Posts de Alexandre Montalvan (827)

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Inocência

A angústia das angústias é
não saber teu nome,
não sentir teu perfume,
ter uma saudade enorme
e morrer de fome.

Acordar no meio de tudo
e, contudo, nada ver!

Se no céu não houver mais estrelas,
quando o caos principiar,
se não houver, eu hei de fazê-las,
pois as estrelas nadam nas águas do mar.

Alexandre Montalvan

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Teus Olhos

Eu olho teus olhos como se fossem carne.
E se fossem! Sangue por eles escorreria.
Alegre-se, pois eles continuariam a ter charme,
apesar do estágio antiético desta poesia.

Este sol velho que brilha em nós já não arde,
mas, há muitas eras, com certeza ele arderia.
Devido ao frio do norte, eu acordei tão tarde
para salvar você, meu amor; mas por ti morreria.

Morreria no asfalto, estatelado em enganos.
Vou morrer com a verdade, ou então me dano.
E assim, sem teus olhos, perdi-me no caminho,
perambulado mundo afora como um cigano.

Eu olho teus olhos como se fossem o mar.
As lágrimas desta poesia são as minhas rimas.
A força deste meu amor é um ledo engodo;
mas eu caminho em sua praia sob uma chuva fina.

Alexandre Montalvan

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Entre o Amor e o Ódio

 

M'alma tão triste padece
Das dores da indiferença;
e, mesmo na tua presença,
tu olhas-me apenas por olhar.

Não percebo mais teu carinho,
quando vinhas sorrindo baixinho,
e aquele sublime jeitinho,
tão doce, ao me falar.

M'alma, em algemas, é presa
entre o amor e o ódio,
na imensa masmorra da dor.
E, mesmo que eu tenha certeza,
este ódio invade o meu peito
e destrói este amor.

Entre o amor e o ódio eu me calo:
um terrível fim...
Tenebroso este inverno,
vivendo m'alma no inferno,
por viver assim.

Entre o amor e o ódio, eu me permito,
pois do amor que julguei infinito
apenas restam gemidos
de amor... para mim...

Alexandre Montalvan

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Há Pedra e Há Dor

Eu toquei em uma pedra
e senti a dor que ela sentia;
assim como o reverso de uma medalha,
o sentir, ao humano, é estranha mania.

É um sentir que existe, não existindo.
Será que crer é o inverso do ser ateu?
Por que será que algo em mim está errado?
Como entender a inexistência do eu?

Em bilhões de anos sempre estive aqui.
Posso não crer na dor da pedra?
Afinal, de tantas maneiras, eu sempre vivi;
será que não existe uma regra?

Bom! Pelo sim e pelo não, eu senti,
mesmo que este meu sentir não tenha sentido.
Afinal, preto, branco ou azul, sempre estive aqui...
E você, meu amigo descrente... também!

Alexandre Montalvan

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Alma

Apenas mais um ano de espera.
Enquanto o tempo passa, lavre a terra.
Espere que as sementes produzam amores.
Espere que as chuvas encharquem a terra.
Escreva mais um pouco.
Escreva que sou louco.
Escreva que o castigo não é para todos
ou então apenas escreva
as dores do meu coração.

Apenas mais um ano de espera.
O tempo passa lento.
Lá fora ouço
frases, lamentos gritados por todos,
que invadem os corredores, atravessam as paredes.
Lá fora eu ouço a vida.
Lá fora eu ouço a dor.
Escreva mais um pouco;
escreva sobre o amor.

Eu sei
que é tolice pensar em eternidade.
Aqui já não é noite nem dia,
apenas um imenso cortejo de segundos
que se arrastam por horas a fio,
na mais solitária angústia.

Apenas uma frase talhada na pedra,
apenas a espera.
Espere que a música termine.
Espere que o silêncio ilumine
com flashes de neon.

Ainda ontem eu nascia
e era tão jovem;
o coração era uma ilha,
uma enorme ilha de calor.
O sol brilhava forte no azul do firmamento.

Mas hoje tão somente delira
nesta caverna tensa e sombria.
Fala comigo uma vez, pelo menos,
neste mundo de profunda carência.
Apenas mais um ano de espera,
nesta ausencia de afeto
na negra cor destas paredes,
que cercam as coisas que chamo de tua,
envoltas em gotas de sangue que caem do teto,
deixando rubra a alma nua.

