Posts de Alexandre Montalvan (852)

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Destino Prematuro

As cinzas que escapam entre meus dedos
restos de sentimentos
Os ventos as levam sobre as águas e seus segredos
sonhos que se perdem, pedaços de saudades
onde encontro meus devaneios.

O meu corpo tornando-se líquido
fechado em um calabouço que em
sonhos transcorriam
mas onde eu nunca tinha ido

Restando apenas este desejo obscuro
entre gemidos e o som do próprio vento
que escorre entre meus dedos como as sombras
de um destino prematuro

Porém toco teu corpo como se fosse um beijo
um carinho com um toque sensual.
A minha mente transtornada em desejo,
meu corpo numa fome terrivelmente animal

Alexandre Montalvan

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Tristeza

Percorre enfim a minha alma
tristeza imensa
e pensa que pode ser a última
a sopesar,
chega dilacerando as partes e o todo,
chega como quem chega para
ficar.

Em noites de lenta quimera,
apego-me a esta tristeza
a me enamorar;
sonho como quem sonha e tristeza venera,
sonho com uma forma de viver
para sonhar.

Tristeza, tão terna criança,
externa os mantras sem fim,
cultiva as flores da esperança,
repousa tuas dores em mim.

Alexandre Montalvan

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Amor Assassino

No caos no qual se afunda a cidade
delirante é a dor na paisagem
não há quem se sinta culpado
pois é chegada a hora da adversidade

É um mundo em suspensão, mas altivo
e nada disso por nós foi escolhido
menos ainda, qualquer um o escolheu
e de todos os pecados nos sentimos despidos

Batem à porta na exata hora do arrepio
e a rudeza invade os pelos de toda a pele
a boca é contorcida em um sorriso esmaecido
e toda a ardência exala apenas um caractere

Amor! Intenso, mortal, imolado e sublime
pois a mão que acaricia os lábios vermelhos
é a mesma que nos fere como inocentes coelhos
e ambos os atores são culpados por este crime

Alexandre Montalvan
 
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Portais do Inferno

Toda a tragédia no meu eu profundo
é a doença que n’alma explode,
tragicomicamente estatela o mundo,
e eu terei de engolir sem um pingo de fome.

E em teus lábios está o meu destino,
porém é em uma forma mais funesta;
eu quero desfolhar toda esta floresta
quando beber a água do riacho cristalino.

Mas não existem mais anjos no céu,
pois todos caíram aqui na Terra;
perderam as asas em um fogaréu,
e toda a minha tragédia é grito de guerra.

Foi feito para mim por um mortal decreto
uma morada feia em um glacial inverno;
tem todas as paredes pintadas de preto,
que abrirão para mim os portais do inferno.

Alexandre montalvan

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Apocalipse

Confusa ou confusão
em versos que são feitos,
descaminhos e amores defeitos,
histórias de sonhos que são
nada menos que efêmeros versos de vida e paixão,
são somente pedaços de um todo
que se confundem de repente com o novo,
mas são infindavelmente perpétuos,
pois nasceram com o universo.

Por isso, confuso é o verso
que me dá a estranheza
e demonstra o quão áspero
é o que nasce do espanto.

Quando olhos veem coisas engraçadas
e as olham assombrados,
ao nascer da alvorada em um céu sem sol.

No entanto, o espanto
são as flores
que florescem na madrugada.

Se elas morrerem na escuridão que finda,
não morrerão totalmente,
pois lançarão suas sementes
em um mar de lama
que é um quase nada,
mas que, por puro espanto,
voltarão confusas a nascer
na próxima madrugada.

Alexandre Montalvan

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Todos os Caminhos

Todos os caminhos são verossímeis,
mas entre homens e almas há espinhos,
e terríveis são estes sentimentos,
mesmo que em tua descrença a discórdia
seja fruto de divinos pensamentos.

Porém, teu coração não bate ao acaso,
então olhe com os olhos dos homens,
e o peito incurável morre ao descaso,
mas as almas não.

Ou então olhe pelos olhos das almas:
eternidade é uma opção,
e o sangue parado e morto
é de tudo um pouco,
menos a eternidade em tuas mãos.

Toda é a dor que se esparrama pelas ruas,
sobre a plebe sem que a elite se exclua;
nem os muros no inverno congelante a seguram,
mesmo estando sob o manto dourado da lua.

Alexandre Montalvan

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Sou Eu


Iluminado por uma luz artificial,
um vulto se ergue como uma assombração,
situação absurda, aflitiva e anormal;
por ele, eu sinto uma benévola afeição.

Muitos milhões de anos se passaram nesta casa;
a lua, com seu olho brilhante, procurava em vão o amor,
fria, tão fria, a cada era que extravasa,
alternando-se, em vão, entre eras de calor.

Estou tão só, e este vulto é a única companhia;
tenho em mim a sua alma e a de outros tantos,
que me vejo ensopado pelo espanto,
e nenhum outro pensamento ou vontade me valia.

Sou uma alma lançada a um fosso profundo,
como um verme preso à língua de Satanás;
corro da morte desde o início do mundo,
e a fome de amor me transforma em um ente voraz.

