Posts de Alexandre Montalvan (833)

Classificar por

Um Rio

Um rio sem margens, sem águas,
Um rio sem peixes, nada.
Não se nada, nem quer que se deixe
Navegar.

Um rio suave, sem espumas,
Como a fria morte da razão.

Um rio disforme, seco, sem vida,
Onde a alma jaz perdida,
Envolta na mais pura
Escuridão.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Nuvens de Algodão

Vês! Ali... no distante horizonte,
sobre um mar de ondas de perfumes,
um amor que me faz impune,
loucuras que, de mim, alguém te conte.

Minhas mãos são espumas flutuantes,
que flutuam brancas sobre as ondas.
Por mais que tente e as esconda,
sobre as ondas flutuam neste instante.

Sou um torto sopro! É assim que eu sou.
Quero viver um amor divino,
mas este mar sobre mim se apossou.

Agora sou só nuvens de algodão,
que flutuam distantes, sem destino,
levando para sempre meu coração.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Nas águas do Amor

Nas negras águas consumi minhas mágoas
que personifiquei na minha cama por amor,
mas hoje o gozo só se encarna com a dor
de uma paixão de fogo, terra, ar e água.

Que evaporou em tantas longas madrugadas,
entre corpos suados, exalando calor,
em um frenesi de gozo e suor,
ao se tornar miragem, você, minha amada.

Eu sei que teus olhos são como flores,
rosas de tons azuis e vinho dos jasmins,
e, para qualquer lugar que tu fores,
vai com fragmentos tatuados de mim.

Leva também contigo partes de m'alma,
despedaçada de amor por ti.
Eu, sem ti, ficarei jogado aqui,
uma fera agonizando em uma jaula.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Quantas Vezes

Quantas vezes eu precisei de ajuda
e somente encontrei um amargo não;
quantas vezes desabrochei e sumi,
como se eu fosse fumaça escapando das tuas mãos.

Sou apenas uma tênue luz apagada
e, como pó, fui levado pelos ventos,
ser concreto, feito apenas de nada,
morto até nos íntimos pensamentos.

A dor no peito é maior que o mundo;
aprendi que não adianta estender a mão,
pois o não me é dito sempre ao ouvido,
trazendo a tristeza ao meu coração.

Flutuei em uma brisa desconhecida;
estrelas dançavam ao meu redor,
o sol desmaiava no horizonte,
mas a lua parecia muito maior.

Senti a morte e a vida se abraçando,
porém, ao olhar para trás, tentei sorrir,
não vendo teus passos me seguindo;
e, sem ter quem me faça sofrer, eu morri.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Sentimento da chuva

Seu menor sentido
era o de simplesmente sentir,
pois assim eram as chuvas
de intensas nuvens escuras
que caíam sobre a secura
desta terra dura.

Não apenas caíam,
desesturricando a terra seca,
também gemiam
e se espalhavam pelo chão,
traçando escritos;
eram tantos os caminhos
que se perdiam na intenção.

Aquela chuva sabia
da sua importância e razão,
mas já não era alada; por isso, gemia,
chorava
e no chão se largava,
junto aos seus sentimentos,
estendidos agora no mais vivo chão.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Almas Imortais

Segue sem rumo,
indecisa barca.
Segue à deriva nas vagas,
segue na vida incerta,
em mares de sal e pedra.

Carregue sonhos contigo,
ou qualquer cousa
que tenha cheiro,
que tenha cor;
qualquer cousa que tenha e venha
de onde for.

Carregue poesia singela,
a flor do desejo.
Carregue o aroma esfumaçante
que vem de perfumadas velas.

Segue ao sabor dos ventos,
indecisa barca.
Não tente aprisionar
pensamentos,
nem a dor, nem a emoção.
Não tente impedir o amor,
pois, assim como o vento,
eles veem e vão.

Segue por mares astrais,
indecisa barca.
Carregue queridos amigos,
sirva de abrigo às almas imortais.

Leve meu corpo contigo,
meus medos,
meus gritos.
Leve meu gozo infinito,
distante, distante,
pois eu não voltarei jamais.

Alexandre

 

Saiba mais…

Inocência

A angústia das angústias é
não saber teu nome,
não sentir teu perfume,
ter uma saudade enorme
e morrer de fome.

Acordar no meio de tudo
e, contudo, nada ver!

Se no céu não houver mais estrelas,
quando o caos principiar,
se não houver, eu hei de fazê-las,
pois as estrelas nadam nas águas do mar.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Teus Olhos

Eu olho teus olhos como se fossem carne.
E se fossem! Sangue por eles escorreria.
Alegre-se, pois eles continuariam a ter charme,
apesar do estágio antiético desta poesia.

Este sol velho que brilha em nós já não arde,
mas, há muitas eras, com certeza ele arderia.
Devido ao frio do norte, eu acordei tão tarde
para salvar você, meu amor; mas por ti morreria.

