Posts de Thiago Rodrigues (41)

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LÍRIO NOTURNO

Fora na hora merencória de um sino,

Que minh'alma de olhares enublados,

Andaste por andar sem ter destino,

Na solidão das sombras e dos prados...

 

Já vinha a noite, longe, com seu hino,

Cheia de cores de hortos irisados,

O sepulcral silêncio vespertino,

Tinha alvores de céus nunca sonhados.

 

Tudo passavas pelo véu das horas,

Ante a face da tarde que descoras,

Ante o lírio noturno que floresce...

 

Tudo seguias calmo pelos cerros,

E ver, podia, seguindo, os enterros,

O brilho de um luar que não se esquece...

 

Thiago Rodrigues 

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CÂNTICOS DA ALMA

Alma, ó alma, esses cânticos que trazes,

Seguir nas sombras foste a tua sina,

Ouvindo entre goivos e lilases,

Da solitude a prece vespertina.

 

Pois a tristeza mal inda lhe fazes,

Cai a tarde na antiga Palestina...

E no meu peito tétricas, vorazes,

Vão as dores num horto sem neblina.

 

Ouvi novenas em tempos remotos,

Os que rezavam foram pra onde sigo,

E de Jesus também eram devotos...

 

E a noite como os vultos d'um convento,

Seguiste-lhes indo para o jazigo,

Caminhando sem dor e sem lamento...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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LUAR DE OLHARES MERENCÓRIOS

Quem vem de lá trazendo as boas novas,

No horizonte infindo que lacrimeja,

Pisando vem, silente, pelas covas,

Enquanto a ave d'outrora o céu voeja:

 

Quem vem de lá, contigo, as mesmas trovas,

O acompanha pelo horto que negreja,

E num momento o teu semblante encovas,

A voz do tempo que árias rumoreja...

 

Foi um sorriso que curaste as chagas,

Desta minh'alma que andas escutando 

Poetas mortos das escuras plagas...

 

Lírio da vida pelos campos flóreos,

As dores todas seguindo olvidando 

Sob um luar de olhares merencórios...

 

Thiago Rodrigues 

 

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NEVOENTOS OLHOS DOS TEMPOS IDOS

Os nevoentos olhos dos tempos idos,

Com que me olhaste, ai, com que me olhaste...

Sou o fantasma que leva sem a haste 

As pétalas dos sonhos fenecidos.

 

Por que chorar, na tarde, que tombaste,

Se a noite vem com véus enegrecidos,

Nessas veredas, vi, envelhecidos,

Luares em um luar que me encantaste.

 

Como as ondas batendo num recife:

Leva o novo, o velho e vai levando 

A morte um esquife atrás de outro esquife...

 

Resta-nos ver, a vida, com bons olhos,

Seguindo rindo ou seguindo chorando,

Em pé vagando e rezando de giolhos...

 

Thiago Rodrigues 

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O PÁSSARO SOTURNO

O dia escuro estava tão sombrio,

Voavam aves de pavor e medo,

Da névoa, o fantasma, de olhar vazio 

Enevoava as folhas de um arvoredo.

 

Uma saudade no ar não é segredo,

Pra quem a alma tremeste já de frio,

E vai a vida seguindo o teu enredo,

Na primavera, no outono ou no estio.

 

Nossos passos pra trás já vão ficando,

Meu velho peito doente já sentiste 

A agonia do tédio lhe tocando...

 

A mão do tempo é a mesma que amortalha,

E pelos ares, rindo, inda persiste 

A voz dolente de soturna gralha.

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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NOTURNAS SOLIDÕES

Quantas vezes, sozinho, eu vi andando,

Com o véu das manhãs enevoadas,

A tristeza os lírios esfolhando

Sob um céu de luas amortalhadas.

 

Ia sozinha, nas trevas, vagando,

Como o vento das ermas madrugadas,

Que as folhas levaste-as rumorejando 

No frescor das noites enluaradas.

 

Senhora, por que seguem-me funéreos

Os teus olhos de noite langorosa 

Envoltos nas brumas de astrais mistérios?...

 

Andas contigo nessas vastidões,

O doce aromal de etérea rosa 

Florindo das noturnas solidões...

 

Thiago Rodrigues 

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NO HORTO SOLITÁRIO

Retornei, retornaste pela trilha 

Flórea que nossos passos encobriste.

Velava-nos uma lua andarilha 

Com teu semblante pálido e triste.

 

N'autunal estrada que tu seguiste,

Também seguira eu. O céu que brilha 

Os meus pesares e os teus inda ouviste,

Do tédio sou filho, d'agrura és filha!