Enquanto espero este sentimento supremo,
vivo em desespero nesta existência de horror;
eu como o pó da terra e, por isso, eu blasfemo,
e este ser saído da luz é meu eu pecador.

Alexandre Montalvan

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Comido pelo Jacaré

Tire a mão da minha espada,
eu não quero cortar teu pescoço.
O amor por ti não me serve para nada;
as tuas súplicas são as últimas que ouço.

Nosso sexo se tornou uma roubada,
é como, sem dentes, roer um osso.
Quando você na cama fica travada,
é como se estivesse num calabouço.

Eu fui chutar um cachorro morto,
e, mesmo morto, mordeu o meu pé.
Eu pensei: "Estou no desconforto,

pois, pelo jeito, eu sou um qualquer".
Quem não sabe nadar não chega ao porto,
e, por cima, ainda é comido por um jacaré.

Alexandre Montalvan

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Entre as Sombras e a Escuridão

Não há braços que me confortem,
não há som no lamento de uma flor,
mas há os que me abraçam até a morte,
na dor de uma existência sem amor,
e a alma na eterna argúcia da desordem.

Nela me apego antes que me tomem
e chego, através das sombras,
à borda da escuridão.
Pois homens são lobos do próprio homem;
eles enxergam onde não há luz,
com olhos virados para dentro da sua solidão.

Palavras errantes entre meus dramas e as comédias,
vestidas de sombras com luminâncias falsas.
Sorvemos escuridão, vivemos na tragédia;
afundaram a nossa balsa,
roubaram as nossas calças,
também soltaram as nossas rédeas,
entre as sombras e a escuridão.

Alexandre Montalvan

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Sufrágio

A cada novo dia, o mundo perde sua cor,
um desgaste lento a cada alvorada,
ser apunhalado e não sentir nada,
quando um triste adeus se torna indolor,
mas purulento e espesso.

Estou só nesta noite feia e escura;
no cheiro da terra molhada, me teço,
implorando por um pouco de ternura,
como uma criança embalada no berço,
em um incinerador midiático.

Desamparado, condeno este tipo de luz,
e me escorre pela boca um gosto sádico;
mas quem me escuta não me traduz
quando me deito para um sonho
de um sonhar performático.

Ao amanhecer, a luz é moradia,
na exatidão de uma face marcada;
o sangue encharcando a terra vermelha,
é urgente destruir o lume da espada,
no zumbir nervoso de uma abelha,
presa de braços dados à aranha em uma teia.

Alexandre Montalvan

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Incontrolável Amor

Irresponsável é esta ternura,
cheia de um tesão crescente,
nestes beijos eloquentes,
de língua, lábios e dentes,
amando tua figura.

A paixão tencionada e cortante é pura sequela
no desespero desta noite de fogo;
estou louco e mudo, com língua neste jogo;
toco teus seios no escuro,
perco a sensatez que nada me revela.

Deste arrepio, agarro as tuas mãos,
eu beijo e aspiro teus cabelos;
doce é minha pretensão de ir mais longe,
a minha boca louca em tuas coxas,
úmida, você atende meus apelos.

Carne, pele, pelos. Gritante impudor,
um mar de ofegantes gemidos,
é a fúria em forma de sons permitidos;
a avidez da minha boca em teus ouvidos
é a paixão mesclada ao amor.

Sangrando pelos meios, escorre o leite da vida,
corpos nus em uma imagem não permitida,
desconstruídos na lascívia atrevida,
despedaçados de prazer e gozo,
fruto deste amor... Incontrolável e saboroso!

Alexandre Montalvan

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Por Caminhos Tortos

Hoje procuramos algo perdido
que em algum lugar do caminho se perdeu.
Hoje, você e eu... nós,
caminhamos sozinhos,
mas, mesmo sendo nós, não somos muito mais
que eu.

Talvez seja apenas um engano.
O mundo incomplacente e tirano não perdoa
o singular.
Pluralizar é uma farsa amena
no universo que não é meu.
A verdade é tão pequena
que não consegue encontrar
aquilo que se perdeu.

É toda uma tristeza incontida,
não encontrar a saída
de um mundo que não está em tuas mãos,
com a alma emudecida,
de todas as maneiras traída,
e o insensível coração.

No amanhã, se encontrarmos uma saída,
não a possível e concebida,
mas a que é natural,
todos os tiranos estarão mortos. Mas,
se não for por caminhos tortos,
não será por mera imposição.

Por caminhos tortos, às vezes, são justamente eles que nós levam a lugares
onde o caminho reto jamais chegaria.

Alexandre Montalvan

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Crepúsculo

Nas nuvens do céu, o abandono,
pois choram nas águas do mar;
as folhas, no vento do outono,
todas mortas, balançam no ar.

Tristeza de uma longa espera,
eu me perco olhando para o mar,
na dor que a minha alma supera,
como nuvens que flutuam no ar.

Um pouco de mim vai morrendo
ao ver o triste outono passar;
este lindo amor, já findo,
pois morre pelo medo de amar.