Morreria no asfalto, estatelado em enganos.
Vou morrer com a verdade, ou então me dano.
E assim, sem teus olhos, perdi-me no caminho,
perambulado mundo afora como um cigano.

Eu olho teus olhos como se fossem o mar.
As lágrimas desta poesia são as minhas rimas.
A força deste meu amor é um ledo engodo;
mas eu caminho em sua praia sob uma chuva fina.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Entre o Amor e o Ódio

 

M'alma tão triste padece
Das dores da indiferença;
e, mesmo na tua presença,
tu olhas-me apenas por olhar.

Não percebo mais teu carinho,
quando vinhas sorrindo baixinho,
e aquele sublime jeitinho,
tão doce, ao me falar.

M'alma, em algemas, é presa
entre o amor e o ódio,
na imensa masmorra da dor.
E, mesmo que eu tenha certeza,
este ódio invade o meu peito
e destrói este amor.

Entre o amor e o ódio eu me calo:
um terrível fim...
Tenebroso este inverno,
vivendo m'alma no inferno,
por viver assim.

Entre o amor e o ódio, eu me permito,
pois do amor que julguei infinito
apenas restam gemidos
de amor... para mim...

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Há Pedra e Há Dor

Eu toquei em uma pedra
e senti a dor que ela sentia;
assim como o reverso de uma medalha,
o sentir, ao humano, é estranha mania.

É um sentir que existe, não existindo.
Será que crer é o inverso do ser ateu?
Por que será que algo em mim está errado?
Como entender a inexistência do eu?

Em bilhões de anos sempre estive aqui.
Posso não crer na dor da pedra?
Afinal, de tantas maneiras, eu sempre vivi;
será que não existe uma regra?

Bom! Pelo sim e pelo não, eu senti,
mesmo que este meu sentir não tenha sentido.
Afinal, preto, branco ou azul, sempre estive aqui...
E você, meu amigo descrente... também!

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Alma

Apenas mais um ano de espera.
Enquanto o tempo passa, lavre a terra.
Espere que as sementes produzam amores.
Espere que as chuvas encharquem a terra.
Escreva mais um pouco.
Escreva que sou louco.
Escreva que o castigo não é para todos
ou então apenas escreva
as dores do meu coração.

Apenas mais um ano de espera.
O tempo passa lento.
Lá fora ouço
frases, lamentos gritados por todos,
que invadem os corredores, atravessam as paredes.
Lá fora eu ouço a vida.
Lá fora eu ouço a dor.
Escreva mais um pouco;
escreva sobre o amor.

Eu sei
que é tolice pensar em eternidade.
Aqui já não é noite nem dia,
apenas um imenso cortejo de segundos
que se arrastam por horas a fio,
na mais solitária angústia.

Apenas uma frase talhada na pedra,
apenas a espera.
Espere que a música termine.
Espere que o silêncio ilumine
com flashes de neon.

Ainda ontem eu nascia
e era tão jovem;
o coração era uma ilha,
uma enorme ilha de calor.
O sol brilhava forte no azul do firmamento.

Mas hoje tão somente delira
nesta caverna tensa e sombria.
Fala comigo uma vez, pelo menos,
neste mundo de profunda carência.
Apenas mais um ano de espera,
nesta ausencia de afeto
na negra cor destas paredes,
que cercam as coisas que chamo de tua,
envoltas em gotas de sangue que caem do teto,
deixando rubra a alma nua.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Violinos do Amor

Ah, violinos que agonizam noite afora,
vagos contornos nas sombras escuras;
divinos lamentos murmuram aos ventos,
como aves feridas pelas cicatrizes de outrora.

A noite se encanta e ouve, calada,
os sons, os gorjeios, os silvos lascivos;
as cordas embalam os mais convulsivos
guinchares e gritos derradeiros de amor.

Violinos de sonhos, das almas dos anjos,
de um céu de estrelas, de luz, de amores;
ecoam em tuas notas mil pétalas de flores,
arrepiam e trazem o encanto, a magia,
um mundo de sonhos e de esplendores.

Violinos na noite, que os ouve acordada,
em êxtase eterno de um mundo sem dor,
que chora em notas tão tristes, apenas
para que sonhes com um mundo de paz
e também de amor.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Gota em um Oceano

Sou uma gota em um oceano
eu insurjo no romper da aurora
não quero mais ser um ser humano
quando eu erro e quando me engano
meu castigo não se demora.


É inútil o meu ardor insano
partidas neste mundo afora
gela o sangue o meu desengano
no limite do que é profano
a cada ida tudo em mim piora.

Quero a mão que me afaga e bate
o olhar em que o ódio cintila
o fel que a tua boca destila
mundo inteligível estou fora
vou te dizer adeus, minha senhora.

Quero ver a corda que enforca
ou o gatilho que deflagra o tiro
pensar em meu último suspiro
deste mundo eu quero ir embora.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Amar Infinito

O que eu sou, já fui,
em tempos distantes.
Se não fui, serei,
nos tempos que estão por vir.