 

De quietude a vida nos cobriu:

Chorei, choraste no meu peito enferma,

O que senti aqui também sentiu.

 

Vamos juntos envoltos em nuance,

Por essa trilha de névoa álgida e erma 

Até que um dia o corpo, enfim, descanse...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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O LUAR VETUSTO LHE COBRIU DE SEDAS

O luar vetusto lhe cobriu de sedas,

Errante caminheiro, alma em prantos,

Perdido viverás nessas veredas,

Tu que procura a paz em outros cantos.

 

Em outros campos d'augurais recantos,

Foste contigo nessas horas tredas,

Dos altares, a solidão dos santos,

Sem as faces angelicais e ledas.

 

Na selva escura dos pesares maus,

Nos tece uma mortalha o sofrimento 

Cantarolando os pávidos solaus...

 

Nesses trilhos ínvios que se perdeste,

Lhe cobrirá no retumbar do vento 

A mesma seda alva que o luar teceste.

 

Thiago Rodrigues 

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FÚNEBRES MELODIAS

Até quando, poeta, tecer teus versos,

Responde à vida que lhe pergunta,

Teus olhos, ai, em lágrimas imersos,

Estão a ver uma imagem defunta.

 

Saudade sentes dos tempos vetustos,

Artesão das palavras, assim vives,

Nas veredas, pelos bosques augustos,

Andando pelos pávidos declives...

 

Assim vives indo pelos canteiros,

Pelas ameias de flores altivas,

Pois que de toda a dor se desprendeu...

 

Como vultos indo pelos mosteiros,

Em teu peito sempre andam vivas,

As melodias de um sino que morreu...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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VETUSTOS SONHARES ADORMECIDOS

Vetustos sonhares adormecidos,

Meus olhos com lágrimas eu inundo,

E vão nos vales meus passos perdidos,

Vagueando pelas trevas do mundo...

 

A esperança nos dias doloridos,

Eu encontrei-a no azul do céu profundo;

Nos roseirais, sem flores, fenecidos,

No trovejar de um místico segundo.

 

A vida vai passando neste instante:

Etéreo anjo sobre nós a adejares 

Com véus de astros de pálido semblante...

 

E pela sombra a alma a velar os ninhos,

Como um pássaro triste a retornares 

Nesses de outrora pávidos caminhos...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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O RESSOAR DOS SENTIMENTOS CASTOS

O ressoar dos sentimentos castos,

Me envolveste com tua voz serena,

Meu velho sonho pelos campos vastos,

Foste surgindo pela tarde amena...

 

Uma lembrança de cabelos bastos,

Eu vi nascer como a flor da açucena,

E a maldade nos olhares nefastos,

Me entristecer sem pausa e sem pena.

 

Fora no tempo dos luares calmos,

Quando uma agrura andava em meu peito,

Que me tocaste a alma etéreos salmos...

 

Senti em mim por dentro uma verdade,

E eu me lembrei da vida em meu leito 

Na vespertina prece da saudade...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

 

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LIRAS E TROVAS

Por que entraste de novo em minha vida,

Na palidez da tarde que viceja,

A merencória nota esquecida,

De uma canção que o peito lacrimeja...

 

São violinos, harpas, ensombrecida 

Uma cantiga de um astro que voeja,

Na lividez da bruma esmaecida,

Com teu semblante lívido que alveja.

 

Pra ser sincero, olhando o meu passado,

Aqui sozinho, hoje, rememorando,

Feliz me deixa o dia enevoado...

 

E nessas névoas que o luar encovas,

Vejo o teu vulto indo caminhando 

Numa estrada de liras e de trovas...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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REMINISCÊNCIAS AO LUAR

Uma flor mais outra tombando da haste,

E o luar de outrora que tu já viste,

No caminho que agora palmilhaste,

Com pétalas vermelhas lhe cobriste.

 

A face calma de quem já pranteaste,

Pelas dores que na vida esparziste,

E pétala mais pétala tombaste 

D'alma pois o tempo atro vos feriste. 

 

Senhora benfazeja das olheiras,

A mão que alva tocaste os espinhos 

Também sentiste a seda das roseiras...

 

E em meio à sombras, brumas e nuanças,

Serenos levam-te esses caminhos 

Ao bosque solitário das lembranças...

 

Thiago Rodrigues 

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FORMOSA AMADA

Inclinam as flores ao teu encanto,

Quando passas rindo pelas veredas,

As aves entoam para ti um canto,

Sussurram os ventos nas alamedas...