Alexandre Montalvan

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Violinos do Amor

Ah, violinos que agonizam noite afora,
vagos contornos nas sombras escuras;
divinos lamentos murmuram aos ventos,
como aves feridas pelas cicatrizes de outrora.

A noite se encanta e ouve, calada,
os sons, os gorjeios, os silvos lascivos;
as cordas embalam os mais convulsivos
guinchares e gritos derradeiros de amor.

Violinos de sonhos, das almas dos anjos,
de um céu de estrelas, de luz, de amores;
ecoam em tuas notas mil pétalas de flores,
arrepiam e trazem o encanto, a magia,
um mundo de sonhos e de esplendores.

Violinos na noite, que os ouve acordada,
em êxtase eterno de um mundo sem dor,
que chora em notas tão tristes, apenas
para que sonhes com um mundo de paz
e também de amor.

Alexandre Montalvan

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Gota em um Oceano

Sou uma gota em um oceano
eu insurjo no romper da aurora
não quero mais ser um ser humano
quando eu erro e quando me engano
meu castigo não se demora.


É inútil o meu ardor insano
partidas neste mundo afora
gela o sangue o meu desengano
no limite do que é profano
a cada ida tudo em mim piora.

Quero a mão que me afaga e bate
o olhar em que o ódio cintila
o fel que a tua boca destila
mundo inteligível estou fora
vou te dizer adeus, minha senhora.

Quero ver a corda que enforca
ou o gatilho que deflagra o tiro
pensar em meu último suspiro
deste mundo eu quero ir embora.

Alexandre Montalvan

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Amar Infinito

O que eu sou, já fui,
em tempos distantes.
Se não fui, serei,
nos tempos que estão por vir.

Quando fecho os olhos,
um soar vibrante,
por todos os instantes,
eu sempre estive aqui.

Eu tento imaginar
como eu fui outrora:
um rei ou um plebeu,
um simples camafeu.

Um pedaço de pau
ou, simplesmente, terra;
terra que me enterra,
terra que sou eu.

Que sempre serei.
Se eu fosse escolher,
queria ser um lago,
um lago de águas negras,

como os olhos teus.
Iria refletir, feliz, a tua imagem,
eternizar o amor
nos infinitos devaneios meus.

Alexandre

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Mel do Amor

Eu quero lhe dar um presente
que seja feito das gotas da chuva,
com a cor e o sabor das uvas
colhidas nos parreirais.

Uma pitada do cheiro do vento,
o aroma ardido do coentro,
com a languidez lenta do tempo
na dança dos coqueirais.

E quero que este momento,
que traz a doçura do mel
do amor que carrego e penso,
tão lindo, seja um pedaço do céu.

Meu Deus, eu te amo demais!

É um mar pleno de eternidade,
de sonhos e desejos irreais,
em um amar que é pura verdade
e que não morrerá jamais.

Alexandre Montalvan

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Ao ser Sonho!

Te vejo na realidade do vento,
do cheiro de coento,
nos contornos suaves como a seda,
no caminho de floridas veredas.

À noite, serei a sombra que a persegue;
estarei tão perto para sentir tua emoção.
Tocarei na tua verdade macia e entregue,
com o fogo doentio da minha mão.

Te quero em carne e em tudo o que fluir de ti,
na chama luminosa como a vida;
ilumina a minha noite, cintilante rubi,
és a esperança que transcende minha alma dolorida.

No meu eu, ao ser eu e ao ser sonho,
trago a poesia no amor que desconheço;
talvez, para muitos, sou apenas bisonho,
amo a loucura entre seu final e seu começo.

Alexandre Montalvan

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Deixe-me Partir

Já passou da hora,
eu sei que teu amor é infinito.
O luar se vai, mistura-se à aurora,
e o novo dia será o mais bonito.

É a certeza da renovação da luz,
do caminho que m'alma deve trilhar.
Não impeça meu encontro com Jesus;
m'alma para sempre vai te amar.

Todas as vicissitudes são passageiras,
engrandecem nosso caminho aqui na Terra.
A m'alma não é a última nem a primeira,
e a luz se desvanece à minha espera.

Não queira com a tua dor manter-me aqui;
a carne não traz nenhuma certeza.
viva o melhor da sua vida e deixe-me partir
No transcender da vida, a morte é o que traz beleza.