Quando fecho os olhos,
um soar vibrante,
por todos os instantes,
eu sempre estive aqui.

Eu tento imaginar
como eu fui outrora:
um rei ou um plebeu,
um simples camafeu.

Um pedaço de pau
ou, simplesmente, terra;
terra que me enterra,
terra que sou eu.

Que sempre serei.
Se eu fosse escolher,
queria ser um lago,
um lago de águas negras,

como os olhos teus.
Iria refletir, feliz, a tua imagem,
eternizar o amor
nos infinitos devaneios meus.

Alexandre

Saiba mais…

Mel do Amor

Eu quero lhe dar um presente
que seja feito das gotas da chuva,
com a cor e o sabor das uvas
colhidas nos parreirais.

Uma pitada do cheiro do vento,
o aroma ardido do coentro,
com a languidez lenta do tempo
na dança dos coqueirais.

E quero que este momento,
que traz a doçura do mel
do amor que carrego e penso,
tão lindo, seja um pedaço do céu.

Meu Deus, eu te amo demais!

É um mar pleno de eternidade,
de sonhos e desejos irreais,
em um amar que é pura verdade
e que não morrerá jamais.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Ao ser Sonho!

Te vejo na realidade do vento,
do cheiro de coento,
nos contornos suaves como a seda,
no caminho de floridas veredas.

À noite, serei a sombra que a persegue;
estarei tão perto para sentir tua emoção.
Tocarei na tua verdade macia e entregue,
com o fogo doentio da minha mão.

Te quero em carne e em tudo o que fluir de ti,
na chama luminosa como a vida;
ilumina a minha noite, cintilante rubi,
és a esperança que transcende minha alma dolorida.

No meu eu, ao ser eu e ao ser sonho,
trago a poesia no amor que desconheço;
talvez, para muitos, sou apenas bisonho,
amo a loucura entre seu final e seu começo.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Deixe-me Partir

Já passou da hora,
eu sei que teu amor é infinito.
O luar se vai, mistura-se à aurora,
e o novo dia será o mais bonito.

É a certeza da renovação da luz,
do caminho que m'alma deve trilhar.
Não impeça meu encontro com Jesus;
m'alma para sempre vai te amar.

Todas as vicissitudes são passageiras,
engrandecem nosso caminho aqui na Terra.
A m'alma não é a última nem a primeira,
e a luz se desvanece à minha espera.

Não queira com a tua dor manter-me aqui;
a carne não traz nenhuma certeza.
viva o melhor da sua vida e deixe-me partir
No transcender da vida, a morte é o que traz beleza.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Anjo e um Sorriso

Anjo, por que fazes tantas promessas,
se tens pressa de conhecer todo o meu ser?
Vem mansa, diluída e confessa
que o amor é uma flor a se apreender.

Anjo, as tuas mãos são como seda,
deslizando pelas águas de um lago;
és um fogo de poderosas labaredas,
és meiguice, és um toque, és um afago.

Anjo, por que choras por tão pouco?
Esta noite eu estarei com você;
vou falar coisas de amor com um tom rouco,
vou te amar com um amor de enlouquecer.

Quero ver renascer o teu sorriso,
eu preciso aquecer teu coração;
nosso amor, inconsequente e sem juízo,
faz o mundo estremecer nesta união.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

O Dia D

O NÃO foi dito na hora exata;
cachorro que a cobra mordeu foge até de linguiça.
Pipocam rojões como um abracadabra,
e as moscas circulam no cheiro da carniça.

Pois a morte não é uma coisa abstrata;
até mesmo as capas rangem em suas dobradiças.
Esta noite é feita de coisas macabras;
nos raios, os gritos estão cheios de injustiças.

Os demônios mordem seus rabos como jararacas;
de ambos os lados, a vingança os atiça.
Talvez não haja nenhum sentido nestas palavras;
só quem viveu o outro lado entende esta premissa.

A quietação voltou no estertor desta longa madrugada;
há medo e dor, mas é o cheiro de sangue que enfeitiça.
Descompassados, os entes impotentes vestem a casaca,
pois mãos poderosas resolveram tomar conta desta missa.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…

Minha Morte

Como é doce a minha morte,
como se fosse um mergulhar no nada intenso
e
sentir, distante, o aroma do incenso;

não mais a dor da carência
das minhas mãos estendidas,
e ninguém que se importe
com minha morte
ou que eu viva.

Como é doce a vida
que vem depois da morte,
com a lenta escuridão da noite,
o farfalhar das asas densas do abutre
e as nuvens negras sobre a carne viva;

com a fome que tem guarida na vida
ou na morte.

Sentir pulsar em mim a vida dos vermes que
devoram a carne que então lhes serve de comida
e de ninho.

Neste instante, é interminável o caminho
da morte enquanto vivo, como toda profecia.

Não me chame;
veja apenas a luz
da chama fria.

Então, atente para o que eu te digo:

Queria muito reviver,
mas não consigo.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…
CPP