora propicia de as apanharmos

Insensatos da janela

Igual fez Deus outrora incendiando astros

Para espalhar estrelas

 

Simples assim como fazer poesias

 

PSRosseto

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ÓBVIO

Tem certas coisas no mundo que é bem melhor não saber
Fatos que o tempo diz explicar, mas que prefere esconder
Camufla no já moído peito da gente e se descobre faz doer
Dói tanto que às vezes mata segredos do bem viver

Ninguém procura verdades pelo tosco prazer de sofrer
Assemelha-se à saudade, vem com o inconsequente querer
Desce e se apossa da mente, invade o corpo, confunde o dever
De se evitar que se morra matando o seu próprio ser

Se um dia for necessário seu cais impedi-lo ver
O sol das respostas claras da clarividência desprender
Jamais constranja o destino, deixe o impreciso acontecer

Pois tudo se acha, se encontra ou também pode se perder
No exato propósito do óbvio repentinamente surpreender
O intenso paradoxo da vida que se renova ao nascer

PSRosseto

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CARISMA

O carisma com que tratas os teus dilemas
Evidencia o que persegues
Exibe o que inseres
E pontua tuas robustas referências.

Por preferência escolhe dentre as facetas
Aquilo que enceta teus rumos
Apruma e repagina tuas buscas
Reafirma teus mundos
Determina os investimentos
Dentro e fora dos teus sonhos
Em tudo o que acreditas.

Assim procedo
Com o que me condena
Ou indulta.

 
PSRosseto
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RESILIENTE

A menor partícula resistente
Reside no momento
Onde quanto maior for o desejo
E mais ardente
Efêmera será a hipótese
E o receio
Da palavra ser partida ao meio
Ou prender-se no silêncio
Do beijo velado
E dado pelos lábios
Num hiato entre os dentes!

PSRosseto

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O SAL DA TUA LÁGRIMA

A água pura
Quando da tua emoção desceu
Deixou rastros,
E verteu abundante
Entre cílios e poros
No entorno dos olhos teus

Mapeou o macio veludo do teu rosto
Acendeu a expressão casta da tua rosa
Riscou mansa a pele avelã em úmido apupo
Encharcou com rubor tuas maçãs e brios
Fez brilhar ainda mais as tuas meninas
Marejou os rebeldes fios das tuas franjas
Renovou vontades em teu soluço
Até ver-se displicentemente acolhida
Pelas costas âmbars,  nos gestos parcos
Do enlace terno das nossas mãos
 
Tua anônima poesia, no entanto
Discreta e efêmera
Abrasou meus lábios
Ao me sentir no gosto azul
Entre o ósculo e a língua atônita
Ao provar do sal da tua lágrima
 
PSRosseto
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RESPINGOS

Certas histórias precisam ser contadas
Outras simplesmente vividas.
Trazemos um pouco da necessidade
De imitar algumas performances
E um percentual incrível de inventarmos
Os nossos próprios compêndios.
Há quem se acomode sob fantasias
Há quem daqui a pouco esquecerá
De incomodar-se com os esquecimentos.
Dirijo meus dias espaçosamente
Inspirado no protagonismo
Das coisas mais suaves, leves e simples
Afugentando furtivas contendas
Deificando as vultosas texturas
Que abrangem os desejos abundantes
Por onde somente a reflexão perpetua.
Aprendi assim a viver nos respingos
Dos fatos das novelas do cotidiano
Capítulo a capítulo, focado nas finalidades
No entanto longe, bem longe do fim.
Sou eu a maior propriedade destas escritas
O deserdado protagonista sem foco e fora da luz
Porem consciente de que tudo se torna necessário
Desde que de alguma maneira necessite.
Estendo democraticamente a mão
Para que tu me conduzas por estes labirintos
Sem calvário mas com o prazer da jornada
De juntos sermos robustos detentores
Das incontestes superações.
Tens as chamas da perseverança
Trago as garras da esperança.
Somos puros e valorosos irmãos.

 

PSRosseto

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CPP