Quando a lua no céu vai surgindo,
seu brilho assusta as nuvens do ar;
seu reflexo no mar é tão lindo:
é crepúsculo no azul do mar.

Alexandre Montalvan

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Anjo da Dor

Que dor é esta que me consome,
e este sangue que quente escorre,
e faz que eu gema como criança,
e não existe mais esperança.

E toda esta falta, esta ausência,
esta loucura sem tamanho...
Eu busco em você, meu anjo amado,
este louco amor que é tão estranho.

É um renascer em outro mundo,
olhar para trás e, num segundo,
dizer-lhe o quanto é amada.

Vamos dançar na madrugada
e ficar juntos para sempre,
pois sem você eu não sou nada.

Alexandre Montalvan

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Entre Mim e Ti

Entre mim e ti o silencio basta
sem qualquer razão ou qualquer por que
nossa quietude emana do coração
entre mim e ti o sentir não se gasta

Em nos a cantiga da existência é vasta
silenciosa é a voz da tempestade
o gemer do mar é cheio de emoção
e a nossa paixão emana azul e casta

Não deixe que o espaço entre nos diminua
que o céu seja a nossa única criação
com o olho fiel que é o brilhar da lua

E que se sele com um distante beijo teu
em minha boca; quente...é vertente de paixão,
é o sim, é sua voz vinda ao longe mas do coração

Alexandre Montalvan

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Amarras

Primitiva é a tua liberdade,
ornando esta alma em fuga,
sem que as amarras tolham pensamentos,
entregue à luz de um sol intenso,
quando a terra é somente rachadura.

Poder beber da boca aberta,
com saliva sanguinolenta,
das amarras de que és liberta,
no silêncio dos sentidos,
temerária desventura;
entre os jactos de loucura,
tateiam-se nos escuros moinhos de vento.

Desfolham-se as rosas no sangue perfumado
que escorre entre os teus seios.
Não fiques triste se ninguém ainda veio:
ninguém está aqui...

E também existe tanta fome
das coisas que nunca vi;
são versos que nunca escrevi,
com uma mão estendida e fria,
mas não há ninguém aqui.

Alexandre

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Teus Segredos

Quando o céu escarlate, rutilante,
ilumina teus cabelos matutinos,
no calor de mais um dia do Oriente,
os teus olhos me falam do divino.

Como se a noite sempre fosse dia,
ou o corpo, uma uniforme catedral,
e teus lábios, com gosto de alegria,
um sorriso em uma fonte angelical.

Falam-me dos teus brancos seios,
e neles se escondem os segredos.
Eu coloco as mãos, e os meus dedos
tentam, sem pressa, decifrar estes
segredos...

De vastas tempestades de luxúria,
de violentos mares desamparados,
a pura natureza feminina juraria.

Meus segredos...
em minha alma são guardados!

alexandre montalvan

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O Amor

O amor nunca pede,
pois ele é tão somente
entrega: uma linda flor
para apenas olhar;
é onde a sede da paixão... sossega.

Quanto maior o amor,
mais ermo é o caminho;
é tão intenso
que o vazio é a escolha.
Ele se eterniza em carinho;
é solto ao vento
como uma seca folha.

E, como seca folha,
se desprende do que é mundano;
e os desejos carnais,
frutos de uma avassaladora paixão,
presos por grilhões tiranos,
se libertam;
e o amor será apenas
de coração para coração.

É quando se esvai o peso da minha alma
ao ir da confissão para a contemplação
são traços recorrentes que me acalmam
e fazem do meu desespero uma canção

Alexandre Montalvan

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O Tempo

Em um eterno retorno,
vive na alma humana,
com efeito sonoro,
um tic e tac... tic e tac.

Pingos em uma poça de água,
passos em uma calçada,
tiros de uma automática.

A morte.

A estática.
A difícil arte de viver.
Onde estão os mortos,
porcos postos em uma funerária?

Corpos cheios de feridas,
fétidas e maduras,
como a luz que irradia e se medra,
como um raio cósmico que acalma,
como a carne escura revela.

Onde estão as rosas amarelas,
as que brilhavam nos jardins como estrelas?
Onde estão as que emitiam luzes sonoras,
como as rosas de outrora?

Onde se encontram os floreados breves
que havia trasantontem,
de casais dançando sobre folhas?
Eras antes de antes de antes.

Em quais destinos se encontram teus sorrisos
que um dia iluminaram a minha vida
e que hoje são o que mais eu preciso
para aplacar a minha solidão?

Onde se encontra o horror profundo
que, de tanto viver, ganhamos proteção?
Sentimentos que aos poucos se enregelaram
e trouxeram o inverno ao nosso coração.

Alexandre Montalvan

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Um Rio

Um rio sem margens, sem águas,
Um rio sem peixes, nada.
Não se nada, nem quer que se deixe
Navegar.

Um rio suave, sem espumas,
Como a fria morte da razão.

Um rio disforme, seco, sem vida,
Onde a alma jaz perdida,
Envolta na mais pura
Escuridão.

Alexandre Montalvan

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CPP