Alexandre Montalvan

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Anjo e um Sorriso

Anjo, por que fazes tantas promessas,
se tens pressa de conhecer todo o meu ser?
Vem mansa, diluída e confessa
que o amor é uma flor a se apreender.

Anjo, as tuas mãos são como seda,
deslizando pelas águas de um lago;
és um fogo de poderosas labaredas,
és meiguice, és um toque, és um afago.

Anjo, por que choras por tão pouco?
Esta noite eu estarei com você;
vou falar coisas de amor com um tom rouco,
vou te amar com um amor de enlouquecer.

Quero ver renascer o teu sorriso,
eu preciso aquecer teu coração;
nosso amor, inconsequente e sem juízo,
faz o mundo estremecer nesta união.

Alexandre Montalvan

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O Dia D

O NÃO foi dito na hora exata;
cachorro que a cobra mordeu foge até de linguiça.
Pipocam rojões como um abracadabra,
e as moscas circulam no cheiro da carniça.

Pois a morte não é uma coisa abstrata;
até mesmo as capas rangem em suas dobradiças.
Esta noite é feita de coisas macabras;
nos raios, os gritos estão cheios de injustiças.

Os demônios mordem seus rabos como jararacas;
de ambos os lados, a vingança os atiça.
Talvez não haja nenhum sentido nestas palavras;
só quem viveu o outro lado entende esta premissa.

A quietação voltou no estertor desta longa madrugada;
há medo e dor, mas é o cheiro de sangue que enfeitiça.
Descompassados, os entes impotentes vestem a casaca,
pois mãos poderosas resolveram tomar conta desta missa.

Alexandre Montalvan

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Minha Morte

Como é doce a minha morte,
como se fosse um mergulhar no nada intenso
e
sentir, distante, o aroma do incenso;

não mais a dor da carência
das minhas mãos estendidas,
e ninguém que se importe
com minha morte
ou que eu viva.

Como é doce a vida
que vem depois da morte,
com a lenta escuridão da noite,
o farfalhar das asas densas do abutre
e as nuvens negras sobre a carne viva;

com a fome que tem guarida na vida
ou na morte.

Sentir pulsar em mim a vida dos vermes que
devoram a carne que então lhes serve de comida
e de ninho.

Neste instante, é interminável o caminho
da morte enquanto vivo, como toda profecia.

Não me chame;
veja apenas a luz
da chama fria.

Então, atente para o que eu te digo:

Queria muito reviver,
mas não consigo.

Alexandre Montalvan

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Rosa Vermelha

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Uma rosa vermelha, em um ramo,
balouça num tremor extremo;
ao ler um lindo poema,
lágrimas de perfume ela derrama.

Como se se fizesse carne, num sentir supremo,
rosa vermelha, rosa,
desabrochou assim mesmo,
ao final deste poema,
com suas lágrimas caindo a esmo.

Na emoção que avança ao infinito,
viva na comunhão e na
proximidade com seu espírito,
rosa vermelha, rosa,
teve o fim mais bonito.

Soltou-se deste ramo e, em fuga,
liberta como em um sonho redentor,
rosa vermelha, rosa,
transformou-se na mais linda rosa:
a rosa vermelha... do amor.

Alexandre Montalvan

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Funesto Silêncio

Um grito,
num mar de funesto silêncio,
brota torvo nas tuas palavras,
entrecortado com ruído mundano;
flutuam e contornam este mar imenso.

Uma dor num dolorido coração humano,
que já não tem o amor de outrora;
tomam todas as tuas palavras,
absorvidas no silêncio,
e as jogam fora.

Porém, cale-se primeiro,
para que possa ouvir.
Assim é no mundo inteiro:
ensinam-te a viver,
ensinam-te a sorrir
e a desprender-te
deste fardo ligeiro
que se prende a ti.

Assim como nas ruas desertas,
eu me deixo, calado, permanecer
na exata percepção do nada,
na total inexistência de você.

A ti, a minha mão foi estendida,
na certeza de um sentimento fugaz;
sem reciprocidade válida,
a paixão não correspondida
nada fará a crisálida
voar.

Sinta-se agora tão só e triste,
porque o portão está fechado;
sem poder entrar, a solidão persiste,
espremida neste espaço escuro.
São cristais de sal neste dilúvio
a inundar o teu futuro.