 

O luar branco foste o teu manto,

E de pétalas cobriste e de sedas 

Tua alma nos dias de negro pranto,

Pelas estradas lúgubres e tredas...

 

Foram seguindo-te no céu que embaça,

Os astros pelos ermos inda vivos,

Com seus palores límpidos sem jaça...

 

Mas era tu que as flores enfeitavas,

Com teu semblante de olhos compassivos 

Quando andando por elas passeavas...

 

Thiago Rodrigues 

 

 

 

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O CORTEJO DAS FLORES

Das hastes, as flores, pendem, altivas,

Silentes sem mostrarem relutância,

Ante os olhos das almas compassivas,

Deixando pelos ares a fragrância...

 

Andam os ventos sobre as cercas vivas,

E eu que vivo a vagares nesta ânsia,

Trago as dores em meu peito inda vivas 

Como trazes, o luar, a rutilância.

 

Ó chuva que vais banhando as veredas,

Os postigos dos tempos tão distantes,

E os adros de floridas alamedas...

 

Foi caindo mansa que me encontrastes,

Andando em meio aos prados cintilantes 

Como as flores que pendiam de suas hastes.

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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O poeta e os versos

Uma lembrança, mais outra e seguindo,

Quem há de ler os versos que aqui teces,

O vendaval das dores lhe ferindo,

Poeta dos versos que a noite ensombreces.

 

Por que à vida em liras ir abrindo,

Tudo que sentes a alma que feneces,

Se vosso pranto em um bosque infindo 

Pendes e novamente refloresces.

 

Só tu que és desse canto eterno o ouvinte,

E vai de horto em horto como um pedinte,

Anoiteceu nas sendas de jasmim...

 

Sabes, em meio às brumas de um ocaso,

Que nesta vida tudo tem um prazo,

Seguimos todos para o mesmo fim.

 

Thiago Rodrigues 

 

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Na noite solitária

Noite egrégia, os ventos uivavam,

E nas galharias, sobre as moradas,

Em bando as lembranças desfilavam 

Trajando o alvor das ermas madrugadas.

 

De asas brancas pelo ar pairavam,

Ai melancolias de encruzilhadas...

Somente astros pelo céu brilhavam 

Debruçados por sobre as estradas.

 

Iam comigo os tempos remotos,

No caminho das árias esquecidas,

Cobertos pelas pétalas de lótus...

 

Lembrei dos sonhos serenos de outrora,

E era belo ver-lhes sobre as ermidas 

Florindo no crepúsculo da aurora.

 

Thiago Rodrigues 

 

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Quaresmeira em névoas

A velha quaresmeira florescera,

Em frente do postigo à luz de vela,

Um buquê de flores roxas tecera

A quem lhe contemplara da janela.

 

À sombra desta árvore emudecera,

A minh'alma vetusta e singela,

Melodia do amor aparecera,

Do amor, a melodia, é tão bela.

 

Meus sonhos iam pelo céu esparsos,

Seguindo os rastros de luares garços,

De luas de cortejos merencórios...

 

E lá ficaste na alva derradeira,

Em névoas, a velha quaresmeira,

Florindo em caminhos ilusórios...

 

Thiago Rodrigues 

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Dois De Novembro

Na amplidão célica o que procuras,

Tu que tens o olhar vago de chorares,

Quando o céu de asas se veste fulguras,

Da saudade os místicos luares.

 

De finados, o dia que perduras,

Tem lágrimas de chuva pelos ares...

Quantos desertos, quantas sepulturas,

Tem cada peito aqui a caminhares.

 

Um que partiu, que há de partir, e a morte 

Teu manto arrasta por essas veredas 

Como o vento as folhas para o norte.

 

São sempre fundos os olhares nossos:

Tu que vens no alvor ou em negras sedas,

Levai em paz um dia os meus ossos...

 

Thiago Rodrigues 

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Noite Fria

Ó vida que os luares acalenta,

Quem já vai perdido e sem prazeres,

Como a doce ária de uma flauta lenta,

Que nuanças para a alma vem trazeres.

 

Longe daqui, bem longe, sonolenta 

A saudade com véu d'entardeceres,

Seguindo numa estrada poeirenta,

Sem lírios e lilases pra colheres.

 

E na noite fria como uma gruta,

Um mocho que distante vai cantando,

E minh'alma de melancolia enluta...

 

Ai, um mocho seguindo a voejar,

Sob o alvor das brumas que vão andando 

Aclareadas pelo brilho do luar.

 

Thiago Rodrigues 

Saiba mais…
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