Agora há apenas sangue e dor,
obra de um ator manipulador e perverso;
é um grito absurdo de horror,
no final mais escuro do universo.

Alexandre Montalvan

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Regresso ao Ventre Materno

Não existe mais tempo,
nem ao menos emoção,
apenas a estranha sensação
do vazio que me cerca;
meu coração se aperta.

É como se não sentisse no peito,
talvez já nem haja mais peito,
nem chão, nem jeito,
como se o sentido fosse nada
e eu fosse ausência de tudo,
e toda porta estivesse fechada.

Tateio nesta noite escura,
e, a cada passo, imploro a cura
para esta dor que não tem tamanho.

Mas não há remédio nem cura;
a cada gesto, eu me procuro,
a cada passo, eu até juro:
quero parar e regressar
ao ventre materno.

Não tenho, em momento nenhum,
a paz que eu tive um dia,
ao ouvir teu coração
bater como um martelo:

Tum... Tum... Tum...

Alexandre Montalvan

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Muralhas

Destruam esta muralha que impede meus sentidos.
Eu quero teu calor, teu amor, teus sorrisos.
Tento romper esta barreira e transcender o sofrimento;
chagas se abrem e se fecham, aniquilando meu pensamento.

Cativo neste abismo, lembro meu passado. Quanta ironia!
Eu, que sonhava em voar entre as estrelas, ser livre como o vento,
ser um astro viajando pelo infinito através dos tempos,
só me restando agora esta imensa agonia.

Eu te farejo como um cão vadio, arrastando meu corpo acorrentado;
em meus olhos, punhais incandescentes são cravados.
Em meio a este caos latente, apenas um lamento, um grito,
revolucionando minha existência no verter de um sangue denso.

Na fronteira da sanidade, eu assumo meu delito;
na loucura da minha alma, do meu ser, este amor imenso.
Na lágrima que teima em rolar até meu lábio ferido,
com o gosto amargo de um amor perdido.

Rosas vermelhas, como o sangue que jorra de meu corpo,
como teus lindos lábios que emolduram teu rosto;
vermelhas como este fogo que é meu inferno.
Mesmo perdido, meu amor por você será eterno.

Alexandre Montalvan

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Amei Você sem Dó!

Amei-te como se ama o pior inimigo,
na exaustão ficcional de uma batalha,
com nossas vísceras sexualmente expostas,
alimentando o fogo da nossa fornalha.

Amei, destroçado nos trilhos de um trem,
olhando em seus olhos profundos e escuros;
amei você como a morte presente, e eu juro
que amei você como nunca amei ninguém.

Amei-te nas mais odiosas torturas,
tendo todos os meus dedos arrancados
por alicates ferozes e afiados;
amei-te arrastando-me por estradas escuras.

Amei-te até depois de morto,
em um pesadelo que me tolheu a fala;
acordei jogado no chão, em desconforto,
mas amo-te, como amo a mão que o berço embala.

Alexandre 

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Hoje (2)

Hoje há cor de sangue nas nuvens densas;
trago no sentir bem menos que tu pensas,
e eu caminho sem que eu veja incoerência.

É como estar amortecido pelo tempo,
e que todo o sofrimento estivesse ausente;
este céu de sangue me é indiferente.

Para nós, homens, não há mais o consistente
para deflexão ou parar o sistema,
na trama que é tão maior quanto envolvente.

No mundo em que se deve sempre ir em frente,
não parar, pois este vírus é só para os impuros,
porque o céu é a última fronteira, fatalmente.

Nada dura sobre as pedras ou sobre os muros,
onde o cheiro da pólvora nos oprime;
sem pensar, apenas rangem-se os dentes.

Quando todas as verdades são indecentes,
fecham-se os olhos para não ver o escuro;
por isto ando procurando algo que transcende.

Entre o branco e o azul existem muitas cores,
mas, na desolação, o que impera são as dores,
e fechamos os olhos para estes horrores.

É pena que o perfeito seja inexistente,
ou apenas é como vemos este assunto;
o conjunto não vale nada, infelizmente.

Quando todas as aves do mundo voarem,
tudo acabará e não restará nenhum arbusto;
mas, no céu, ressurgirá o azul e o branco.

Então estarei caminhando e procurando
no chão, sem saber o que eu busco.

Alexandre Montalvan

Saiba mais…
CPP